Passaram cem dias desde que o executivo que lidero tomou posse, perante os magníficos murais de Almada Negreiros na Gare Marítima do Porto de Lisboa. Foi uma cerimónia com peso simbólico e que nos faz pensar sobre o que significa exercer cargos públicos e carregar a responsabilidade inerente à confiança que nos foi dada nas urnas. Esse peso é enorme. Exige dedicação diária e exclusiva. Os primeiros cem dias deste segundo mandato são prova disso mesmo. Trabalhámos todos os dias para cumprir o compromisso com os lisboetas de construir uma cidade para as pessoas, resiliente e de futuro.
Comecemos pela Lisboa para as pessoas. Esta cidade é aquela que trabalha os pequenos grandes detalhes que dão forma à vida de todos e de cada um. Na higiene urbana assumimos o compromisso de transformar o modelo de limpeza da cidade. Uma mudança estrutural que não se faz de um dia para o outro; faz-se gradualmente, com uma transição que já iniciámos, com investimentos significativos em viaturas de recolha e equipamentos de que há muito necessitávamos, mas também através do reforço dos recursos humanos. Por isso, lançámos o concurso para contratar mais 300 cantoneiros, essenciais para implementarmos um modelo de limpeza que garanta uma recolha de lixo seis dias por semana em todas as freguesias.
Esta Lisboa das pessoas está na habitação, um dos maiores desafios dos nossos tempos. Nestes cem dias, entregámos 310 casas, o que nos deixa com mais de 3200 fogos entregues desde que iniciámos este caminho em 2021. Apoiámos o pagamento de rendas a mais 340 famílias — o triplo do início do mandato anterior — e lançámos um novo concurso para apoiarmos mais agregados que queiram viver na cidade. Além disso, aprovámos o novo regulamento de Alojamento Local (AL) que limita o número de unidades de alojamento local entre cinco e dez por cada 100 unidades de habitação (10%) nas nossas freguesias e bairros.
Esta Lisboa das pessoas está no espaço público. Na Rua Ferreira Borges, por exemplo, que (des)esperava há décadas pela sua reabilitação. Começámos assegurando aos seus comerciantes a isenção de taxas municipais enquanto durarem as obras. Ou no Mercado de Benfica, cujas obras tiveram igualmente início nestes cem dias.
Esta Lisboa das pessoas está na saúde, motivo pelo qual assinámos já um protocolo com a Associação Nacional das Farmácias que vai permitir, entre outros atos clínicos preventivos, lançar em Lisboa o primeiro programa de rastreios gratuitos do cancro do cólon e do pulmão.
Está na segurança, onde, em articulação com o Ministério da Administração Interna, conseguimos mais 100 efetivos para a Polícia Municipal. Prometemos mais polícia na cidade e estamos a cumprir. Ligada à segurança está a qualidade de vida, que protegemos com a nova regulação da venda de bebidas alcoólicas para consumo na rua, garantindo um equilíbrio entre o dinamismo noturno e a diversão, por um lado, e o direito ao descanso dos lisboetas, por outro.
Em segundo lugar, a Lisboa resiliente, aquela que decide construir os túneis de drenagem e não adia mais esta obra essencial. Hoje, o túnel Monsanto-Santa Apolónia está escavado e temos já a funcionar o novo túnel de Sete Rios e uma nova bacia de retenção na Praça de Espanha. Esta infraestrutura ajudou a que não se repetissem as cheias de 2022 e deu, assim, a uma obra “invisível” um resultado mais que visível. De igual modo, está já em curso a construção de um segundo túnel (Chelas-Beato), projeto que foi adiado mais de duas décadas.
Ao mesmo tempo, a Proteção Civil e o Regimento de Sapadores Bombeiros estiveram sempre no terreno – no caso dos Sapadores Bombeiros, fazendo-o enquanto uma equipa destacada no distrito de Leiria apoiava a população afetada pela depressão Kristin. Não posso ter mais orgulho na sua capacidade operacional e no seu espírito de missão e de sacrifício.
Por último, uma cidade de futuro. Um futuro que está na inovação, graças à qual nos últimos cem dias conseguimos captar mais empresas tecnológicas, e na retenção de talento, como comprovam as cerca de duas mil oportunidades de emprego geradas recentemente em Lisboa.
Os empreendimentos, os resultados e os números, acima do que estava a ser feito até aqui, são animadores e foram conseguidos apesar da resistência de uma oposição que teve sempre dificuldade em aceitar os resultados eleitorais. No entanto, sou o primeiro a dizer que aquilo que já conseguimos não basta – ainda há muito a fazer. E, com a responsabilidade redobrada que nos impõe uma maioria estável e coesa no executivo camarário, vamos continuar a fazer mais e melhor.
Os primeiros cem dias deste segundo mandato foram assim. Comprometemo-nos com os lisboetas a mudar a higiene urbana, a habitação, a segurança e o espaço público – estamos a fazê-lo. Comprometemo-nos a preparar Lisboa para o futuro na inovação, no empreendedorismo e na resiliência – estamos a fazê-lo. É isso que os lisboetas esperam de nós. Vamos continuar a cumprir as promessas que lhes fizemos e a dar-lhes os resultados que merecem.