Sou do CDS. Fui assessor do Vice-Presidente da CML durante quatro anos. Este é o meu disclaimer. O meu Vice-Presidente não vai continuar. Logo, não continuo. Não tenho interesses materiais. Tenho 62 anos e estou-me nas tintas para agradar a este ou a aquele.

Quando me coloquei “a jeito” para fazer parte do Gabinete de Filipe Anacoreta Correia, fi-lo por vontade genuína de experienciar o que é o trabalho em prol dos outros. Não queria ser um eterno crítico.

Do que constatei, passou-se o mesmo nos gabinetes da restante vereação: Gente com vontade de trabalhar, muitos independentes, sem experiência em organismos públicos ligados ao poder.

Porque é que tal, aconteceu? Porque acreditámos que, com Moedas, ia ser diferente. E foi.

Como é óbvio: Custou, teve custos políticos. O custo da aprendizagem. Num Gabinete quem entra de novo, precisa de tempo para aprender e apreender. É da vida.

O PS gosta sempre dos “profissionais”, ou seja, de quem anda há anos de gabinete em gabinete. É uma escolha. São acomodados que não questionam nada nem ninguém, pois a sua vida depende de manter o lugar. Aceitam, sem discutir, a “realidade”.

A minha postura foi a de questionar tudo e todos. Para surpresa minha, os serviços são compostos por excelentes profissionais, dedicados. Mal pagos e destratados pela opinião pública. Posso afirmar que, as pessoas com quem trabalhei, tinham lugar no privado a ganhar o triplo.

Esta é uma grande diferença entre Moedas e Leitão. Moedas continua a apostar na mudança, nos novos, naqueles que não estão “viciados”.

A equipe de Alexandra Leitão é, para ser simpático, miserável. Carla Madeira, que aparece como nº2 (!?) é abaixo de qualquer crítica. Como presidente da junta da Misericórdia basta perguntar aos seus fregueses… O que será esta personagem como nº2?  Vice?  Responsável pelas finanças? Há limites e o PS com esta colocação em nº 2 de Carla Madeira ultrapassou todos, e por larga margem.

Nos debates, bem tentou Moedas sacar de Alexandra Leitão quem seria a sua equipe. Quem iria fazer o quê? Porque não respondeu Alexandra Leitão? Eu sei. Porque não sabe. Porque, se ganhasse, faria um dó li tá. Nenhum dos candidatos do PS, tem conhecimento empírico – muito menos académico – para ser vereador do que quer que seja.

No mandato que acaba, alguém coloca em causa a competência, probidade e mais-valia que foram apanágios de Anacoreta Correia, Filipa Roseta e Joana Almeida? Ninguém é capaz.

Para alguém de direita é triste acabar a dizer que a diferença está na CDU. Mas está. No Chega a lista é próxima da indigência, tal qual o seu governo sombra. É pesca de arrasto e com malha fina…

Quando cheguei à câmara, o “expert” das finanças, por parte do PS, dava pelo nome do Saraiva. Quando essa personagem viu, que, afinal, percebia pouco da matéria, foi respirar outros ares como administrador do Metro.

Inês Drummond  — o outro peso pesado do PS na vereação camarária — cuja “qualidade” era o de repetir à exaustão os mesmos argumentos, em género pica-miolos, passou a pastagens mais verdes assim que foi acusada de um crime como presidente de junta. Ficou o refugo. E é esse refugo, completado com joio, que Alexandra Leitão apresenta como lista à CML.

Disto, ninguém fala: Ou seja, da falta de qualidade da equipe de Alexandra Leitão. Como se fosse possível a algum Presidente de câmara gerir alguma coisa sem uma equipe de jeito.

Sabe o eleitor quem são as pessoas e o que defendem as pessoas do Bloco, PAN e Livre? Não acredito. Se soubessem, nem equacionavam o seu sentido de voto!

O PAN propôs na Assembleia Municipal – por mais do que uma vez – que se acabasse com o fogo de artifício do Ano Novo, porque enervava os animais! Ora, eu, que tive um cão que adorava, nunca reparei que o mesmo sofresse com o fogo de artifício do 31 de Dezembro (e moro em Lisboa).

O mesmo PAN propôs, em sede de Assembleia Municipal – por mais do que uma vez – que as crianças, nas escolas, só tivessem opção vegetariana. É este o mundo que querem?

O Bloco, durante quatro anos, limitou-se a dizer, em sede de reuniões de executivo camarário, que Portugal há 500 anos foi esclavagista. Matéria que, como se sabe, está directamente ligada ao problema da higiene urbana na cidade.

O Livre, convencido que, cada vez que pedia a palavra, se encontrava na Assembleia Geral da ONU, falava de tudo menos da cidade. Ou seja, de Lisboa.

Esta é a realidade. Não percebem de orçamentos. Não percebem de mobilidade. Não percebem de nada. Mas percebem do problema da Palestina. É isso que a CML se vai transformar: Um porta-voz do Hamas, do Maduro. Dos problemas que não são de nós, lisboetas.

A equipe de Moedas foi óptima. Trocou-a? Sim, e depois? Há que renovar. Se ganhar — como espero — daqui a 4 anos, deve trocar novamente. Insubstituíveis? Só no cemitério.

Na equipe que vai a jogo, Moedas apresenta um conjunto de pessoas carregadas de experiência: profissional, académica, autárquica. Alguém duvida das capacidades de Gonçalo Reis, Joana Baptista, Diogo Moura, Vasco Moreira Rato e Rodrigo Melo Gonçalves? Claro que não. Não é possível. Sabe-se quem são e o que fizeram.

Mais uma vez: Quem faz o mesmo? Ninguém. Só a CDU se aproxima, e mal.

Quando se vota para primeiro-ministro, não se sabe quem vai ser o governo. Quando se vota para uma câmara não é assim! A equipe “governativa” de Alexandra Leitão é conhecida. E é miserável.

Termino com factos. E, contra os mesmos não há argumentos.

Neste mandato e por oposição do PS, a CML foi impedida de alienar património (no tempo do PS foram mais de 800 milhões…). Mas, mesmo assim, quem investiu mais?

Isto foi o geral. E na higiene urbana? Alexandra Leitão usa um argumento – falacioso – que, se se gastou mais e que se a falta (discutível) de higiene continua é porque algo correu mal. É mentira porque a explicação é simples (tal como a navalha de Ockham): Se não fosse o investimento era muito pior!

O mesmo se passa na mobilidade: Entram muitos carros na cidade? Pois sim, mas entravam muitos mais se não tivessem existido as medidas de Anacoreta Correia e Moedas!

Por fim, via escola Centeno, o PS enveredou por ter saldos de gerência, à custa do investimento. Para inglês ver. Mas nem assim…

Este executivo, sob a batuta de Anacoreta Correia nas finanças, acaba o mandato com um potencial saldo de elevado montante, apesar de não ter podido alienar património e ter potenciado a execução ao limite.

Estes são os saldos correntes a 30 de Setembro de cada ano referenciado. Ou seja, a mentira que João Ferreira gosta de repetir (escola Stalin) não se transforma em verdade: A restituição do IRS aos lisboetas que, por via do seu trabalho pagam impostos, não prejudicou a câmara.

Em quatro anos, sem maioria e sem todos os instrumentos ao seu dispor, este executivo investiu e executou. Não poupou para a propaganda. Podia ter feito melhor? Claro. Tem potencial para fazer melhor? Sem dúvida.

A lista de Alexandra Leitão não dá garantias? É que não dá mesmo.

Cabe-te a ti, Lisboa, decidir quem queres.