No início do mês, surgiram várias publicações na rede social Facebook com uma lista de várias indicações que todas as paróquias e dioceses da Igreja Católica deviam seguir. As publicações elencavam inúmeras novas regras sobre o momento do matrimónio que teriam sido criadas recentemente e teriam de ser aplicadas em todo o mundo, na tentativa de “preservar o sentido litúrgico do sacramento e evitar excessos”.
Em algumas publicações, por exemplo, lia-se que “no momento do ‘sim'” não pode haver “brincadeiras, hesitações ou respostas fora do protocolo”, porque o sacramento pode ser invalidado. Quanto aos horários, por exemplo, lia-se que “não haverá mais tolerância para atrasos” e a “sequência oficial” de entrada na igreja tem de ser “respeitada — noivo, padrinhos, noiva e, por fim, as crianças”. Mas esta alegada lista de novas regras será verdade?
Além do limite máximo de padrinhos, nas alegadas novas regras constam também indicações sobre a decoração (apenas quatro arranjos); a proibição de passadeiras de madeira e espelhos; a obrigatoriedade de só ser tocada música sacra e a proibição de carrinhos de bebé e disfarces.
Nas publicações deixam claro que todas as paróquias têm de adotar estas mudanças — e é precisamente esse o primeiro argumento para justificar o porquê de estas informações serem falsas: caso esta fosse uma alteração a aplicar em todas as igrejas, seria uma mudança radical numa instituição com uma tradição milenar, o que implicaria uma logística bastante complexa.
Além disso, uma decisão desta dimensão iria obrigar à divulgação da decisão por parte do Vaticano. Porém, nem no site da Santa Sé nem no Vatican News consta qualquer indicação, notícia, comunicado ou carta do Papa a anunciar tal alteração. Também não foi escrita uma única notícia sobre esta mudança.
O Observador contactou ainda o Patriarcado de Lisboa para saber se tinha sido emitida qualquer indicação por parte do Vaticano acerca do tema. Numa resposta por email, o Patriarcado esclareceu que “não houve qualquer alteração” por parte do Vaticano às orientações para a celebração de matrimónios, pelo que as dioceses não terão recebido indicações sobre novas regras a aplicar.
“Em relação ao que está previsto no Direito Canónico e no ritual da liturgia do Sacramento [a publicação] não contém qualquer novidade”, acrescenta o Patriarcado. Isto porque as indicações que surgem são apenas sobre a forma como se processa o momento da cerimónia. E essas indicações “não dizem respeito ao ritual” em si, sendo “apenas da responsabilidade dos párocos”.
Conclusão
A informação de que a Igreja Católica alterou as regras do casamento é falsa. Essa seria uma alteração radical às diretrizes da Igreja — e levaria a que a mudança fosse noticiada (algo que não aconteceu). Além disto, de acordo com o Patriarcado de Lisboa, não houve qualquer comunicado ou indicação divulgada pela Santa Sé. E também não foi divulgado nada nos meios de comunicação oficiais do Vaticano.
O Patriarcado de Lisboa diz que a lista de regras não menciona qualquer alteração ao “Direito Canónico” e ao “ritual da liturgia do Sacramento” do matrimónio, sendo que as indicações que surgem escritas dizem apenas respeito a questões que são da competência dos párocos — e não dadas pela Igreja Católica.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.