Não há morada mais nobre para uma casa de moda em Portugal do que a Avenida da Liberdade. É na mesma rua de boutiques de luxo como Gucci ou Louis Vuitton, e no mesmo prédio onde hoje funciona a Miu Miu, que está o atelier de Tony Miranda. Com uma carreira de seis décadas em que grande parte foi feita em Paris, com passagens pelo atelier de Joseph Camps, fundador da Camps de Luca Tailor, ou pela Ted Lapidus, nome forte da moda nos anos 1970, onde diz ter “criado o blazer”, o costureiro coleciona experiências de quem viveu os bastidores do mundo da alta costura, a vestir estrelas francesas como Brigitte Bardot e Charles Aznavour; líderes “dinossauros” de países africanos como o antigo Presidente do Gabão, Omar Bongo; figuras da realeza como o antigo Xá da Pérsia; a elite de destinos como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes e até membros da máfia francesa. É até hoje o responsável pelo guarda-roupa do atual Presidente angolano, João Lourenço, e da mulher. Dias antes de lançar uma nova coleção, recebeu o Observador para recordar algumas dessas memórias.
Filho de uma costureira e um sapateiro, aprendeu o ofício ainda criança, mas foi aos 14 anos que rumou a França, depois de assistir na televisão a um desfile de Christian Dior. Tony Miranda viveu em Paris por mais de 25 anos. Em 1967 entrou para a Ted Lapidus, onde trabalhou até 1979, quando decidiu abrir um atelier em nome próprio. Mas foi neste período que conheceu alguns dos seus clientes mais célebres. Por entre os fatos e sapatos do atelier em Lisboa, há espaço também para memórias — nomeadamente numa das paredes do escritório, que tem pendurada uma seleção de retratos. Num deles vê-se Tony e Charles Aznavour, numa das mais recentes visitas do cantor francês a Lisboa, dois anos antes de morrer. O costureiro diz que fez um fato azul para o cantor quando ainda estava na Lapidus, em 1972, mesmo ano em que Aznavour lançou “Je m’voyais déjà”, na qual canta que “mandou fazer um fato todo azul na alfaiataria mais luxuosa”. Quando Tony Miranda deixou a Lapidus, o cantor foi um dos que o terá seguido. “Depois ficou cliente e amigo, vinha até Portugal. Da última vez, veio fazer compras, fiquei com uma encomenda de quatro fatos”. Os trajes eram usados em palco, nos concertos para o qual o costureiro também era convidado. “Durante as provas acabávamos por ter uma conversa, e abria-se comigo, contava os seus problemas. Depois emocionava-se e então nasceu uma amizade.”
▲ Charles Aznavour ao lado de Tony Miranda diante do atelier do costureiro, na Avenida da Liberdade, numa visita à capital portuguesa em 2016
TOMÁS SILVA/OBSERVADOR
Já a relação com Brigitte Bardot, desenvolvida também nos anos de Lapidus, não terá sido assim tão próxima. “Veio num rolls royce branco. Parecia um papillon, como se diz em francês”, recorda o costureiro. “Pediu um colete de pele todo bordado com umas calças iguais. Isto foi a primeira compra que ela fez, por medida. A atriz francesa ainda voltou à loja algumas vezes, mas Tony Miranda reconhece que “não foi uma grande cliente”.
“Paris é a minha bolha de oxigénio”
A conversa decorre num escritório que tem vista para o jardim do alojamento local que abriu há uns anos. A meio da entrevista, Tony Miranda recebe uma chamada: diz que há uma atriz internacional que pediu uma reserva na sua propriedade. O costureiro comprou o prédio em 1997 e hoje tem um andar totalmente dedicado à roupa masculina e outro para as clientes mulheres. No rés-do-chão já teve uma loja de pronto a vestir, mas hoje aluga o espaço para o grupo de Miuccia Prada. Diz que tem propostas “todos os dias”, mas não acha que valha a pena vender. “Não sou pessoa de comprar para vender quando faço um investimento. A não ser que seja uma questão de negócios, de trocas. Se não, compro mas guardo. Se eu tiver possibilidades, não vendo.” Tony Miranda conta-nos que sempre investiu em imóveis, inclusive em Paris, entretanto, vendeu tudo o que tinha em França no final da década de 1990 para comprar em Portugal. “Mas estou arrependido de ter vendido. As coisas até correram bem e não tinham necessidade de vender. E a diferença, quando vou de viagem para Paris… Uma coisa é sair do avião, chegar cá fora e agarrar um táxi para ir para o hotel. Outra coisa é ter alguém que te espera para ir para o apartamento, para casa. É uma diferença muito grande. Mental, sobretudo”, garante o costureiro, que diz que continua a ir várias vezes por ano à capital francesa. “Paris é a minha bolha de oxigénio.”
