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Rodeado de luxo e de estrelas planetárias. Quem é Mohammed Al Turki, o "saudita em Hollywood" que cresceu onde os filmes eram proibidos?

É o grande anfitrião das festas, está nos sets e passadeiras vermelhas mais importantes de Hollywood e é amigo de atrizes como Naomi Campbell ou Sofia Vergara. Mas o saudita não é só uma celebridade.

No topo da sua página de Instagram, que conta com mais de dois milhões de seguidores, Mohammed Al Turki destaca duas publicações: numa delas é fotografado com Zoë Saldaña, atriz vencedora de um Óscar. O vídeo que partilha resume a sua ida à cerimónia de entrega dos prémios BAFTA. Num outro post, destacado no cimo do seu perfil, mostra-se ao lado de outro ator, Robert Pattinson numa festa em Paris, após a estreia do filme protagonizado pelo ator, Mickey 7. 

Em muitas outras publicações divulga marcas de luxo, entre elas a Cartier, Dior e, claro, a Infiniti, de quem agora é o principal embaixador no Médio Oriente. As presenças nas mais variadas passadeiras vermelhas, de Cannes aos Óscares passando pelos Globos de Ouro, também são imortalizadas através da rede social, bem como as fotografias de muitas viagens por todo o mundo na companhia de celebridades globais, como a modelo Naomi Campbell e a atriz Sofia Vergara, de quem é amigo próximo.

Foi, aliás, numa viagem a Ibiza que Al Turki decidiu celebrar recentemente o seu 40º. aniversário. “Estou mais do que grato pelos amigos que chegaram a Ibiza e pelas belas almas que organizaram o jantar mais inesquecível. Vocês fizeram-me sentir amado, visto e celebrado”, escreveu no post.

Basta olhar para os bolos (dois muito grandes e um mais pequeno) para perceber o seu lugar na roda das celebridades de Hollywood. A decoração é feita com fotos em que Al Turki está com as amigas Naomi e Vergara, mas também Ricky Martin, a cantora Anitta, e as atrizes Dakota John e Eva Longoria, por exemplo.

▲ Mo, como lhe chamam os amigos, com várias atrizes e modelos, como Heidi Klum, Michelle Rodriguez, Natasha Poly, para além das amigas mais chegadas Naomi e Vergara

No Instagram podemos ver fotos do saudita ao lado de Elon Musk (num casamento de um amigo) e em muitos outros eventos de luxo e glamour. É aliás o anfitrião das festas mais desejadas de Hollywood, seja nas famosas pós-Óscares ou de cariz mais privado, mas também em Cannes, no Mónaco, ou em Espanha, por exemplo.

Várias revistas já o escolheram para capa, como a Esquire Médio Oriente, a Harpers Bazar Arabia (onde está com a amiga e apresentadora tunisina Afef Jnifen) a GQ Middle East. Em outras, como a Vanity Fair ou a Peacock Magazin por exemplo, já teve destaque. Mas afinal quem é Mohammed Al Turki?

▲ Produtor e empreendedor saudita é capa de várias revistas, como a última edição da Esquire Middle East

À primeira vista, e a quem o acompanhe apenas nas redes sociais, o saudita que acaba de completar quatro décadas de vida pode parecer só mais um influenciador, mas a promoção de marcas de luxo só chegou depois de muitos anos de trabalho como produtor de cinema, na indústria mais exigente do mundo, a de Hollywood.

À Esquire Médio Oriente, que na edição de julho/agosto coloca Al Turki na capa, recorda o seu percurso: da Arábia Saudita para os EUA, com um regresso à terra natal quando o cinema voltou a ser permitido por lá, em 2017.

Quase dez anos depois desse regresso às origens, admite que vive com uma “satisfação silenciosa” e com uma profunda compreensão do impacto que teve até agora no mundo do cinema, principalmete no país de origem. Isto depois de se tornar num produtor de cinema, mesmo quando nasceu e cresceu na Arábia Saudita: onde por 35 anos o cinema foi proibido.

Filho do xeque Abdulaziz Al Turki, herdou da família o gosto pelo cinema

A história de Mohammed Al Turki pode não inspirar pela ascensão social ou financeira, mas foi certamente a família privilegiada em que nasceu que lhe deu acesso à superação cultural num país em que o cinema lhe estava vedado. Nasceu na cidade saudita de Khobar, a 3 de julho de 1986, três anos depois de os filmes terem sido proibidos nesse país, sob a influência de autoridades religiosas ultraconservadoras.

Mo, como os amigos o conhecem, é filho do xeque Abdulaziz Al Turki. Logo, o seu ponto de partida é a riqueza e um estatuto de exceção. Herdou da família o gosto pelo cinema, apesar da proibição que vigorou no país onde passou a infância e adolescência — ele e os familiares tinham acesso ao que de melhor se fazia no estrangeiro quando viajavam. No seu instagram publicou uma fotografia da sua primeira vez em Cannes, aos 5 anos de idade, a primeira imagem de uma fotogaleria de vários momentos seus nesse festival onde surge ao lado de Catherine Deneuve, Uma Thurman, Carla Bruni e mesmo a portuguesa Sara Sampaio.

