Ainda Ventura não era nascido e já eu lutava (nos vários sentidos da palavra) para defender o meu direito a ser de direita. Aliás, o meu direito a não ter de ser de esquerda.

Portanto: Sou de direita, conservador e católico e não voto Ventura.

Não o faço, porque, para mim, o vendedor de enciclopédias que é Ventura não me engana: Essa personagem não é de direita. É pantomineiro, catavento, oportunista e populista. De direita é que não é.

[Em artigo publicado no Observador o Prof. Jaime Nogueira Pinto (JNP) resvalou para a conversa de café (por respeito a JNP fico no café) dizendo: “(..) alguém definiu (o populismo) como a “popularidade dos outros” (..)”.]

No meio de tanta elucubração e referência do articulista em questão, fugiu-lhe o pé….

Para todos os efeitos prefiro a descrição de Norberto Bobbio no Diccionário de Política (páginas 980 e seg. que diz: “(..) O Populismo é mais moralista que programático (..) A sua ideologia é vaga (..) O Populismo distingue-se dos movimentos de inspiração democrático-cristã (..)”.

Por falar em Cristo: Não tenho outro termo que não seja o do nojo para a constante referência de Ventura à sua – suposta – Fé. Relembro Cristo: “Não faças como os hipócritas que rasgam as vestes e rezam em voz alta no meio da praça. Tu: fecha-te no teu quarto e reza, sem ninguém ouvir, ao nosso Pai que está no Céu.”

Ou seja: Para Cristo, Ventura é um hipócrita. Para mim também o é.

Talvez Ventura seja Jeová, Evangélico ou de outra seita qualquer. Está no seu direito. Pode seguir “bispos” que andam de jacto privado e cobram a dízima aos pobres coitados. Não tem é o direito de me convocar para o voto católico. Nem para o da direita.

[“Eu não vejo estas coisas como direita e esquerda” – Ventura ao minuto 11 do debate com Seguro.]

De facto, não vê. Aliás não vê nada como direita e esquerda. Assumir-se como de direita – e a nossa triste classe comentadora considerá-lo como tal – é uma aldrabice na qual muitos caíram.

O leitor já pensou por que razão os comunistas no Alentejo, passaram de votar no PCP para votar no CHEGA? Deixaram de ser de esquerda radical? As pessoas mudam, é certo, mas mudam gradualmente. Ora, comunistas dos 4 costados que se revêm no discurso do CHEGA é apenas pela razão que o que é propalado por Ventura não dista muito daquilo que o PCP sempre gritou: Protecção absurda do emprego, resistência ao estrangeiro, direitos para portagens de graça, direitos para isto e para aquilo.

Ventura não é contra a subsidiodependência (desde que os usufrutuários não sejam imigrantes ou ciganos). Como é bom de ver essa não é a postura da direita no que respeita à economia. A talhe de foice: Já alguém lhe perguntou quanto gasta o Estado com ciganos e imigrantes? Devem os clubes de chinquilho em Lisboa receber mais…

Ventura queixa-se muito. Agora é dos apoios que Seguro tem recebido. Queria que a Direita se juntasse num género de gerigonça. Ora, eu entendo que a dita, patrocinada por António Costa, foi uma facada na legitimidade democrática. Ventura quer fazer uma gerigonça, mas sem se comprometer com nada nem ninguém, ou seja, sem qualquer tipo de papel assinado. Um cheque em branco a quem se sabe não cumpre com promessas e que mente despudoradamente.

Rui Ramos em artigo no Observador, instava Seguro a demarcar-se do discurso de quem não vota nele não é bom chefe de família. Muito bem. Ficou a faltar foi instar Ventura a não mentir, a não ofender, a repudiar frontalmente determinados movimentos como o 1143, a afirmar que será o Presidente de todos os portugueses, que condecorará Marcelo, que os ciganos são portugueses como ele, que os imigrantes são seres humanos que merecem a nossa compreensão (como Cristo ensinava…).a ser um ser humano minimamente decente.

Voltando às queixinhas de Ventura, a verdade é que – ao contrário do que diz ele e os seus seguidores – tem tido muitos apoios! O problema é que são ao nível desse valente ADN, essa força fantástica cuja líder nos coloca diariamente a seguinte dúvida: Será que é sã? Claro está que existem, aqui no Observador, alguns articulistas de renome – quase sempre de forma serôdia – a ajudá-lo. Cada um tem o que merece. Ventura responde, diminuindo o valor das individualidades que apoiam Seguro, colando-lhes, de imediato, um rótulo perto do corrupto. No entanto, continua a desejar ser o líder dessa – má, na sua opinião – gente. Depois, arenga com o povo. Só que o povo é tudo e não é nada, ou será que os milhões que votaram em Seguro não pertencem ao dito?

Neste momento Ventura é contra a tralha socialista. Tivesse Marques Mendes passado à 2.ª volta e Ventura era contra os do costume, os instalados, os dos negócios. Tivesse sido Cotrim e era contra o Príncipe Real, as elites, o liberalismo desenfreado, etc. Ou seja, contra aqueles a quem agora pede o seu voto.

Concluindo: Ventura não é o líder das direitas até porque não tem ideologia nenhuma. Acredita que é o “ungido” e o dono da razão. Obviamente que não é o mafarrico. Assim, diga o que quiser para quem quiser, mas deixe-se de partes e não se intitule líder do que não é.

Nesta eleição escolhemos o Presidente da República. Exige-se urbanidade, civismo, educação e cultura humanista, que são predicados ausentes em Ventura. Votar em Ventura não traz a PIDE, votar em Seguro não traz o PREC.

Uma coisa disse Ventura, que é verdade: Os votos dividem-se entre a seu favor e contra. Talvez fosse tempo de ele e os seus amigos perceberem o porquê da aversão que a esmagadora maioria dos portugueses lhe tem.

Das cinco possibilidades disponíveis a cada eleitor (abstenção, voto nulo, voto branco, André Ventura, António José Seguro) descarto ab initio duas (abstenção e nulo). Das três restantes e pelo acima aduzido, descarto Ventura (comprei há muitos anos a Larousse na Bertrand e continuo a fazer o que me ensinaram: Não se abre a porta a vendedores de enciclopédias e a Testemunhas de Jeová). Sobram duas que cumprem os mínimos da decência.