O cancro da mama continua a constituir um dos grupos de tumores malignos mais frequentes na população mundial. Afeta várias faixas etárias e, embora sendo de longe mais frequente no sexo feminino, ainda assim não deve ser esquecida a possibilidade de ocorrência no sexo masculino.

As campanhas de sensibilização para vigilância e rastreio têm permitido cada vez mais o diagnóstico em fases precoces da doença, com uma maior probabilidade de tratamento com intenção curativa. Com o aumento da sobrevivência das pessoas afetadas pela doença, maior tem sido também a preocupação de se realizar uma eficaz reabilitação, assim como tratamentos e o controlo dos seus possíveis efeitos secundários, na prevenção da doença, que podem ter de ser feitos por longos períodos. Por exemplo, a hormonoterapia adjuvante que decorre durante 5 a 10 anos.

O objetivo é tratar com a menor toxicidade possível, de forma a que os doentes possam retomar as suas vidas pessoais, familiares e socioprofissionais.

Novas técnicas de tratamento local – desde cirúrgicas e de irradiação até técnicas ablativas – têm vindo a ser aperfeiçoadas quer no tratamento inicial, quer na doença avançada, sempre com grande atenção ao maior benefício do doente, evitando consequências paralelas nefastas.

A inovação tem sido de facto crescente e constante no campo da Oncologia Médica, com o desenvolvimento de novos medicamentos de vários grupos farmacológicos, desde a terapêutica biológica à imunoterapia, passando mais recentemente por conjugados “anticorpo-citotóxico”. Estes últimos referem-se a um único medicamento que conjuga um anticorpo monoclonal com um citotóxico, terapia alvo e quimioterapia num mesmo fármaco, com atividade e benefício acrescido em termos de sobrevivência global e sobrevivência livre de progressão em caso de doença avançada.

Não me refiro especificamente a nenhum fármaco, já que alguns são dirigidos a tratamento em fase precoce, outros para uma fase avançada da doença. Mesmo nesta fase muito se tem a oferecer, sendo o cancro da mama, cada vez mais, encarado como uma doença crónica que tem de ser controlada o melhor possível e durante o maior tempo possível de forma à manutenção de uma boa qualidade de vida ativa da pessoa.

Cada medicamento que é anunciado não se destina a todas as situações e o tratamento deve ser discutido com a equipa multidisciplinar que trata o doente, sendo este o meu conselho final para cada pessoa que enfrenta esta batalha.