Um vídeo a circular nas redes sociais mostra uma torre de madeira, numa praia, a ceder à força das ondas do mar. Em várias publicações no Facebook, utilizadores alegam que se trata de uma torre de vigia instalada na praia de Carcavelos, em fevereiro de 2025.
Num post, de 20 de março, informa-se ainda que a torre “foi levada pelo mar” e que, portanto, apenas “durou um mês no areal”. Sobre o acontecimento há ainda um pormenor que não é esquecido: alega-se que a estrutura “foi orçamentada em 350 mil euros, como parte do Orçamento Participativo de 2021″, em Cascais.
Será tudo isto verdade? No site da Câmara Municipal de Cascais, é possível consultar o projeto do Orçamento Participativo de 2021, intitulado “De olho no mar — torres de vigia nas praias do concelho”. O projeto, na sua totalidade, estava orçamentado nos tais 350 mil euros mencionados, mas este valor não se refere apenas a uma torre.
Portanto, é desde logo falso que a torre que se vê a ceder à força do mar no vídeo tenha custado mais de 300 mil euros sozinha. Na ficha de análise técnica da proposta, está incluído o planeamento de instalação de um total de oito torres, cinco delas em Carcavelos, duas no Guincho e uma na Cresmina.
Através da sua página de Facebook, o Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras, confirmou a queda e arrastamento da torre devido a uma “descarga do pluvial, conjugada com as condições do mar“, em março. Informou que a autarquia “tudo fez para tentar evitar esta situação, tendo de imediato contactado a Cascais Ambiente, Proteção Civil e Capitania do Porto que fizeram todos os esforços para a torre não ser arrastada”.
Assegurou ainda que das quatro torres que nessa altura tinham sido instaladas naquela praia, apenas aquela que é visível no vídeo sofreu danos. Sobre o valor do projeto, fez questão de esclarecer que o posto destruído “é uma torre secundária que tem um valor de 7.976 €“, anexando a nota da encomenda da estrutura no post.
“Refutamos por completo quer os vídeos nas redes sociais relativos ao valor da torre (300.000€), quer quanto ao número de torres afetadas”, afirmou ainda Carlos Carreiras, que referiu diretamente que um dos principais disseminadores da mensagem falsa seria um “deputado do partido Chega”.
Trata-se de António Pinto Pereira, que era na antiga legislatura deputado à Assembleia da República do partido liderado por André Ventura. Não consta, no entanto, na lista de candidatos às legislativas que se realizaram a 18 de maio.
É atualmente candidato independente à presidência da Câmara de Cascais, depois de o partido que representava no Parlamento não o ter escolhido para liderar a candidatura autárquica que ambicionava.
Como se atiram ao mar mais de cem mil euros (dos contribuintes) com projetos irresponsáveis e pouco sérios!
Este foi o rápido destino do “Posto de Vigia n.º 1”, na Praia de Carcavelos, inaugurado com grande pompa pelo Presidente da Câmara de Cascais há exatamente 12 dias! pic.twitter.com/jw7u1Ogybz
— António Pinto Pereira (@a_pinto_pereira) March 20, 2025
É também falsa a informação de que, no momento em que a força do mar destruiu um dos postos de vigia, o equipamento já tivesse sido inaugurado oficialmente pelo Município de Cascais. A inauguração daqueles equipamentos aconteceu no dia 1 de maio.
As novas estruturas nas praias do concelho servem para ajudar na missão de vigilância dos nadadores-salvadores, que conseguem assim ter mais visibilidade de um ponto mais alto. As torres de vigia, construídas em madeira, constituem ainda um espaço de abrigo e apoio para estes profissionais.
Conclusão
Em suma, é falso que a torre de vigia que cedeu à força do mar na Praia de Carcavelos tenha representado uma despesa de 350 mil euros à Câmara Municipal de Cascais e aos respetivos contribuintes. O desmentido foi apresentado pelo próprio autarca da cidade, Carlos Carreira, que veio especificar que a torre secundária destruída representou um prejuízo de cerca de 8 mil euros.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ENGANADOR
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.