António Pinto Pereira, atual deputado do Chega e ex-PSD, anunciou que vai ser candidato à Câmara Municipal de Cascais, “com apoio do Chega ou como candidato independente numa candidatura apartidária”. Além disso, deu também conta de que o cenário de 2024, em que foi cabeça de lista por Coimbra, não se repetirá.

O Observador sabe que o Chega não equacionou o nome de António Pinto Pereira como candidato autárquico do partido para Cascais. Apesar de ainda não ter sido apresentado oficialmente o candidato, a verdade é que o deputado ex-PSD não está na calha para ocupar esse lugar e, ainda que diga que “nada está decidido ao nível do partido”, só uma cambalhota poderia mudar as intenções para aquele concelho.

Num vídeo partilhado nas redes sociais, Pinto Pereira começou por explicar que “a vida é feita de desafios” e que, neste momento, entende que deve “abraçar” aquela que considera poder ser “uma das maiores batalhas” da sua vida profissional, em Cascais, o concelho onde vive.

“Cascais tem tudo por fazer, vivo lá, aquilo está numa situação que eu não quero qualificar neste momento, não o devo fazer nesta instância, mas vou dar tudo o que tenho para ganhar essas eleições com o apoio do Chega ou como candidato independente numa candidatura apartidária“, disse, com todas as letras, no mesmo vídeo em que jurou a pés juntos que é “profundamente leal” a André Ventura e ao Chega.

Quanto a Coimbra, onde foi cabeça de lista pelo Chega nas últimas eleições antecipadas, realçou que deu o seu “melhor” ao servir os interesses do país, do distrito, do partido e de Ventura. “Ninguém pode ter nada a dizer sobre aquilo que eu fiz como deputado à Assembleia da República”, considera o deputado de si próprio. Porém, independentemente do trabalho que fez, anunciou que tinha comunicado ao líder do partido a “indisponibilidade” de voltar a ser candidato por Coimbra.

A comunicação, em plenas redes sociais, gerou desconforto em várias pessoas do partido e houve até reações públicas, nomeadamente a de João Rodrigues dos Santos, vereador do Chega em Cascais, que partilhou um excerto da declaração de António Pinto Pereira e concluiu que o deputado do Chega “anunciou a sua candidatura à Câmara Municipal de Cascais, seja com apoio do partido Chega, seja como independente”. “No fundo, o que quer dizer é que pode mesmo concorrer contra o partido Chega“, rematou.

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António Pinto Pereira voltou às redes sociais para uma resposta em que disse ser um “completo absurdo” o que o vereador do Chega referiu, reiterando ser “absolutamente leal a André Ventura e ao Chega” e argumentando que “a guerra não é contra o Chega nem contra o vereador do Chega na Câmara Municipal de Cascais, é contra o sistema instituído em Cascais”.

“É completamente absurdo caminhar contra o meu partido, com quem me identifico”, reforçou, acrescentando que o vereador do Chega havia sido “espezinhado” e “trucidado” pelo presidente da autarquia de Cascais, Carlos Carreiras, e que não tinha feito “qualquer gesto de indignação”. “Com todas as minhas forças prometo que vou ganhar esta guerra, nem que seja a última da minha vida”, apontou ainda — voltando a fazer referência a uma candidatura.

Tal como João Rodrigues dos Santos afirmou, de facto, Pinto Pereira falou numa possível “candidatura apartidária”, contudo, em declarações ao Observador, garante que a expressão não significa “nada de preocupante” e assegura que “não há nenhuma contradição“. Mais do que isso, atira: “Nunca levantarei uma mão contra o meu partido. Ponto. Não é o meu partido que tem de perder o poder em Cascais! É o PSD. Ponto.”

António Pinto Pereira diz ainda que “nada está decidido ao nível do partido“, apenas a sua “determinação em acabar com um longo reinado de mais de quarenta anos que só tem estragado Cascais”. “O resto são distrações de percurso com que não perco tempo”, acrescenta.

Uma coisa é certa: tenha ou não sido uma precipitação, Pinto Pereira disse que seria candidato a Cascais, com ou sem o Chega. E, sabe o Observador, a atitude não agradou a várias pessoas do partido, que estranharam a necessidade de um posicionamento público quando o nome do candidato ainda nem sequer foi oficializado. Resta saber se após esse momento, o deputado do Chega avança ou não com a candidatura em nome individual.