Terminaram os Jogos Europeu da Juventude (EPYG 2025), e com eles veio mais uma  demonstração do talento, da determinação e da excelência dos nossos jovens, com com  Portugal a alcançar uma das melhores prestações de sempre. A comitiva paralímpica  nacional arrecadou 11 medalhas — 6 de ouro, 3 de prata e 2 de bronze — em três  modalidades distintas: Atletismo, Basquetebol em cadeira de rodas e Boccia. Um feito  desportivo de excelência que, no entanto, passou quase despercebido aos olhos da  comunicação social e da sociedade portuguesa.

Um feito notável. Um feito histórico. Um feito… ignorado.

Enquanto a televisão abria com notícias sobre pré-épocas de futebol e transferências  milionárias, e os jornais enchia-se de especulações de verão, os jovens atletas  portugueses com deficiência distinguiam-se entre os melhores da Europa. Atletismo  trouxe 7 medalhas (3 ouros, 2 pratas e 2 bronzes); Boccia, uma modalidade em que  Portugal é referência mundial, somou mais 3 ouros; e Basquetebol em cadeira de rodas  conquistou uma histórica medalha de prata.

Em qualquer outro contexto desportivo, uma prestação desta magnitude seria manchete.  As redes sociais estariam inundadas de elogios, os noticiários abririam com imagens de  celebração e os atletas seriam recebidos como heróis. Mas, por alguma razão que teima  em resistir à mudança, quando falamos de desporto paralímpico — e especialmente  quando falamos de jovens — a resposta da sociedade portuguesa e dos meios de  comunicação social é o silêncio.

Onze medalhas. Três modalidades. Uma delegação que honra o país e leva o nome de  Portugal ao mais alto nível europeu. Que mais é preciso para merecer reconhecimento?

A verdade é que este silêncio não é apenas injusto — é revelador. Revelador de uma cultura  desportiva ainda limitada, que se alimenta da visibilidade fácil dos grandes palcos  mediáticos e esquece que o desporto é também, e sobretudo, uma escola de valores,  superação e inclusão. Revelador de uma comunicação social que, com honrosas  exceções, continua a olhar para o desporto adaptado como algo secundário, quase  decorativo, quando é, na realidade, um dos expoentes máximos da força humana.

Estes jovens atletas não querem a nossa pena. Querem — e merecem — o nosso respeito.  Treinam com o mesmo afinco, competem com o mesmo espírito, representam com o  mesmo orgulho. E ganham. Ganham medalhas, mas ganham também dignidade para um  movimento paralímpico que todos devíamos celebrar com mais força.

A responsabilidade não é apenas dos media. É também nossa, enquanto sociedade.  Precisamos de mudar o foco: valorizar mais o mérito e menos o espetáculo, apoiar o  esforço em vez do nome na camisola, e construir uma cultura desportiva mais justa, mais  inclusiva, mais completa.

Aos atletas que estiveram em Istambul na Turquia: o vosso esforço foi o vosso grito. E nós  ouvimos. Cabe-nos agora amplificá-lo, para que nunca mais passe despercebido.

Para memória coletiva futura, o nome de todos os jovens atletas que representaram  Portugal nestes Jogos Europeu da Juventude (EPYG 2025): António Santos, Daniel António,  Caio Rocha, Tatiana Couto, Leandro Freitas, Leonardo Silva, Mariana Silva, Mónica Silva,  Tiago Ramos (Atletismo), João Trigueiros, Simão Pimenta, Nuno Nogueira, Pedro Gomes,  Afonso Tavares, Tomás Amaral, Diogo Ferrás, Gustavo Carvalho (Basquetebol em Cadeira  de Rodas), Francisco Gouveia, Leonor Lopes, Catarina Monteiro, Alice Moreira, Luís Costa,  Carlos Sousa, Rafael Viriato (Boccia), Santiago Pereira, Eurico Silva e Mário Bastardo (Ténis  de Mesa).