Foi notícia esta semana a ampliação da Gare do Oriente. Esta obra, prende- pela necessidade requalificar as infraestruturas perante a chegada da linha de alta velocidade, que a propósito, chega com significativo atraso.

Estimo a decisão e enalteço, como é devido, a competência no planeamento de projetos desta envergadura por parte das entidades competentes, nomeadamente as Infraestruturas de Portugal.

Não obstante, lamento que esta visão estratégica e atitude proativa não abarque uma requalificação imprescindível naquele espaço, que se revela num inequívoco estado de calamidade, desprestigiando por completo a ambição de 1998 e, de igual modo, a ideia de um Portugal próspero e digno.

Hoje, em simultâneo à divulgação deste Plano de Desenvolvimento, esta mesma estação, manifesta problemas severos na armação, avarias em elevadores e escadas rolantes, instalações sanitárias públicas inoperacionais, escassez profunda de desinfestação e limpeza, marginalização de áreas comuns e um défice significativo de presença policial e de funcionários que prestem serviços adequados à população.

Hoje, em simultâneo à divulgação deste Plano de Desenvolvimento, esta estação espelha a inércia dos agentes políticos, a negligência por parte das autoridades fiscalizadoras, a deficiência de programas de manutenção, mas essencialmente, um défice significativo de patriotismo e sentido de responsabilidade, não de uns nem de outros, mas de todos.

Por conseguinte, fico apreensivo quando verifico que o país será exposto a mais um encargo financeiro desta envergadura. Não porque não compreenda a sua relevância, mas por ser verificável que subsiste na atualidade uma ineficácia no aproveitamento e conservação desse investimento.

Talvez seja oportuno olhar de forma crítica para o que se passa nos grandes centros urbanos e aprender com o trabalho que é desenvolvido em pequenas autarquias, que no âmago de um país empobrecido e instável, à mercê de parcos orçamentos e políticas extremamente centralizadas, cumprem de forma mais eficaz o seu papel na sociedade.

Subjazem, é certo, razões plausíveis para compreender parte destes factos, mas ainda assim, é essencial que percebamos que antes de qualquer expansão, é fundamental manter.

Acredito que é assentes nesta premissa que podemos desenvolver um país melhor para todos e para quem nos visita.