Consistente em África, inconsistente no Mundo. Esta é a melhor forma de explicar o que é a Tunísia aos dias de hoje, seleção que tem conquistado o seu espaço em Campeonatos do Mundo – esteve em cinco dos últimos sete –, mas que é, ao mesmo tempo, a única seleção africana com mais de cinco Mundiais que nunca conseguiu passar da fase de grupos. As águias de Cartago chegam ao Mundial depois de uma prestação negativa no Campeonato nas Nações Africanas no início do ano, o que levou a mudanças no seu comando técnico. Com a chegada de Sabri Lamouchi, um francês com raízes tunisinas que está a ter a primeira experiência na Tunísia, os africanos revolucionaram o seu balneário e abdicaram de vários jogadores que, até então, eram importantes, para surpresa dos adeptos. Por outro lado, apostou em jogadores que não tinham espaço, com vista a ter novas ideias e energia no seu grupo de trabalho.
Ao longo da fase de qualificação, a Tunísia deslumbrou pela regularidade e pelos resultados impressionantes, apurando-se logo na primeira fase da CAF com 28 pontos em 30 possíveis. Ao longo dos dez jogos, os tunisinos não sofreram qualquer golo, o que demonstra a organização e o pragmatismo da sua equipa. Ainda assim, quatro das suas vitórias foram alcançadas com golos nos últimos dez minutos e essencialmente de penálti, o que demonstra a falta de capacidade do seu ataque. As águias de Cartago têm uma equipa que raramente deslumbra, que é competitiva quando não tem bola, mas que não deverá ser capaz de ultrapassar a fase de grupos, perfilando-se como a pior do seu grupo.
Um dos pontos a retirar da passagem da Tunísia pela América do Norte diz respeito aos seus adeptos, que são conhecidos pela paixão contagiante e que estiveram em destaque há um ano, quando o Espérance de Tunis esteve no Campeonato do Mundo de Clubes. Segundo o jornalista Ali Howorth, especialista em futebol africano, “10.000 tunisinos criaram melhor ambiente do que todos os adeptos dos Philadelphia Eagles [da NFL] alguma vez conseguiram criar no Lincoln Financial Field”. O mesmo deverá acontecer neste Mundial, com os dois primeiros jogos da Tunísia a acontecer no México. Contudo, o terceiro duelo já será nos EUA, o que pode fazer com que a mobilização seja menor, dado que a Tunísia é um dos países cujos cidadãos têm de pagar uma caução de 15 mil dólares (cerca de 13 mil euros) para conseguirem o visto de entrada no país.
▲ Presente pela terceira vez consecutiva no Mundial, a Tunísia vai defrontar Suécia, Japão e Países Baixos
DeFodi Images via Getty Images
BI
- Ranking FIFA atual: 44.º (a 1 de abril de 2026)
- Melhor ranking FIFA: 14.º (abril a maio de 2018)
- Patrocinador: Kappa (desde 2019)
- Alcunha: Águias de Cartago
- Presenças em fases finais: 6
- Última participação: 2022 (fase de grupos, 4 pontos com França, Austrália e Dinamarca)
- Melhor resultado: fase de grupos em 1978 (3 pontos com Polónia, Alemanha e México), 1998 (1 ponto com Roménia, Inglaterra e Colômbia), 2002 (1 ponto com Japão, Bélgica e Rússia), 2006 (1 ponto com Espanha, Ucrânia e Arábia Saudita), 2018 (3 pontos com Bélgica, Inglaterra e Panamá) e 2022 (4 pontos com França, Austrália e Dinamarca)
- Qualificação: 1.º lugar no grupo H da CAF (28 pontos com Namíbia, Libéria, Malawi, Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe)
- O que seria um bom resultado? Ultrapassar a fase de grupos
Jogos desde junho de 2025
- Jogo particular, 6/6: Bélgica (fora)
- Jogo particular, 1/6: Áustria (fora), 0-1 (D)
- Jogo particular, 31/3: Canadá (fora), 0-0 (E)
- Jogo particular, 28/3: Haiti (neutro), 1-0 (V)
- Taça das Nações Africanas, 3/1: Mali (neutro), 1-1 e 1-3 g.p. (E)
- Taça das Nações Africanas, 30/12: Tanzânia (neutro), 1-1 (E)
- Taça das Nações Africanas, 27/12: Nigéria (neutro), 2-3 (D)