▲ Mo, aos 5 anos, em 1990 em Cannes, onde anos depois se cruzaria com nomes como Catheirne Deneauve, Uma Thurman e até a portuguesa Sara Sampaio

Foi também além fronteiras que teve oportunidade de se formar na área. Mudou-se para Londres para estudar cinema na universidade. De acordo com o seu perfil, publicado na Esquire Médio Oriente na edição julho/agosto, depois de terminar os estudos Al Turki ainda passou brevemente pelo setor do petróleo e do gás — caminho que lhe era bem mais acessível e óbvio no país de origem e meio social — mas uma viagem colocou-o de volta no percurso que tinha começado na universidade.

Numa viagem de férias com a família, foi apresentado à realizadora britânica Zeina Durra, que, ao saber da sua formação, o convidou para trabalhar com ela na produção de um filme independente. A participação no filme The Imperialists Are Still Alive!, em 2010, mudou tudo.

▲ Mo, como lhe chamam os amigos, com várias atrizes e modelos, como Heidi Klum, Michelle Rodriguez, Natasha Poly, para além das amigas mais chegadas Naomi e Vergara

Nem dois anos depois, fazia-se notar por terras norte-americanas. Só no ano de 2012, foi diretor executivo de dois filmes de Hollywood, um deles protagonizado por Richard Gere e o outro por ZacEfron. Seguiram-se muitos mais. De 2012 até ao final de 2014, de acordo com o IMDB, produziu nove filmes com realizadores de renome e dezenas de atores e atrizes considerados estrelas de cinema em Hollywood.

Sou orientado para os pormenores. Acho que é importante prestar atenção aos pormenores e quero que as coisas que faço tenham o meu toque
Mohammed Al Turki

O regresso a casa para (re)construir o cinema

Quando, 35 anos depois de o cinema ser proibido, as salas de cinemas voltaram a abrir na Arábia Saudita, na onda de viragem da liderança reformista, Al Turki regressou a casa em 2018..

Tinha passado os últimos anos a concretizar um sonho inalcançável na sua terra natal até então: o de ser produtor de cinema. Tinha vingado na indústria cinematográfica norte-americana, onde era ser reconhecido como “o saudita em Hollywood” depois de uma ascensão meteórica e de ter trabalhado com as maiores estrelas do cinema mundial.

O regresso de um nacional que tinha feito nome lá fora marcou um momento crucial para o cinema saudita e transformou-o num catalisador cultural, como destaca a Esquire Médio Oriente.

Al Turki vingou na indústria cinematográfica norte-americana, que é tida como a mais difícil do mundo, e passou a ser reconhecido como “o saudita em Hollywood” depois de uma ascensão meteórica no meio.

Al Turki tornou-se CEO da Red Sea Film Foundation, uma fundação que angaria e dá financiamento a longas-metragens e documentários árabes, africanos e asiáticos, abrangendo projetos em estágios de desenvolvimento, produção e pós-produção.

“Estas instituições não são apenas para os sauditas, servem toda a indústria do Médio Oriente em termos de mais acesso, visibilidade, financiamento e oportunidades”, descreveu Mohammed sobre a fundação. Desde 2021, ano em que começou a operar, a fundação apoiou 280 filmes.

O produtor saudita abandonou recentemente o cargo da direção executiva da fundação, mas continua a ter funções consultivas e a atuar como filantropo. Os projetos cinematográficos em que tem estado envolvido mais recentemente são também eles sauditas, como é o caso do filme Hobal, um drama que se tornou num sucesso que quebrou recordes de bilheteiras na Arábia Saudita, ultrapassando a audiência de filmes de Hollywood.

Para lá do trabalho no cinema, o produtor tornou-se recentemente chief luxury ambassador da marca de carros de luxo Infiniti. “Sou orientado para os pormenores. Acho que é importante prestar atenção aos pormenores e quero que as coisas que faço tenham o meu toque”, explicou à Esquire, para se definir no papel de promotor de marcas e de influenciador que acaba por ter mais recentemente nas redes sociais.

É por lá que mostra os carros que conduz, as casas que tem, os hotéis que frequenta — tudo no patamar do luxo — e também as muitas festas exclusivas a que vai e aquelas que organiza, a maioria onde se reúnem algumas das celebridades mais conhecidas em todo o mundo.

A vida dedicada ao setor do luxo vem agora quando Al Turki diz ter percebido que parte do seu papel no cinema já está cumprido. “Sinto que meu trabalho lá [na Arábia Saudita] foi realizado”, afirmou à Esquire Médio Oriente. Mas não deixou o seu lado filantropo. Ainda há pouco tempo organizou em Cannes uma gala que angariou 17 milhões de dólares (14 milhões de euros) para a luta contra a Sida, fiel a uma frase que colocou no seu Instagram: “Erguemo-nos ao levantar os outros”. 

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