Portugal tem poucos sectores verdadeiramente competitivos à escala global, mas, os que temos, tecnologias, moldes, componentes automóveis, têxteis técnicos, agroalimentar premium, cortiça, renováveis e turismo qualificado, por exemplo, mostram que, quando damos liberdade e escala às empresas, Portugal compete. E compete bem.

O ensino superior, em particular as escolas de gestão, entrou na mesma lógica. A consolidação em torno dos rankings do Financial Times prova qualidade, profissionalização e internacionalização. As escolas que hoje exportam formação, executiva e não executiva, que colocam os seus MBA’s e EMBA’s, as suas formações de executivos ou os seus mestrados de continuidade nos top 100 da Europa e do mundo, também estão apenas de parabéns. Mas não só! Quem tem produto e tem procura global merece mais que parabéns.

Estes resultados não acontecem por acaso: acontecem porque há internacionalização, porque se cria mais e mais relevância externa e porque se investe em talento. Falta, agora, transformar isto numa estratégia nacional e num ganho de liberdade, para as universidades públicas, não compatível com a excessiva intervenção. Mais liberalização precisa-se.

Portugal necessita de clusters a sério: industriais, tecnológicos, académicos. Clusters que exportem, que atraiam investimento e que criem massa crítica. E o ensino superior tem de ser parte central desse movimento. Uma escola pública de gestão que exporta formação é tão facilmente qualificável para formar cluster com outras quanto uma empresa industrial. Gera receita, reputação internacional e competitividade.

Para isso, é indispensável dar às escolas públicas maior liberdade para definir propinas internacionais mais elevadas logo na licenciatura, e aumentar claramente o número de vagas para estudantes estrangeiros. Não há país competitivo que não monetize a educação internacional. Portugal continua preso a modelos antigos que sufocam a ambição.

E a diplomacia económica? Representação não chega. Precisamos de diplomacia que abra mercados, facilite parcerias e apoie a internacionalização académica e empresarial. A maior parte das escolas portuguesas que hoje exportam fizeram-no quase sem apoio diplomático. É insustentável. Educação executiva é um produto de alto valor acrescentado e tem de ser tratado como tal.

Tudo isto exige novas lideranças no ensino superior e no próprio Estado. Lideranças que percebam que o financiamento não cai do céu; que os rankings exigem enorme autonomia; que a internacionalização não é um luxo, é condição de sobrevivência; que captar financiamento externo é obrigatório; que o país só escala com clusters, liberdade e estratégia.

Portugal tem talento, escolas competitivas e sectores fortes. Falta a decisão. E falta a coragem para libertar e liberalizar quem já provou que sabe competir.