De 30 de setembro a 2 de outubro, cerca de 40.000 alunos de 2.000 turmas, em mais de 250 escolas, dos vários níveis de ensino, desde o básico ao secundário, conversaram com advogados, juízes, procuradores, polícias, académicos, professores e muitos outros profissionais sobre a importância da ética e da integridade.

Tratou-se de uma iniciativa conjunta do Mecanismo Nacional Anticorrupção (MENAC), do Ministério da Educação, Ciência e Inovação e do Ministério da Justiça, que constitui, também, exemplo de uma ação colaborativa que está na vanguarda das experiências internacionais sobre o trabalho a desenvolver no domínio da integridade e da prevenção da corrupção junto das camadas mais jovens.

Num primeiro balanço importa salientar que estes Dias abrangeram escolas de norte a sul e de este a oeste de Portugal, entre Montalegre e Lagoa, desde o Corvo ao Funchal, de Arronches ao Paião, em todos os distritos e nas duas Regiões Autónomas.

Alunos e professores, alguns deles esquecidos pela centralidade de iniciativas que quase sempre acontecem apenas em grandes centros urbanos, tiveram oportunidade de discutir e de raciocinar de forma viva sobre questões concretas que os interpelam no seu dia a dia.

Crianças de 10 anos debateram o que é correto e incorreto, sobre o engano e a mentira, sobre como podem agir em situações de dúvida.

Os jovens debateram ainda sobre o que lhes chega todos os dias através dos meios de comunicação e das redes sociais sobre corrupção, crimes, transparência, abuso de poder, conflitos de interesse, denúncias anónimas, denunciantes e outras questões que (n)os interpelam.

Ouviram, e perguntaram a quem sabe, sobre a importância da ética, da integridade, do que é cumprir as regras e as leis. Fixaram exemplos. Apresentaram eles próprios situações sensíveis e dilemas.

Colocaram perguntas que tiveram respostas mais simples e outras que deixaram os profissionais inicialmente perplexos, incluindo pelo arrojo e pela pertinência do que disseram.

Ouviram e questionaram sobre o modo de fortalecer o Estado e as instituições.

Alguns sabiam bem do que falavam. Outros ouviam pela primeira vez. Mas para todos ficou certamente uma aula inesquecível. Que os interpelou. Que os deixou a pensar. E isso é já bastante!

Este não foi o primeiro dia do resto das vidas deles. Mas foi para muitos um primeiro capítulo de uma história que se pretende continuada no tempo.

E não foi um evento efémero. Iremos continuar e sedimentar as ideias desenvolvidas ao longo deste ano e nos próximos anos letivos.

Universalizar o acesso aos programas de integridade por todos os alunos e em todos os níveis de ensino é uma trave-mestra da missão do MENAC.

Vamos persistir no que entendemos ser o caminho da mudança e da criação e consolidação de uma cultura de integridade e transparência.

E vamos continuar, também, porque isso nos foi solicitado, entretanto, por muitas outras escolas!

É aqui, nas escolas, a par da família, que se desenvolve e consolida tal cultura.

Uma primeira nota de agradecimento é devida às equipas que organizaram esta iniciativa, importando enaltecer igualmente a exemplar cooperação mantida, sinal do forte compromisso para com a missão de serviço público em questão.

Depois, principalmente, importa agradecer ao Tomás e à Maria, e ao Ricardo e à Vanessa, que representam todos os alunos que nela participaram. Pelas opiniões que expressaram. Pelas questões que colocaram. E pelo facto de agora levarem para os seus círculos de familiares e amigos o que mais os cativou, assim se multiplicando o efeito da iniciativa.

Aos professores e diretores de todos os estabelecimentos que quiseram envolver-se e acolher uma sessão na sua escola, também o nosso muito obrigado.

E a todos os profissionais que assumiram o papel de palestrantes e que deram o seu tempo em nome daquilo em que todos acreditamos, deixamos também por esta via o nosso reconhecimento e especial agradecimento.

Como nota final, e como sinal de esperança no presente e no futuro, importa realçar que a adesão de centenas destes voluntários ao apelo para a integração na bolsa de palestrantes revelou também uma vitalidade cívica que constitui um importante sinal de compromisso para com a promoção de uma cultura de integridade e transparência.

A integridade não se ensina apenas com palavras, constrói-se na identificação dos dilemas, nos exemplos e nas perguntas que aprendemos a fazer desde cedo.

É essa cultura que queremos ajudar a semear, escola a escola, geração a geração, porque dela depende, em larga medida, a qualidade da nossa vida coletiva e da República.

E porque, na corrupção, prevenir é melhor que tratar. E o MENAC está aqui para isso!