O recente processo eleitoral no Montijo revelou-se um capítulo sombrio na história da democracia local. No primeiro dia da assembleia de apuramento, na qual fui o único representante partidário que se dignou aparecer, foram detectadas irregularidades sérias em 17 mesas de votação, que obrigou à verificação parcial de algumas, e – pasmem-se, cada cavadela, cada minhoca – sempre que se abria mais um maço de votos válidos, lá apareciam mais 2 fora de sítio ou um voto válido com 4 cruzes em 4 partidos diferentes, mas atribuído a um deles (sabe-se lá porquê), cruzes em cima de símbolos entre outras. Foi este cenário alarmante que originou o nosso pedido de recontagem total dos votos, e o resultado final foi ainda mais esclarecedor: 31 das 47 mesas apresentaram problemas. Estas irregularidades não são incólumes ou inocentes – elas têm consequências directas na representação política do concelho.
No final, destapadas todas as minhocas, destacaram-se 58 votos que tinham desaparecido dos editais, 158 votos que estavam registados no partido errado (tendo voltado ao dono legítimo) e os 44 votos nulos que foram indevidamente considerados válidos, actas que declararam números que depois não se verificaram, actas que assumiram a retirada de votos da urna e resultados mal comunicados nos editais.
O impacto e a correcção de toda esta trapalhada implicou mudanças nas contagens finais de todos os partidos e a perda de um mandato na Assembleia Municipal pelo Movimento Cívico de Montijo (MVC) em favor do Partido Socialista (PS).
Uma verdadeira tragédia para a representatividade.
Um desastre.
A questão que se coloca é clara: quem é, de facto, responsável por esta situação? Os partidos políticos!
São eles que têm a obrigação de selecionar membros competentes e confiáveis para compor as mesas de voto. São os partidos políticos que têm a responsabilidade e a obrigação de formar as equipas. São os partidos políticos que têm a capacidade e o poder de rever a lei e melhorar todos os processos.
Os cidadãos depositam a sua confiança nas instituições, mas quando falhas como estas ocorrem, a confiança é rapidamente substituída por desconfiança. É fundamental que as lideranças partidárias reflitam sobre o seu papel e a sua responsabilidade. A manutenção de uma democracia saudável não pode ser apenas uma retórica; deve traduzir-se em acções efectivas e transparentes.
Concluindo, a situação presenciada no Montijo não é um caso isolado, mas sim um reflexo de um sistema que precisa de mudança. Os partidos são os principais responsáveis pela integridade do processo eleitoral, e é imperativo que façam uma auto-avaliação séria. Somente assim poderemos fortalecer a democracia e garantir que todos os votos, em todas as mesas, sejam respeitados e contabilizados de forma justa. A responsabilidade é de todos, mas a liderança cabe, acima de tudo, aos políticos.
Vamos assumir e resolver definitivamente isto? Vamos defender a Verdade?