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Há duas ameaças à democracia de sinal oposto. Uma é, nas suas várias versões, o aumento do populismo. Uma forma de exercício do poder que considera que entre o decisor político e os cidadãos não necessita haver mediação, nem política através de partidos, nem social através de interesses organizados,  mas sim uma relação direta, muitas vezes de base emotiva. A outra é a do reforço de uma oligarquia partidária, em que os poderes dos partidos existentes são cada vez maiores, fechados sobre si mesmos e imunes a qualquer participação e iniciativa dos cidadãos. Na realidade todos os regimes democráticos regulam, através de variados mecanismos (regras do sistema eleitoral, do referendo, das iniciativas legislativas dos cidadãos (ILC), etc.) as possibilidades de participação dos cidadãos  na vida democrática do respetivo país.

Portugal é, no contexto europeu, dos países mais fechados à participação política dos cidadãos. Desde logo no sistema eleitoral é dos raros países onde os cidadãos não podem ter um voto personalizado em candidatos. Os partidos políticos não parecem confiar muito nos cidadãos para participar na escolha de candidatos, e os cidadãos pouco confiam nos partidos políticos. É isso que nos diz os dados do Eurobarómetro de 2018 que indica que apenas 17% dos portugueses tendem a confiar nos partidos políticos e apenas 37% a confiar no parlamento. A leitura optimista destes números é que estamos muito melhor do que no auge da crise em 2013 em que os valores eram dramaticamente ainda mais baixos. A leitura do copo meio vazio é compararmos com os níveis de confiança de países escandinavos, que registam índices bem mais elevados. É com esses de facto que nos devemos comparar, sem dramatismos, mas com realismo e ambição.

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