Cresci num país que, historicamente, tem seguido uma rota de divergência  face ao crescimento económico europeu. Um país que padeceu de Governos com  visão a curto prazo e Primeiros-Ministros a que bastava somente ouvirem a  expressão “reformas estruturais” para se arrepiarem.

Com o novo Governo de espírito assumidamente reformista, Portugal tem de escolher o rumo futuro que deseja. Acredito que este futuro, se o queremos justo e  prospero, passa por 3 opções inadiáveis:

1. Descentralização 

Se queremos uma Administração Pública mais eficiente, o poder de decisão  do Estado deve estar o mais perto possível das populações e que devem ser  responsabilizados perante estas.

Tendo isto em mente, acredito que as Comissões de Coordenação e  Desenvolvimento Regional (CCDR’s) atentam contra esta visão. A maioria da  população não conhece a existência destes órgãos, não sabe quais são as suas  competências e muito menos quem são os seus dirigentes.

Existindo entidades mais próximas das populações e mais facilmente  responsabilizadas por estas, como as Áreas Metropolitanas (AM’s) e as  Comunidades Intermunicipais (CIM’s), acredito que seria benéfico para a eficiência  do Estado extinguir as CCDR’s e passar as suas competências para as AM’s e CIM’s.

Ainda no tema da descentralização, existem competências do Estado que  deveriam ser transferidas para as autarquias e comunidades. Atualmente, o Estado  tem transferido encargos para as autarquias como, a título de exemplo, a  manutenção do parque escolar e, muitas vezes, sem o devido envelope financeiro.

Descentralizar não é distribuir encargos. Descentralizar é distribuir  competências e envolver os municípios e os agentes locais nos processos de  decisão. Em vez de somente distribuir os encargos do Parque Escolar (algo que não  sou contra) o Estado também deveria envolver os agrupamentos no processo de  seleção de professores e não devia ficar só na esfera da educação.

Os municípios e as comunidades conhecem melhor a realidade local que o  Estado Central e conseguem lidar melhor com os desafios e capitalizar melhor as  oportunidades desta que o Estado.

2. Fiscalidade Competitiva 

Portugal possui um dos sistemas fiscais menos competitivos da OCDE. Se  queremos uma economia prospera devemos ter como mote a atração de  investimento e empresas, assim como, o desejo que as nossas pequenas empresas  se tornem médias e que as médias se tornem grandes.

O primeiro pecado capital do sistema fiscal português é a sua  complexidade. Segundo o Tax Complexity Index, possuímos o 6º sistema fiscal mais  complexo da União Europeia. É necessário simplificar o sistema para diminuir os  custos de contexto das empresas (custos com consultorias fiscais, entre outros).  De igual forma, devemos repensar e diminuir os benefícios fiscais existentes em  Portugal, muitos dos quais não tendo uma utilidade clara apenas adensam a  complexidade fiscal.

O segundo pecado capital é a instabilidade do sistema fiscal. Todos os anos mudam as “regras do jogo” o que impede as empresas de conseguirem planear a  longo prazo e cria incertezas investidores. Não podemos diminuir um imposto para  passado 2 anos voltarmos a aumentar e repetirmos o padrão ciclicamente.

Precisamos de um pacto de regime que defina as principais linhas do  sistema fiscal e que estas não mudem consoante ciclos políticos.

Por último, o IRC português incentiva ao desinvestimento em Portugal.  Possuímos uma elevada taxa de IRC e progressiva, o que desincentiva economias  de escala e que grandes empresas se estabeleçam em Portugal (sendo estas s que  mais investem em Investigação e Desenvolvimento). Para além disso, o sistema  fiscal prevê a dupla tributação de dividendos, primeiro em sede de IRC e depois em  sede de IRS, o que desincentiva a capitalização por parte dos investidores que vêm  o seu retorno altamente taxado.

3. Coesão Territorial 

Somos um país desigual. Existem duas grandes dicotomias, sendo a  primeira entre Lisboa e o restante território nacional e a segunda entre o território  litoral e o território interior. Lisboa concentra o poder político, recursos e  investimento público necessários ao desenvolvimento do país.

Existe uma enorme concentração de serviços e oportunidades nas Áreas  Metropolitanas que não é sustentável a nível da gestão eficiente dos recursos. A atual crise da habitação deve-se muito a esta concentração que leva às populações  a legitimamente deslocarem-se para onde possuem mais serviços e oportunidades  o que aumenta exponencialmente a procura por habitação nestes municípios e  aumenta os preços desta.

Não podemos concentrar o investimento todo numa pequena área do  território. Devemos sim apostar na atração de empresas para o interior do país com  o desígnio de criar economias locais sustentáveis e que gerem emprego, para assim  atrairmos e fixarmos populações e com estas desenvolver a oferta de serviços  nessas localidades.

Acredito também que devíamos ponderar um sistema fiscal com taxas  reduzidas de IRC (à semelhança do existente nas Regiões Autónomas dos Açores e  da Madeira) que beneficie as empresas do interior que sofrem com o custo de contexto  devido à logística e falta de infraestruturas superiores às empresas das Áreas  Metropolitanas.