▲ O escritório do atelier dá para o jardim privado do alojamento que Tony Miranda tem numa paralela à Avenida da Liberdade
TOMÁS SILVA/OBSERVADOR
E o que faz quando vai a Paris? “Primeiro começo a dar a volta em todos os lugares em que trabalhei, para ver os meus negócios. Depois vejo alguns amigos que ainda lá estão. Outros já se foram, mas esta é a vida. E depois sento-me na Avenida dos Campos Elísios com um caderno. E cada pessoa que me interessa, que passa, tem o seu lugar na minha cabeça”, relata. Tony garante que este é o primeiro passo do seu processo de criação — observar a forma de andar e de se portar das pessoas comuns, nas ruas.
Há dois anos sem lançar coleções, na passada quinta-feira, 11 de setembro, apresentou Herança Couture, uma sequência de 80 modelos femininos e masculinos para todos os momentos do dia. “Herdei da minha mãe, que era uma grande costureira, e do meu pai, um grande bottier, muito artista. E a coleção que eu estou a apresentar é uma coleção muito elegante e com muito pormenor, faz parte de uma arte da perfeição mesmo”, afirma Tony, que não pretende apresentar novidades sazonais. “Não trabalho para a indústria. Cada peça que faço é diferente, não há duas iguais”, justifica o costureiro. Regressa agora, depois de dois anos, porque “sentiu necessidade”. “Quando passas algum tempo sem apresentar coleções começas a pôr-te em questão. Será que ainda sou capaz?” Entretanto, esta não é uma coleção de “alta costura”, apesar de ser toda feita por medida. “A maior parte da coleção é constituída por peças estilo homem para mulher. Trabalho com várias propostas, mas acho que hoje a peça que se vende mais no mundo é o estilo blazer.”
O “inventor” do blazer
Uma das criações que Tony Miranda clama para si é a do uso do blazer com corte masculino para mulheres. “Estávamos a começar a coleção no Ted Lapidus. E ele fez uma reunião comigo e disse: ‘Já pensaste naquilo que vamos fazer?’ E então marcámos um dia com o pessoal todo responsável. E eu entretanto fiz um blazer de camurça fininha antílope, aquela pele que tem mesmo um milímetro de espessura. Peguei nesta pele e fiz eu, em minha casa. No dia da reunião ele veio e eu mostrei a minha ideia. O Ted abriu a boca e disse: ‘isso é impossível’. Chamou uma rapariga, ela vestiu. E disse: ‘Oui, é isso mesmo que eu quero, é isso que vamos fazer. Vamos começar a comprar tecidos, a coleção vai ser toda assim”, recorda o costureiro, sobre a coleção que ajudou a criar em 1970 pela maison francesa.
