São várias as publicações e vídeos gravados em diferentes ângulos partilhados nas redes sociais a mostrar uma multidão de pessoas a gritar insultos e palavrões direcionados a Jair Bolsonaro durante um concerto no Rock in Rio. O público apenas encerra o coro contra o agora ex-presidente quando o guitarrista no palco começa a tocar o jingle da campanha política de Lula da Silva.

No palco sunset, o segundo principal do festival de música brasileiro, estavam a apresentar-se os Gilsons, grupo formado pelo filho e netos do cantor Gilberto Gil, que foi também ministro da Cultura entre os anos de 2003 e 2008 — durante o primeiro e em parte do segundo mandato do Presidente Lula da Silva.

Mesmo que a câmara que realizava a transmissão do concerto tenha sido afastada do local onde a principal parte da manifestação ocorria, foi possível ouvir os gritos entoados pela maioria das pessoas presentes no concerto. Um dos integrantes dos Gilsons, Francisco Gil, chega a levar a mão até aos ouvidos, num sinal de que não estava a ouvir e numa possível tentativa de fazer com que o público gritasse ainda mais alto.

Reprodução/Facebook

O músico começou a tocar na sua guitarra o ritmo do jingle musical da campanha política de Lula da Silva, sendo os insultos a Bolsonaro em seguida substituídos por um coro de “olê, olê, olê, olá. Lula, Lula”. Neste momento, o palco foi iluminado por luzes vermelhas, cor que simboliza o Partido dos Trabalhadores (PT), do qual Lula da Silva faz parte.

O episódio de facto ocorreu, mas não na edição deste ano do Rock in Rio, que teve também os Gilsons na programação mais uma vez no palco sunset. A manifestação publicada nas redes sociais ocorreu no dia 10 de setembro de 2022 na 9.ª edição do festival, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o jornal Folha de S.Paulo noticiou o que ocorreu naquele dia de apresentações marcado por interações do público com cunho político.

O Brasil estava a menos de um mês das eleições que tiveram Lula da Silva e Jair Bolsonaro entre os mais votados na primeira volta. Na segunda, venceu Lula da Silva, com 50,83% dos votos. Críticas e elogios a políticos já eram comuns neste e noutros festivais, mas foi aquela a primeira edição do Rock in Rio no Brasil que coincidiu ser realizada num ano eleitoral.

Realizado também em Lisboa em 2022, no mês de junho, o Rock in Rio em solo português teve também manifestações contra Bolsonaro, então Presidente e candidato à reeleição, ainda segundo a Folha de S.Paulo. A prever que o mesmo pudesse ocorrer no Brasil, o festival divulgou aos meios de comunicação social uma nota no dia 26 de agosto daquele ano: “Pela primeira vez, nos seus 37 anos, o Rock in Rio decorre em período eleitoral, e está por isto sujeito às leis específicas vigentes neste período. Em função disto, a organização decidiu que não será autorizada a presença de nenhum candidato a estas eleições nos seus palcos. E, recomenda que, todas as empresas, instituições e artistas envolvidos com o evento tenham conhecimento da lei eleitoral”.

Conclusão

São enganadoras as publicações que referem que o vídeo em que uma multidão mostra apoio a Lula da Silva tenha ocorrido durante a edição do Rock in Rio 2026 no Brasil. Tal manifestação ocorreu, mas na edição de 2022, a pouco menos de um mês das eleições que poderiam reeleger Jair Bolsonaro ou levar Lula da Silva à presidência caso o seu oponente fosse derrotado.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ENGANADOR

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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