A estratégia “Água que Une” é uma resposta do Governo para a gestão eficiente deste recurso natural. Luís Montenegro pretende deixar a sua marca nesta área. Com as alterações climáticas haverá falta de água em Portugal Continental.
O consumo total médio é de 5 081 hm3/ano, o consumo agrícola médio é de 3 557 hm3/ano (a agricultura representa 70% do consumo), que representa 11,5% da precipitação (30 800 hm3/ano).
O consumo agrícola pode duplicar por aumento da evaporação e pela subida de temperatura na Primavera/Verão, assim como, pela redução acima de 50% de precipitação face aos quantitativos atuais e incremento da superfície do regadio.
Mesmo sem água de Espanha, haveria uma taxa de cobertura superior a 50% das necessidades do consumo total de água, o que acautelaria as necessidades ambientais e um quantitativo suficiente para suprir os caudais ecológicos dos cursos de água.
Não havendo problemas quanto à quantidade de precipitação, há falta de água porque a precipitação está mal distribuída no tempo e no espaço. Chove de forma cada vez mais concentrada em regime torrencial, sobretudo no Outono/Inverno, embora ocasionalmente estes fenómenos atmosféricos de forte precipitação possam ocorrer em qualquer altura do ano.
Chove mais a Norte que a Sul. É imprescindível fazer a autoestrada da água potável através da ligação em alta dos diversos sistemas de abastecimento e reter a água em charcas e barragens e usar a moderna tecnologia existente a nível mundial para recarregar os aquíferos subterrâneos.
Há que ter em conta que a água residual urbana pode ser utilizada de forma generalizada para consumo industrial e agrícola. Por outro lado, nunca faltará água para dessalinizar. Esta tecnologia está cada vez mais disponível a baixo custo, assim como a água produzida, que utiliza energia elétrica barata proveniente de fontes renováveis, eólica e fotovoltaica.
A estratégia “Água que Une” foi formalizada através do Despacho n.º 7821/2024, com a missão de desenvolver um plano estratégico que contemple soluções para os desafios crescentes da disponibilidade e qualidade da água, assim como identificação das fontes de financiamento.
Esta estratégia envolve Carmona Rodrigues, Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal (AdP), José Pimenta Machado, Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Rogério Lima Ferreira, Diretor-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) e José Pedro Salema, Presidente do Conselho de Administração da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA).
A estratégia tem como objetivos fundamentais, a gestão equitativa e eficiente dos recursos hídricos, a eficiência e uso sustentável, a redução de perdas, a reutilização de águas residuais, a otimização das infraestruturas existentes, o aumento da capacidade de armazenamento e a interligação entre bacias hidrográficas.
Esta estratégia de gestão da água prevê desenvolver planos operacionais futuros: Plano Nacional da Água (PNA 2035) e o Plano Rega para o setor agrícola. Além de um pacote de financiamento do PT2030, Fundo Ambiental/Orçamento Anual do Estado e do Banco Europeu de Investimento (BEI).
Estou convicto que a estratégia “Água que Une” será essencial para implementar medidas de combate à seca nas regiões de sequeiro, disponibilizar água e dobrar a superfície agrícola irrigável, tendo como objetivo até 2030, eliminar o défice estrutural da balança alimentar do país (superior a -5 000M€).