▲ Tony Miranda tem mais de seis décadas de carreira no mundo da alta costura. Em Paris trabalhou por mais de dez anos na Ted Lapidus, onde diz ter "criado o blazer" feminino
TOMÁS SILVA/OBSERVADOR
Na história da moda, os nomes imortalizados como criadores do blazer feminino são outros. Há quem recorde os casacos de Coco Chanel ainda na década de 1930, mas seis anos anos antes da coleção da Lapidus um grande nome da alta costura já havia lançado a peça revolucionária: o famoso tuxedo Yves Saint Laurent. “Saint Laurent copiou-me tudo, até os bolsos. Ainda há pouco tempo vi um filme de Brigitte Fossey, onde ela trazia um casaco e fui eu que criei estes bolsos. E o Saint Laurent copiou-nos”, queixa-se Tony Miranda, que diz que a sociedade com Pierre Bergé ajudou o designer francês. “Era o homem que mandava na alta costura. Todos os problemas que o Saint Laurent poderia ter pela frente, o Pierre Bergé eliminava-os. E o Ted Lapidus começou a cansar-se, o dinheiro virou-lhe a cabeça”, conta Tony Miranda. ” Então Ted Lapidus disse: ‘Ah, vamos fazer outra coisa’, e abandonámos o blazer. Foi o maior erro que ele fez. Abandonou a ideia e o Saint Laurent tumba: uma coleção de blazers.”
O criador diz que não tem ressentimentos por não ser reconhecido por esta e outras criações da época, e até se mostra grato pela “oportunidade” que Lapidus lhe deu. Contudo, destaca: “Fui uma pessoa que estive sempre atrás das portas. Na Ted Lapidus era eu que fazia tudo funcionar mas eles guardaram-me sempre de uma maneira que ninguém visse. Não queriam que eu tivesse propostas. E tive propostas, mas não queria sair. Só saí quando vi que estávamos a perder clientes”. Tony Miranda diz que deixou a Lapidus em 1979 porque a maison passou a produzir peças em maior escala e com menor qualidade. Chega a descrever cenas de clientes a deitarem-se no chão para ajustar calças, mas que os novos modelos da altura eram largos e não cumpriam os requisitos necessários. “Os clientes de alta costura não são parvos”. Ted Lapidus morreu em 2008 e hoje a marca mantém o nome forte graças ao perfume.
Depois de deixar a Lapidus, Tony Miranda abriu um atelier em nome próprio na Avenue de Suffren e chegou a ter uma loja na Rue Cambon, a mesma da lendária primeira boutique Chanel em Paris. Afirma ter recebido propostas para integrar outras etiquetas, inclusive uma apresentada por “um grupo” que chegou a oferecer-lhe um cheque de 350 mil euros para comprar uma casa na capital francesa. O costureiro diz que se aconselhou com Emanuel Ungaro, com quem trabalhou no atelier de Joseph Camps nos anos 1960, e que saiu para abrir uma marca própria impulsionado por um grupo de investidores. “O dia em que entras naquele grupo, são os números que contam. Se não houver números, não há Tony Miranda”, ouviu do amigo. “Assim não quero”, respondeu Tony Miranda. “Coloquei o cheque num envelope e mandei de volta, Disse: ‘não. Não quero'”.
“Não há moda portuguesa. Copiam tudo aquilo que fazem”
No atelier o costureiro mostra-nos a estrutura de um fato, com centenas de pontos feitos à mão, para assegurar que o molde serve perfeitamente ao corpo, sem repuxos ou dobras. Uma peça que pode demorar 200 horas para ficar pronta, trabalho feito à mão — e garante-nos que não há roupa que saia do atelier sem passar pela sua agulha. Apesar de se afirmar um profissional de “alta costura”, Tony Miranda diz que só há cerca de “700 clientes no mundo” que compram peças com estas características atualmente. “A alta costura ocupa-se mais dos espetáculos e da publicidade. E muitas casas vivem com os produtos de beleza, porque se não fosse isso não sobreviviam”, diz o costureiro. Na conversa com o Observador cita Valentino, Saint Laurent e Givenchy como bons exemplos de haute couture, e diz que acompanha as semanas da moda internacionais, indo aos desfiles com frequência. “A moda esteve sempre dentro de mim”, garante. Entre os criadores de moda, destaca Christian Lacroix, mas diz que Bernard Arnault, o CEO da LVMH que comprou a marca do designer e a vendeu em 2004, “tirou-lhe o tapete porque não dava lucros”.
