O LIVRE nasceu em 2014 com uma urgência: a luta contra a austeridade e a necessidade de fazer convergir as esquerdas. Com um ideal: a aspiração a uma sociedade mais justa e igualitária, mais livre, e assente num modelo de desenvolvimento ecologicamente sustentável. E com uma proposta inovadora: a de fazer política aberta à sociedade, com transparência, participação e pluralismo.

Oito anos volvidos, e pela primeira vez, há uma lista alternativa à direção do LIVRE, ou seja, ao Grupo de Contacto [GC]. Como pessoas candidatas por esta lista alternativa, a lista B, queremos ser parte ativa do crescimento e sustentabilidade eleitoral do partido. Queremos harmonizar o que o LIVRE afirma ser e o que ele é, concretizando a política colaborativa de forma unida, plural, transparente e participada.

O LIVRE voltou à Assembleia da República, desta vez para ficar. Sentimo-nos gratos pelo trabalho e empenho de todo um coletivo ao longo destes anos, e sentimo-nos bem representados em quem irá comunicar e defender as nossas propostas políticas no parlamento. O eleitorado aderiu à mensagem do LIVRE, que concilia idealismo e sentido de compromisso, e conta connosco para desenvolver políticas que os concretizem.

A lista B é composta por pessoas que acreditaram e lutaram pelo LIVRE, mesmo após a descrença resultante da perda de representação parlamentar. Nos últimos dois anos trabalhámos para a adoção das escolhas políticas que poderiam diferenciar o LIVRE e posicioná-lo distintivamente na política portuguesa. No entanto, a diversidade dos espaços de debate político foi sendo limitada, esvaziando o trabalho e responsabilidade dos órgãos e remetendo o partido para uma centralização da participação política e das decisões.

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Nos últimos anos, em diversos momentos de decisão estratégica e programática, verificámos uma contradição que puxa o partido para trás e que o retira da liderança política das suas lutas fundadoras. A vontade de mudança dos paradigmas económico, social, ambiental e democrático não tem sido acompanhada de decisões que lhe poderiam dar curso, sendo contrariada pela associação a projetos e propostas que fomentam os modelos que queremos mudar. São exemplos recentes: a negociação e aprovação da coligação com o Partido Socialista em Lisboa, que validou uma visão limitada do futuro da cidade, não desafiava o modelo de sociedade neoliberal responsável por divisões sociais profundas e não respondia aos desafios da emergência climática; e a adopção do programa Equity Loan do pacote Help to Buy criado pelo governo de David Cameron, que prevê a injeção direta de dinheiro público no mercado livre de compra de habitação própria, expandindo um mercado que já está sobrevalorizado.

Para a nossa lista, o LIVRE tem uma visão alternativa que se exige democrática, ecológica e igualitária. A utilização dos processos colaborativos de formação de propostas políticas, marca central do espírito do LIVRE, teria permitido um trabalho consistente e atempado dos programas e propostas do partido para as eleições autárquicas e legislativas de modo a evitar a adoção de medidas e decisões pouco trabalhadas.

Para nós, o LIVRE é a forma certa de política para o modelo de desenvolvimento que queremos, garantindo a igualdade de oportunidades para todas as pessoas e a defesa do ecossistema, tanto agora como no futuro. Estamos dispostos a concretizar o partido que o LIVRE sempre aspirou a ser. A nossa lista é composta por novos e antigos membros com diversas funções no partido: representantes locais, cabeças de lista em 2019 e 2022 por Beja, Portalegre, Aveiro, Braga, Europa, freguesias de Algueirão-Mem Martins e Carnaxide e Queijas, diversos mandatos nos órgãos e grupos de discussão de políticas públicas (incluindo coordenações da Mesa da Assembleia), assim como proponentes de novos Núcleos Territoriais do partido. Pessoas com experiências e interesses abrangentes nos vários sectores associativos e sindicalistas, preparadas para continuar o trabalho que têm vindo a desenvolver no LIVRE, tornando-o uma verdadeira alternativa na esquerda portuguesa.

Queremos renovar o debate de ideias e propostas e o exercício das funções executivas do partido. Queremos naturalizar o contraditório como forma de evitar erros e para produzir soluções mais sólidas, abrindo espaço para o pluralismo no interior da direção, e no partido como um todo. Pretendemos trabalhar para que os outros órgãos e grupos de trabalho do partido tenham mais apoio para participar ativamente na construção de um projeto sólido e que dê resposta aos problemas reais das pessoas.

Hoje temos renovadas condições de trabalho. Queremos contribuir para o crescimento e implantação local do LIVRE e para a concretização dos valores democráticos que defendemos. Vamos concretizar o LIVRE!