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Fact Check

Vasco de Mello investe 450 milhões em bitcoins?

Uma página com o logotipo do jornal inglês Mirror apresenta um artigo onde refere que o empresário Vasco de Mello investiu 450 milhões de euros num programa de bitcoins. A informação é falsa.

A frase

“Vasco de Mello investe 450 milhões de euros para mudar a economia portuguesa.”

— Site Hunterloo e Wemadnews, 28 de agosto de 2019


As páginas Wemadnews e Hunterloo apresentam o logótipo do tabloide britânico Mirror, mas o artigo em causa está escrito em português e a página nada tem a ver com o site noticioso. Tem o título “Bilionário volta a Portugal com o seu mais recente projeto“, é acompanhado por uma fotografia principal com a cara de Vasco de Mello e apresenta a data de publicação do dia em que o artigo é consultado. A história contada ao longo do texto é falsa.

Na entrada do artigo é possível ler-se que Vasco de Mello, presidente do grupo José de Mello, “investe 450 milhões de euros para mudar a economia portuguesa”, dinheiro esse atribuído a um projeto chamado “Bitcoin Wealth” que pretende “dar a oportunidade a gente comum de fazer dinheiro com Bitcoin, mesmo que não tenham qualquer experiência em investimentos ou tecnologia”. Estas informações falsas sobre Vasco de Mello começaram a ser partilhadas na segunda metade do mês de agosto e o último deles, do site Hunterloo, foi partilhado a 28 de agosto. O layout é sempre o mesmo, tal como o texto.

“Bitcoin Wealth é um algoritmo criado para tirar dinheiro dos mais ricos do mundo e redistribuir o mesmo dinheiro pela classe trabalhadora portuguesa”, lê-se no artigo que leva na assinatura o nome Rui Pinto.

Para sustentar o alegado programa de bitcoins — que aparenta ser um esquema fraudulento –, no artigo lê-se que Vasco de Mello esteve no programa “Você na TV!” para demonstrar como este funciona e que o apresentador Manuel Luís Goucha o experimentou em direto. A descrição é acompanhada de imagens antigas dos apresentadores Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira, esta última a trabalhar na SIC, estação concorrente da TVI, desde o final de 2018. A imagem de Vasco de Mello surge lado a lado com as dos dois apresentadores e foi tirada em novembro de 2017 no stand da publicação Dinheiro Vivo no decorrer da Web Summit daquele ano.

O artigo referente a Vasco de Mello atribui citações falsas a Manuel Luís Goucha e a Cristina Ferreira, e tenta aliciar o leitor a experimentar o programa “Bitcoin Wealth”, explicando os passos de como o fazer e recorrendo a printscreens — um deles é referente à página Finantials Trading Online, que não opera em Portugal.

A assessoria de imprensa de Vasco de Mello na Brisa confirmou ao Observador que são falsas todas as histórias que circulam de que investiu em bitcoins. Não revelou, porém, se irá apresentar queixa como aconteceu com Alexandre Soares dos Santos. Num texto muito parecido a estes artigos sobre Vasco de Mello, também Alexandre Soares dos Santos, semanas antes da sua morte, tinha sido vítima de um esquema igual, que acabou por ser reportado à Polícia Judiciária.

Conclusão

Vasco de Mello nunca investiu 450 milhões de euros em bitcoins, ao contrário do que o artigo sugere, nem tão pouco participou no programa “Você na TV!”. O nome do empresário português está a ser usado num esquema semelhante ao que atingiu Soares dos Santos, quando a página sundaynewsfeed, utilizando o logotipo da estação de televisão norte-americana CNN, escreveu que este tinha feito um investimento de 100 milhões na sua última empresa, de nome Bitcoin Revolution.

No sistema de classificação do Observador este conteúdo é:

Errado

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são fatualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de factchecking com o Facebook e com base na proliferação de partilhas — associadas a reportes de abusos de vários utilizadores — nos últimos dias.

O Observador é signatário e entidade verificada pelo International Fact-Checking Network (IFCN)
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