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São 377 equipamentos mecânicos que o Metropolitano de Lisboa tem de gerir: 234 escadas rolantes, 10 tapetes e 133 elevadores distribuídos por 46 estações para um uso intensivo estimado de 18 horas por dia. Um sistema complexo com várias marcas implementadas e em diferentes ciclos de vida. O resultado? Uma quantidade grande de avarias, que a empresa de Lisboa está a tentar endereçar com mudanças quer na monitorização quer nos contratos de manutenção, tendo lançado um projeto piloto nas estações de Baixa-Chiado e do Aeroporto, que têm grande procura e são importantes a nível reputacional. |
A taxa de indisponibilidade atingiu nos elevadores um máximo de quase 30% em fevereiro deste ano e nas escadas rolantes um recorde de 17% nesse mesmo mês. Desde então os índices de mobilização têm estado a baixar e no final de maio já era, respetivamente, de 18,2% e 8,7%. O interativo publicado pelo Observador mostra por outro lado que há escadas paradas há mais de um ano. E há ainda o caso de uma escada no Cais do Sodré parada desde 2019 porque Metro e Infraestruturas de Portugal não se entendem quanto à entidade responsável… |
Este nível de avarias levou a atual gestão da Metro de Lisboa, liderada por Cristina Vaz Tomé, a pôr fim ao contrato de longa duração para a manutenção dos equipamentos feito, no final de 2020, com um só fornecedor, a alemã Schmitt, e sem penalizações pelos níveis de disponibilidade. Agora testa um novo modelo que divide a tarefa por vários fornecedores. |
Um golpe no mercado da dívida soberana… com EUA à cabeça |
A dívida pública dos Estados Unidos da América atingiu os 40 biliões de dólares (isso mesmo, biliões, 12 zeros). E os juros da dívida não param de subir. Estão ao nível de 2007, na antecâmara da crise financeira que rebentou no ano seguinte. Receios em relação às contas públicas, medo de uma inflação persistente associada aos preços elevados na energia (por causa da guerra no Irão) e a concorrência dos investimentos em Inteligência Artificial (que desviam capitais que poderiam ser aplicados em dívida pública) são algumas das razões apontadas para nas últimas semanas ter havido esse aumento das taxas de juro das dívidas soberanas e não apenas a dos EUA. Mas do outro lado do Atlântico essa situação levou a uma intervenção por parte do Tesouro norte-americano, que recomprou obrigações públicas — que estavam a ser despejadas no mercado (com menor juro permitem menor rentabilidade) — para conter escalada dos juros que acompanha a desvalorização dos títulos. |
O movimento de Scott Bessent para controlar os juros da dívida soberana pode revelar uma rota de colisão com o presidente da Fed, Kevin Warsh, pressionado por Trump a baixar as taxas, mas numa altura em que controlar a inflação implica, pelo contrário, subi-las. Segundo o Financial Times, Warsh e Bessent encontram-se regularmente e manterão relações cordiais, mas agora poderão ter o seu momento de colisão. Ambos são protegidos do gestor de fundos Stanley Druckenmiller, com quem trabalharam em locais distintos, e que agora foi dos principais críticos à estratégia de Bessent — apelidou como “um erro”, num artigo no Wall Street Journal (que mais tarde admitiu ter sido redigido com ajuda da inteligência artificial), a estratégia de compra de 4 mil milhões de dólares em obrigações. |
Dois vizinhos de costas voltadas. Como Carney se está a tornar o principal opositor de Trump |
Mark Carney é o primeiro-ministro do Canadá desde 14 de março de 2025 e é, hoje, dos principais rostos à oposição mundial de Donald Trump. Tornou-se viral o seu discurso em Davos contra as grandes potências que atuam por coerção económica. Destinatário? Donald Trump, a quem já tinha levantado a voz quando o Presidente dos EUA falou do Canadá como o potencial 51.º estado. “O Canadá não está à venda”, contestou em plena Casa Branca. Agora, Carney volta a levantar a voz contra os EUA, deixando a mesa de negociações em torno do acordo comercial. |
Os EUA vão, assim, aplicar uma tarifa alfandegária de 50% a produtos canadianos avaliados em 20 mil milhões de dólares. O Canadá não se deixou intimidar. “Dólar por dólar” prometeu retaliar e já avançou no anúncio de taxas alfandegárias para os produtos dos EUA, a implementar a partir de 8 de setembro. E entretanto Mark Carney foi convidado para assistir ao discurso do Estado da Nação, por Ursula von der Leyen, no Parlamento Europeu a 16 de setembro. |

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A EMPRESA |
O acidente do Elevador da Glória foi há quase um ano. A 3 de setembro de 2025 o elevador descarrilou, matando 16 pessoas e ferindo mais 20. Há ainda poucas indemnizações pagas, segundo noticiou a Lusa. E ainda faltam as conclusões do que aconteceu em termos técnicos e as investigações do Ministério Público. |
Na sexta-feira, o GPIAFF (Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Ferroviários) indicou que o seu relatório final não vai ficar concluído na próxima semana, apontando agora para o primeiro trimestre de 2027. É que houve que compatibilizar as suas averiguações com as investigações do Ministério Público e houve, também, a necessidade de contratar peritos especializados. Fica, no entanto, a garantia, nessa nota informativa, que a Carris tem vindo a implementar as recomendações que o GPIAFF tinha feito no relatório preliminar. |
Obrigada por subscrever a newsletter de Economia do Observador, na semana em que morreu Dolly Parton, rainha do country e que deu voz à música “9 to 5” (composta para o filme com o mesmo nome e que fala do mercado de trabalho para as mulheres, clamando igualdade — “Existe uma vida melhor, e você sonha com ela, não sonha?”). |
Regressamos na próxima quarta-feira à sua caixa de correio eletrónico. Até lá continue a seguir-nos no site e na rádio. Envie-nos dúvidas e sugestões. |