Os tempos são de um futuro próximo incerto, mas há uma variável essencial que necessita de ser garantida: a Educação das nossas crianças e dos nossos jovens!

Quantos de nós têm filhos em ensino pré-escolar, básico e secundário que estão sem aulas e sem qualquer interação com professores e colegas?

Nos anos 70 e 80, ainda sem Internet e sem telemóveis, em Portugal existia um modelo que ensinou milhares de crianças do país: a Telescola! Este foi um modelo que apoiou jovens que estavam isolados no interior do país e só tinham a TV como única fonte de informação para o mundo.

Num dos últimos relatórios da União Europeia, sobre Transformação Digital, colocou Portugal bem abaixo da média da Europa na variável de eLeadership, a qual avaliava a capacidade de preparação tecnológica dos gestores, decisores e mesmo de colaboradores no país.

Lanço, por isso, o desafio ao Ministério da Educação. Aplique-se a transformação digital desse modelo. Criemos a Digiescola!

Através de tecnologias já disponíveis na própria rede de escolas, podem-se lecionar aulas em modelos mistos: conteúdos gerais e teóricos centralizados e conteúdos práticos em modelo de tutoria, diretamente com os professores dos agrupamentos de escolas.

Será o modelo perfeito Provavelmente não! Vamos acertar à primeira? Provavelmente não! Mas estamos numa fase onde nos reinventamos diariamente. Quando o mercado empresarial procura reinventar-se à velocidade da luz, utilizando a tecnologia e o digital para correr e lutar contra a adversidade, também a Educação carece urgentemente de transformação digital.

Utilizemos a tecnologia para potenciar o ensino, perante o mesmo desafio do isolamento, que a Telescola minimizou há 30 e 40 anos. Criemos a Digiescola!

E a este modelo estou certo que se juntarão os operadores de telecomunicações, para minimizar quem tem menos meios tecnológicos, em particular disponibilizando a Digiescola através das aplicações nas boxes de Televisão, espalhadas pela (quase) totalidade das casas nacionais. Resolvamos 95% dos casos e trabalhemos nas particularidades dos outros 5%.

Uma Digiescola garantirá que os conteúdos serão lecionados. Que a comunidade escolar continua ativa. Que o Ministério da Educação realiza a sua ação de promoção e investimento no ensino básico e secundário. Todas as disciplinas podem ser lecionadas, quer em modelos de aulas tempo real, quer em aulas offline, através de vídeos e exercícios online diretos. Mesmo em Educação Física é possível criar atividades, tal como hoje existem muitos personal trainers ou ginásios que passaram a dar aulas online. Até Educação Visual ou Musical se podem utilizar modelos similares. Não falando dos casos práticos e fáceis de replicar de casos de sucesso mundial como a Khan Academy, em disciplinas como Matemática.

Que exemplo queremos dar às nossas crianças e jovens, se não lhes demonstrarmos  que investimos neles e que podem também eles ser motor de desenvolvimento do país, utilizando hoje as tecnologias a favor do seu ensino, para mais tarde as utilizarem em prol da economia e desenvolvimento do país. Que exemplo queremos dar: ensiná-los a ficarem parados ou ensiná-los a crescer e a serem proativos

Aproveitemos esta altura para nos libertarmos de um modelo educativo da 1ª Revolução Industrial e saltemos rapidamente para um modelo digital de ensino, mantendo uma realidade social, humana e ecológica.

Faço um apelo ao Ministério da Educação, como pai de 4 filhos dos 3 aos 17 anos: aproveitem esta fase para se transformarem digitalmente! Prepararem o futuro do país para ensinarem de forma diferente! E, estou certo que mesmo os sindicatos de professores compreenderão que há um valor acima de interesses pessoais ou políticos: o futuro do nosso país!