caderno de apontamentos

Ensino Superior: comparar para melhorar

Autor
  • Cláudia Sarrico
169

Mais importante que criar ‘universidades de topo’ (para os rankings), os países estão conscientes que é importante desenvolver sistemas de ensino superior que melhorem continuamente o seu desempenho.

O ensino superior expandiu-se significativamente. De acordo com a UNESCO, existem mais de 18 500 instituições de ensino superior em 186 países. Até 2030, a OCDE estima que haverá cerca de 300 milhões de estudantes no mundo.

A massificação tem conduzido ao aumento da despesa com o ensino superior, da despesa pública, mas cada vez mais da despesa privada, que representa cerca de 30 por cento. Nos países da OCDE, a despesa continua a aumentar: entre 2005 e 2013, a despesa total aumentou cerca de 30 por cento e, apesar do aumento significativo do número de estudantes, a despesa por estudante também aumentou cerca de 15 por cento (data.oecd.org).

A expansão substancial do ensino superior faz sentido, tendo em conta os benefícios significativos em termos de formação de capital humano, criação de conhecimento e inovação e desenvolvimento económico, social, cultural e ambiental que traz. No entanto, com a expansão do ensino superior, surgem vários desafios, tais como:

Qualidade. Com o aumento da participação, diversificação da origem dos estudantes e diversificação do tipo de instituições de ensino superior, internacionalização e digitalização, levantam-se questões sobre a qualidade da experiência do estudante, dos seus resultados de aprendizagem, ganhos de aprendizagem, e resultados obtidos no mercado de trabalho e na sociedade dos diplomados.

Equidade. O ensino superior apresenta grandes melhorias em termos de equidade de acesso, como consequência principalmente do aumento das taxas de participação. No entanto, com o aumento da diferenciação horizontal (diferentes subsectores, diferentes tipos de instituição, diferentes graus oferecidos) e vertical (diferente reputação e prestígio) nos sistemas, levantam-se questões não apenas sobre equidade de acesso, mas também sobre equidade de resultados entre diferentes grupos populacionais, em termos de idade, género, origem socioeconómica, etnia, proveniência geográfica, entre outros.

Sustentabilidade financeira. A tendência de longo prazo da despesa total no ensino superior e mesmo da despesa por estudante é crescente. A despesa pública no ensino superior tem que competir com outras necessidades de dinheiro público, como saúde, pensões e outros níveis de educação. Para diminuir o peso da despesa pública, muitos sistemas introduziram medidas de partilha de custos para aumentar o financiamento privado do ensino superior, pelas famílias e organizações privadas. O debate sobre como financiar o ensino superior (financiamento do orçamento de estado, propinas, financiamento de terceiros), e como apoiar financeiramente os estudantes (bolsas e/ou empréstimos) de forma sustentável é recorrente.

Relevância. Outro desafio enfrentado pelo ensino superior é o de saber em que medida os motivos que movem as instituições de ensino superior estão alinhados com as necessidades da sociedade e em que medida o ensino superior contribui para a satisfação dessas necessidades. Outra preocupação perene é a de saber se o ensino superior continua a ser uma torre de marfim ou, se por outro lado, se relaciona com a indústria, o governo e o terceiro sector para atender às necessidades da sociedade.

Os desafios acima mencionados e debates paralelos questionam se o ensino superior está a alcançar o desempenho necessário, e como melhorar esse desempenho. A OCDE está a desenvolver um projecto de comparação do desempenho dos sistemas de ensino superior que analisa dados e informações de diferentes dimensões de desempenho no ensino superior relativamente ao financiamento, recursos humanos, educação, investigação e envolvimento com a sociedade. Pretende fornecer aos países: comparações entre as dimensões de desempenho dos sistemas de ensino superior, uma compreensão das razões por trás do desempenho dos sistemas de ensino superior, recomendações de políticas adequadas e estratégias para melhorar o desempenho dos sistemas de ensino superior, e oportunidades de aprendizagem entre os países.

Mais importante que criar ‘universidades de topo’ – as que aparecem nos rankings representam uma ínfima percentagem do total das instituições de ensino superior – os países estão conscientes que é importante desenvolver sistemas de ensino superior que melhorem continuamente o seu desempenho e vão ao encontro das necessidades de um leque alargado de partes interessadas na nossa sociedade.

Analista principal do projecto de comparação do desempenho dos sistemas de ensino superior da OCDE
‘Caderno de Apontamentos’ é uma coluna que discute temas relacionados com a Educação, através de um autor convidado.

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