Questionado sobre o mercado nacional, Tony Miranda é direto. “Não há moda portuguesa. Copiam tudo aquilo que fazem”, afirma o costureiro, que desvaloriza os nomes que se apresentam em eventos como a ModaLisboa ou o Portugal Fashion. “Pelo amor de Deus. Se é isso, então eu não conheço nada de moda”. Apresentar coleções em Semanas da Moda, para Tony Miranda, só se for fora do país. “Já apresentei no Dubai mais de uma vez, mas no Dubai é outra coisa“.
Hoje os clientes do costureiro serão, na sua maioria, de países árabes, que garante serem aqueles que “pagam muito”. “A mulher saudita, quando vem para a Europa, mesmo no avião, muda-se”, diz o criador, que explica que as clientes árabes gostam do estilo caftan, com um corte mais direito, sem grandes formas, em tecidos como as sedas naturais e os linhos. “Depois as mais jovens querem que eu faça aberturas para que, quando derem um passo, se veja as pernas até lá a cima”, relata Tony Miranda. “Adoram vestir-se porque passam a vida de burca. Quando tiram, respiram. E são mulheres muito giras e bem feitas”.
Aliás, o pedido mais luxuoso que já recebeu veio, precisamente, de uma cliente saudita, que encomendou o vestido de noiva da filha. “Foi todo bordado manualmente, levou seis meses com duas pessoas a bordar”, descreve. Perguntámos então se depois de pronta a peça foi “enviada” para a Arábia Saudita: “Essas coisas não se enviam, acompanham-se”. Tony Miranda diz que em casos como este, coloca as roupas numa mala e leva em primeira classe, nos assentos à frente. “A não ser quando são aqueles clientes que mandam um avião privado”.
A alta costura que veste elites, chefes de Estado e mafiosos
No Médio Oriente, Tony Miranda destaca um cliente especial da realeza, o Xá da Pérsia, Reza Pahlavi. “Vesti-o várias vezes, era um homem fantástico e generoso. Diziam mal dele porque não aceitava que havia presos, mas aquele que o pôs fora, que foi o Ayatollah Khomeini, o que é que ele não fez? O que é que ainda fazem até hoje? Tudo tem que ser de acordo com ele. Com o Xá era como uma cultura europeia. Eles tinham liberdade”, diz o costureiro, sobre o homem que reinou no Irão entre 1967 e 1979, até o início do regime dos Ayatollah.
Dos clientes de alta costura atuais, destaca a mulher do Presidente angolano, Ana Dias Lourenço. “Alta costura para quando tem certas cerimónias especiais, nas no dia a dia veste-se muito simples. Mas sempre com bom gosto, que nós lhe propomos”, garante o costureiro. Na sua parede de clientes especiais, uma fotografia com João Lourenço está em destaque. “Já o visto desde quando era vice-presidente. Conheci-o aqui, a mulher veio primeiro e depois trouxe o marido. Eles têm sempre cá roupa”, conta Tony Miranda. “Eles vêm cá a Lisboa e eu vou a Angola. Estamos sempre super em contacto, eles estiveram em Guimarães em minha casa a almoçar“, confidencia o costureiro, que criou uma relação muito próxima com o casal. “É uma amizade de longos anos. Estive lá há pouco tempo e ele disse-me: ‘Ah, Tony, quando deixar a política vamos dar muitos passeios. Lembro-me do bacalhau que comi em Guimarães, tenho tantas saudades'”.
O fator confiança parece essencial para as relações entre o costureiro e aqueles que lhe encomendam peças. “Aqui nesta casa, um cliente depois de entrar cá e vir uma, duas ou três vezes, vira amigo”, assume Tony Miranda. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o antigo Presidente do Gabão, Omar Bongo. “Foi o meu melhor amigo, vesti-o por 32 anos. E foi considerado o presidente de África mais bem vestido. Chegou a encomendar 100 fatos por ano“, diz o criador, que revela que Bongo mudava de roupa quatro ou cinco vezes por dia. “Fazia o fato, a camisa, o sapato, a gravata”, recorda, afirmando que cada peça tinha um número para que o responsável pelo guarda-roupa soubesse a combinação correta. Na sua autobiografia, lançada em 2023, Tony Miranda conta que a relação com Omar Bongo começou ainda na Ted Lapidus, nos anos 1970, onde o Presidente fez uma primeira encomenda de 65 fatos, 130 camisas, 130 gravatas e 30 pares de sapatos, tendo pago tudo adiantado. O costureiro escreve que a amizade era “honesta e sem interesses”, e que recebia presentes de Bongo como “um relógio Piaget em ouro, com 220 diamantes”. “Aceitava-as da mesma forma que ele aceitava as minhas, não com grande valor: vinhos, canetas, roupa.” escreve no livro.
