“Não concordo com André Ventura em muitos aspectos concretos. Discordo de algumas propostas, de alguns enquadramentos e de algumas partes da sua visão do estado. Mas, olhando para esta corrida presidencial, há algo que não consigo ignorar: André Ventura é a pessoa mais verdadeira que está a concorrer. E isso, hoje, é muito raro.” O texto, que tem sido partilhado nas redes sociais na última semana, é falsamente atribuído ao escritor e cronista Miguel Esteves Cardoso.
Plasmado em diversas publicações sobretudo no Facebook, o texto é um longo elogio à candidatura presidencial do líder do Chega, André Ventura. Aliás, o texto é replicado em várias páginas e grupos de apoio ao candidato às eleições presidenciais.
“Ventura não é um homem artificialmente polido, nem confortável, nem feito para tranquilizar consciências. Mostra aquilo que é. Não esconde pulsões, não disfarça indignações, não finge uma elevação moral para caber no molde institucional. É precisamente por isso que o pântano político e mediático português se sente tão profundamente incomodado com ele”, continua o mesmo texto, que destaca como “Ventura introduz no espaço público aquilo que foi expulso durante décadas: conflito real, fricção social, perguntas insolentes, temas proibidos”.
No entanto, tudo não passa de desinformação. Não há qualquer registo público de que Miguel Esteves Cardoso alguma vez tenha expressado apoio à candidatura presidencial de André Ventura.
Ainda assim, em declarações ao jornal Público, onde o escritor é cronista, Miguel Esteves Cardoso esclarece que “jamais poderia ter escrito” algo semelhante. “Claro que não fui eu que escrevi”, disse sobre o texto, citado pelo jornal.
Por fim, não só o texto é falso, como Miguel Esteves Cardoso afirma o oposto numa crónica datada de 13 de janeiro, cinco dias antes das eleições presidenciais, em que diz: “É preciso reconhecer o que é mais do que óbvio: à excepção de Ventura, todos os candidatos são bons”.
Conclusão
O texto que circula nas redes sociais de apoio a André Ventura cuja autoria é atribuída ao escritor Miguel Esteves Cardoso é falso, como confirmou o próprio ao jornal Público. Além disso, o escritor manifestou o oposto numa crónica publicada naquele jornal — essa sim, verdadeira.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.