Numa altura em que os partidos se preparam para nova campanha tendo em vista as eleições regionais de 23 de março, revela-se a importância de conhecer o teor das propostas eleitorais de cada partido.
Enquanto assistimos ao cortejo de anúncios e comitivas de algumas propostas que são tão velhas como o Norte, tal a inconsequência ou teoria abstrata das mesmas, a luta pela diferença vai tomando corpo.
Dos mais liberais aos mais conservadores, na verdade até agora, nada de novo se verifica na construção dos programas políticos. Ou seja, será um “mais do mesmo”, que contribuirá para o pobre debate político que temos vindo a assistir.
Será certamente uma campanha de combate à desinformação, ao populismo e à atribuição de culpas entre todos. Aliás, por estes dias, um dos partidos começou com ataques pessoais a outro partido a que se seguiram promessas de uma campanha pela positiva.
Na política não vale tudo, assim como a teatralidade deve ter limites éticos, pois o palco das novelas deve ser outro.
À capacidade de governança e de apresentar propostas sérias deve ser atribuído o principal destaque no sentido de esclarecer o Povo acerca de quem reúne condições de governabilidade e de garantir e honrar não só os compromissos assumidos, como o futuro da região.
Certamente que estas serão umas eleições bastante disputadas face ao descontentamento dos madeirenses com a situação que a dita moção de censura provocou.
Mas será, também, uma prova de vida para os que alicerçaram a sua atuação através da colagem ao principal e maior partido regional, e que vão perdendo identidade e relevância a nível regional.
Os partidos “desaparecidos em combate” tudo farão para voltar ao hemiciclo, numa ânsia por um lugar que há muito perderam na sociedade devido à sua incapacidade de modernizar as suas propostas.
Perante este cenário, das duas uma: ou fica tudo igual e assumimos mais alguns anos de instabilidade governativa, ou realmente o partido de governo consegue obter uma maioria expressiva que afugente os fantasmas da luta interna e das denúncias anónimas.
Numa época em que os ideais de pouco servem à democracia e aos programas, constatamos que no amplo espectro político as propostas até conseguem ser idênticas, faltando a substância e a retórica que ditaram a política de outrora.
Hoje em dia, é mais fácil tentar resolver o problema das pessoas, independentemente do seu custo político. Talvez seja uma das razões da falta de atractividade de bons e valorosos quadros na política.
Tudo isto fará aumentar a abstenção.
Assistimos a uma série de situações e acontecimentos em que se atiram ideias, carentes de explicação e de fundamento, tendo em vista única e exclusivamente o aproveitamento político e o populismo que cada vez mais caracterizam a política internacional, numa escala menor e, não raras vezes, a reboque destas.
O futuro exige que se clarifique o discurso e se explique cada medida e onde se encaixa nos ideais de quem os defende, sob pena do enfraquecimento democrático e o crescimento das extremas e movimentos associados.
A política carece de seriedade intelectual e de sentido de Estado, onde cada um defende e honra os seus ideais, transportando-os para as suas propostas, colocando-se ao serviço da população, assumindo o peso que as mesmas possam ter no eleitorado.
Só assim poderemos voltar a ter uma democracia séria e verdadeiramente livre. A Madeira e o Porto Santo merecem mais e melhor da classe política. Haja vontade política!