▲ A parede de retratos de Tony Miranda, com fotografias com João Lourenço e outros líderes de países de África
TOMÁS SILVA/OBSERVADOR
Omar Bongo morreu em 2009, aos 73 anos, quando era o Presidente há mais tempo no poder em África — era chefe de Estado do Gabão desde 1967. De acordo com o The Guardian, o país não enfrentou nenhum conflito civil massivo durante este período, pelo que o líder ficou conhecido pelas habilidades “diplomáticas”. Para governar, o Presidente contava com o apoio militar francês, um mecanismo político de partido único e a própria fortuna, herança de um negócio petrolífero que triplicou de valor nos anos 1970, que usou também para oferecer cargos ou subornar políticos da oposição. Bongo também tinha boas relações com os homólogos em França e no mundo: Nicolas Sarkozy, o então Presidente francês, dedicou uma mensagem na altura da sua morte, destacando a “longa amizade” com o país e afirmando que Bongo “ganhou a estima e o respeito dos seus pares”, recorda a France 24. Já Barack Obama, que na altura era o Presidente dos EUA, assinalou a morte ao evidenciar Bongo como alguém que “consistentemente enfatizava a importância de buscar compromisso e esforço pela paz”. Entretanto, no fim da vida, Omar Bongo foi investigado pelas autoridades francesas por alegada corrupção, tendo nove contas bancárias congeladas meses antes da sua morte.
Pelo tempo em que esteve no poder, era considerado um dos Presidentes “dinossauros” do continente, ao lado de outros nomes que também governaram por décadas, em regimes homólogos a uma ditadura, e que Tony Miranda também terá vestido. Na mesma autobiografia o costureiro relata ter criado peças também para o Presidente do Congo, Denis Sassou Nguesso, que comanda o país desde 1997, tendo governado também de 1979 a 1992; o primeiro Presidente da Costa do Marfim, Félix Houphouet-Boigny, que assumiu o cargo em 1960 e permaneceu até a sua morte, em 1993; e o Presidente do Togo, Gnassingbé Eyadéma, no poder entre 1967 até a sua morte, em 2005 — uma relação que relata ter terminado depois de quase ter sido preso numa visita ao Togo, a mando do então ministro da Informação. Dos tempos de Ted Lapidus, Tony Miranda também tem histórias com a polícia em França. “Vesti dois mafiosos, sem saber que o eram“, escreve, afirmando serem clientes “como outros qualquer”. Os criminosos serão Marcel Gauthier, líder de um grupo da máfia francesa, o filho, André, e um criminoso que se associou ao grupo, Titi Peltier, famosos por assaltos a bancos e por controlar bordéis na periferia da cidade.
▲ Tony Miranda não desvenda quanto custa um fato de alta costura, mas revela que uma capa em caxemira preta pode ter "9 mil euros só em tecido"
TOMÁS SILVA/OBSERVADOR
Em Portugal, Tony Miranda diz que tem “muito poucos” clientes de alta costura. “Tenho o fato caro e o fato mais barato”, explica, para atender às demandas do público. Quanto custa o fato caro? O costureiro não revela, mas aponta para uma capa preta em caxemira no escritório. “Só no tecido tem 9 mil euros“. Afirma conhecer “pessoas riquíssimas, que nem sabem tudo aquilo que têm”, mas mesmo assim, mantém-se “o mesmo”. “Nunca me deslumbrei com pessoas muito ricas. Interessa-me sempre ter tudo aquilo que eu quero. Mas não tenho gostos exorbitantes.”