- Taça das Nações Africanas, 23/12: Uganda (neutro), 3-1 (V)
- Jogo particular, 18/12: Botswana (casa), 2-1 (V)
- Taça Árabe, 7/12: Qatar (fora), 3-0 (V)
- Taça Árabe, 4/12: Palestina (neutro), 2-2 (E)
- Taça Árabe, 1/12: Síria (neutro), 0-1 (D)
- Jogo particular, 18/11: Brasil (neutro), 1-1 (E)
- Jogo particular, 14/11: Jordânia (casa), 3-2 (V)
- Jogo particular, 12/11: Mauritânia (casa), 1-1 (E)
- Qualificação CAF, 13/10: Namíbia (casa), 3-0 (V)
- Qualificação CAF, 10/10: São Tomé e Príncipe (casa), 6-0 (V)
- Qualificação CAF, 8/9: Guiné Equatorial (fora), 1-0 (V)
- Qualificação CAF, 4/9: Libéria (casa), 3-0 (V)
- Jogo particular, 6/6: Marrocos (fora), 0-2 (D)
- Jogo particular, 2/6: Burkina Faso (casa), 2-0 (V)
O onze
- 4x2x3x1: Aymen Dahmen; Yan Valery, Montassar Talbi, Dylan Bronn, Ali Abdi; Ellyes Skhiri, Rani Khedira; Elias Achouri, Hannibal Mejbri, Sebastian Tounekti e Hazem Mastouri
O treinador
- Sabri Lamouchi (francês, 54 anos, desde janeiro de 2026)
- Outros clubes: Costa do Marfim, El Jaish SC, Rennes, Nottingham Forest, Al Duhail, Cardiff, Al Riyadh e Al Diriyah
- Títulos: —
▲ Sabri Lamouchi assumiu o comando técnico da Tunísia no início do ano, depois da CAN
AFP via Getty Images
O craque
- Elias Achouri (27 anos, avançado dos dinamarqueses do Copenhaga)
- Outros clubes: Saint-Étienne (formação), V. Guimarães, Trofense e Estoril
A revelação
- Ismaël Gharbi (22 anos, avançado dos alemães do Augsburgo)
- Outros clubes: PSG, Stade-Lausanne e Sp. Braga
O mais internacional e o maior goleador
- Radhi Jaïdi (105 internacionalizações) e Issam Jemâa (36 golos)
▲ Apesar de estar na Bundesliga por empréstimo, Gharbi pertence aos quadros do Sp. Braga
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Os 26 convocados
- Guarda-redes (3): Aymen Dahmen (CS Sfaxien, Tunísia), Sabri Ben Hessen (Étoile du Sahel, Tunísia) e Mouhib Chamakh (Club Africain, Tunísia)
- Defesas (9): Montassar Talbi (Lorient, França), Dylan Bronn (Servette, Suíça), Ali Abdi (Nice, França), Yan Valery (Young Boys, Suíça), Mohamed Ben Hamida (Espérance de Tunis, Tunísia), Moutaz Neffati (IFK Norrköping, Suécia), Omar Rekik (Maribor, Eslovénia), Adem Arous (Kasimpasa, Turquia) e Raed Chikhaoui (US Monastir, Tunísia)
- Médios (6): Ellyes Skhiri (Eintracht Frankfurt, Alemanha), Hannibal Mejbri (Burnley, Inglaterra), Anis Ben Slimane (Norwich, Inglaterra), Mortadha Ben Ouanes (Kasimpasa, Turquia), Hadj Mahmoud (Lugano, Suíça) e Rani Khedira (Union Berlim, Alemanha)
- Avançados (8): Elias Achouri (Copenhaga, Dinamarca), Firas Chaouat (Club Africain, Tunísia), Hazem Mastouri (Dínamo Makhachkala, Rússia), Elias Saad (Hannover, Alemanha), Sebastian Tounekti (Celtic, Escócia), Khalil Ayari (PSG, França), Ismaël Gharbi (Augsburgo, Alemanha) e Rayan Elloumi (Vancouver Whitecaps, Canadá)
O local do estágio
- InterContinental Presidente Monterrey, em San Pedro Garza García (treinos: Rayados Training Center, em Santiago)
A antevisão
A ligação a Portugal
- Ismaël Gharbi é o expoente máximo atual da ligação dos tunisinos ao futebol português. Em 2024, o extremo deixou o PSG em fim de contrato e assinou com o Sp. Braga, equipa pela qual fez quatro golos e quatro assistências em 35 jogos na época passada. Este ano, Gharbi ainda foi utilizado por Carlos Vicens em três partidas, mas acabou por ser emprestado ao Augsburgo no final de agosto, a troco de 250 mil euros. É uma das caras da renovação tunisina, que podia igualmente contar com Youssef Chermiti, que é filho de um tunisino, não fosse o avançado ter escolhido representar Portugal. Em termos históricos, a Seleção Nacional nunca venceu a Tunísia, tendo empatado os dois jogos realizados. O último aconteceu em Braga, em 2018, na antecâmara do Mundial da Rússia.