Rádio Observador

Global Shapers

Criar impacto é um excelente investimento

Autor
  • António Miguel

As empresas do futuro são as que integram o impacto social e ambiental no seu negócio. Esse futuro é hoje e quem não se adaptar perderá – consumidores, colaboradores e investidores não irão perdoar.

Se queremos que o nível médio da temperatura global fique pelos 1,5Cº como recomendado pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), temos de reduzir as emissões de CO2 em 45% até 2030.

O financiamento da economia e a inclusão de critérios ambientais e sociais nas decisões de investimento vão ter uma enorme influência na forma como atingimos, ou não, estas metas. Felizmente, o paradigma está a alterar-se e ainda bem para o nosso planeta e sociedade em geral.

Se olharmos para algumas das principais forças que influenciam a economia, não é difícil antecipar que investir em projetos com impacto social e ambiental é uma excelente oportunidade de investimento. Basta olharmos para o racional económico que suporta esta tese.

1 – Consumidores. Mais de 2/3 dos millennials estão dispostos a pagar mais por produtos que cumpram critérios de sustentabilidade (social e ambiental), de acordo com o estudo Sustainabilty Imperative da Nielsen . Por exemplo, os dias estão contados para produtos que utilizam plástico de forma desnecessária. Cada vez mais consumidores querem produtos alimentares locais (e com menor pegada carbónica) e que estão integrados em cadeias de abastecimento sustentáveis e de pagamento justo aos fornecedores. Isto irá tornar-se muito brevemente uma prioridade para as empresas de retalho alimentar. Não é apenas por preocupação ambiental que o Jeff Bezos comprou a Whole Foods por $13,7bn, uma empresa de retalho alimentar com produtos locais, orgânicos e sustentáveis. É porque é um excelente negócio.

2 – Talento. 75% dos millennials (de acordo com o Purpose at Work Global Report do Linkedin ) querem trabalhar para empresas que tenham um propósito social ou ambiental, que vá além da maximização do lucro para os investidores e acionistas. A competição pelo talento vai ser ditada pelo propósito e missão das empresas e não vai bastar ter grandes recursos financeiros para atrair as melhores pessoas.

3 – Investidores. A geração de millennials está a herdar uma das maiores transferências de riqueza de todos os tempos ($31tn até 2020) e as boas notícias é que pelo menos 80% tomam decisões de investimento tendo em conta o impacto ambiental e social das suas decisões. Não surpreende que o Larry Fink, fundador e CEO da Blackrock (o maior gestor de ativos do mundo), tenha dedicado as últimas duas cartas anuais às empresas do seu portfolio a exigir que sejam reportados e incluídos critérios de impacto social e ambiental na gestão destas empresas. O título da última carta é “Lucro e propósito”.

4 – Oportunidade. Investidores e empreendedores estão constantemente à procura da próxima grande oportunidade, onde existe um mercado com potencial para ser servido que ainda não tenho sido alvo de disrupção. Os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas representam um custo de oportunidade para a economia global de cerca de $10tn. A oportunidade económica é considerável para quem conseguir resolver problemas como acesso à educação, redução do desperdício alimentar, consumo responsável e alterações climáticas.

A equação é simples. Se consumidores querem impacto, as empresas vão ter de o assegurar para terem consumidores satisfeitos e envolvidos com os seus produtos e marcas. Se o talento quer impacto, as empresas vão ter de integrar isso no seu ADN para garantir que atraem e retêm talento com elevadas taxas de produtividade. Se os investidores querem impacto, o custo de capital vai ser mais reduzido para empresas que tenham essas preocupações integradas no seu modelo de negócio.

Há vários anos que leio que as empresas do futuro são aquelas que integram o impacto social e ambiental no seu negócio. Esse futuro é hoje e quem não se adaptar poderá ser tarde de mais – consumidores, colaboradores e investidores não irão perdoar.

António Miguel tem 32 anos e é cofundador e managing partner da MAZE – decoding impact, uma empresa de investimento de impacto da Fundação Calouste Gulbenkian que trabalha com empreendedores, investidores e entidades do setor público para escalar soluções eficazes que contribuem para a resolução de problemas sociais e ambientais.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Global Shapers

'Big data' para criar impacto

António Miguel

Sem dados quantitativos e precisos sobre as reais necessidades das populações em situação de vulnerabilidade, será muito difícil obter respostas sociais customizadas que consigam resultados eficazes.

Global Shapers

Contra a cultura de body-shaming

Inês Relvas

Todos temos de lutar ativamente contra o body-shaming. Precisamos de diversidade nos exemplos que nos rodeiam. E todos precisamos de uma relação mais saudável com os nossos corpos e com a nossa imagem

Global Shapers

Aproximar a lei dos cidadãos

Mariana Melo Egídio

Actualmente os cidadãos podem mais facilmente participar no processo legislativo e regulamentar, registando-se e seguindo o diploma ou comentando-o, isto é, enviando os seus contributos.

Global Shapers

10 medidas para revolucionar o SNS

Francisco Goiana da Silva
626

De uma vez por todas, o financiamento tem de acompanhar as escolhas dos utentes do SNS. Nesse dia, teremos um sistema em que o utente é realmente quem manda. Há algo mais democrático do que isso?

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)