As autárquicas sempre me fascinaram, pois, a cada 4 anos, temos um momento de encontro e reflexão sobre o passado, presente e futuro das nossas freguesias e cidades.
De muitas discussões que tenho visto em vários municípios fala-se da segurança, da mobilidade e da habitação, mas acredito que nos esquecemos de refletir sobre um dos temas que tem de ser central nestas eleições – a proximidade.
Vivemos numa sociedade de bolhas. Cada pessoa vive na sua zona de conforto e convive com um grupo filtrado e restrito de pessoas dentro da sua bolha. Saímos de casa para o trabalho e do trabalho voltamos para casa, com ocasionais convívios sociais, mas sempre dentro da nossa bolha.
As bolhas tiram-nos a humanidade. As bolhas fazem com que as cidades deixem de ser um local de encontro e se tornem um deserto de relações humanas.
Esquecemo-nos de cumprimentar o vizinho rabugento e mal sabemos o nome dos nossos vizinhos. Nós cafés cada mesa é uma pequena bolha e não falamos com o senhor a ler o jornal ao nosso lado. Vivemos dentro da nossa bolha do algoritmo das redes sociais e estamos convencidos da nossa verdade.
A sociedade está cada vez anónima e deixamos de ver o outro, especialmente quem está fora da nossa bolha. Temos que reaprender a nossa humanidade se queremos sociedades tolerantes e inclusivas.
Surge agora o momento de reflexão sobre o futuro que queremos nas nossas cidades e não o devemos deixar passar. Qual deve ser o papel dos municípios nesta mudança (se sequer devem ter um papel)? Que medidas devemos adotar para nos reencontrarmos? Cabe aos municípios promover o encontro das várias comunidades dentro da cidade?
A todos os candidatos e a todos os que forem eleitos lanço o desafio para que reflitam sobre isto. A economia, a habitação, a segurança, a mobilidade e outros temas são secundários relativamente ao tema da proximidade. Falar de proximidade é falar de pessoas e esse deve ser o centro de todas as políticas.