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Sempre que ouvir esta música, significa que está tudo pronto para a app da Vizinha. Está connosco a Ana Pimentel, a editora de tecnologia e startups do Observador. Bem-vinda, Ana. Boa semana para ti.
Olá, Ana Filipa, boa semana para ti também, João Alexandre.
Ora viva. Ana, hoje vamos falar de uma coisa e eu gostava muito que explicasses tudo isto em pormenor. Vamos falar de phishing. O que é isto?
Exatamente, Ana Filipa, vamos sim. Os ataques de phishing, na verdade, são um dos vários cibercrimes que nos podem acontecer e por isso temos que ter aqui muito cuidado. Mas o ataque de phishing tem, regra geral, por objetivo roubar-nos alguns dados ou informações confidenciais. Aqui como, por exemplo, dados de cartões de crédito, bancários ou até a nossa identidade. No fundo, é uma fraude que é cometida online. E como é cometida esta fraude? Regra geral, através de um e-mail, de um número de telefone, de uma rede social, de uma mensagem, e passa muito por ter aqui o cibercriminoso a tentar passar-se por alguém ou até por alguma organização de confiança. Portanto, podem ser e-mails vindos de entidades completamente desconhecidas ou então a tentarem mascarar-se de algumas organizações que nós conhecemos e nas quais confiamos. E no fundo, são aqueles e-mails que nós muitas vezes recebemos e dos quais desconfiamos, porque são um pouco suspeitos. Porque podem vir de uma organização qualquer reconhecida, mas estranhamente pedem-nos dados bancários, que é uma coisa que não é comum, e desconfiamos com razão, porque na verdade eles podem ser mesmo maliciosos e representarem um ataque de phishing, que é um crime.
E Ana Pimentel, a verdade é que em Portugal também há muitos desses crimes.
Exatamente, há sim, João Alexandre. Segundo um relatório recente da Kaspersky, em 2020 foram identificados cerca de 430 milhões de tentativas de ataques de phishing no mundo. Portanto, são muitos ataques, muitas tentativas de ataque. São quase 500 milhões de tentativas. E neste relatório feito pela empresa de cibersegurança, Portugal é o segundo país com mais ataques deste tipo. Ou seja, no total, em Portugal, houve uma percentagem de 19,73% do total destes crimes que foram cometidos no mundo inteiro. À frente de Portugal, na verdade, muito perto, estão ali mesmo quase taco a taco, está o Brasil, com 19,94% do total destes crimes, portanto ambos os países muito perto da fatia de 20%. E estes dados foram recolhidos pela Kaspersky, que é uma empresa multinacional de cibersegurança. E além desta questão do phishing, também é interessante que a Kaspersky percebeu que com a pandemia de Covid-19 e a transição massiva das pessoas para o teletrabalho, a par de outros movimentos de digitalização da própria economia, a partilha de spam nos e-mails, que no fundo o spam é aquele considerado lixo eletrónico, aqueles anúncios que nós recebemos, mas que são indesejados, porque nós não estamos interessados naquilo, também aumentou mais de 50% em relação a 2019. Isto são dados referentes a 2020. Sendo que cerca de 21% deste tráfego teve origem na Rússia. Uma coisa interessante que a Kaspersky também detetou é que os alvos destes ataques de phishing aconteceram em lojas online.
E Ana, quais são os outros países que também foram muito alvo deste tipo de ataque?
Portugal está logo na liderança, infelizmente. Mas no top 10 feito pela Kaspersky, logo a seguir a Portugal está a França, que já totaliza uma fatia de 17,90% destes ataques. Depois, muito perto também está a Tunísia e a Guiana Francesa, ambos os países muito pertinho dos franceses, também com cerca de 17,60%. Depois segue-se o Qatar, os Camarões, a Venezuela, o Nepal, e a fechar este grupo de 10 países está a Austrália, com um total de 16,59% de ataques. De notar que França, por exemplo, já não aparecia neste top 10 desde 2015 e agora, com a pandemia, com aquilo que falámos há pouco, com esta transição massiva para o teletrabalho, das compras online, a telescola, nós digitalizámos muitos serviços da nossa sociedade, França voltou para o terceiro lugar.
Ana, e para estarmos todos mais precavidos, o que é que podemos fazer para evitar sermos enganados com estes e-mails e com estas mensagens?
Que é isso mesmo. Somos enganados com estas coisas. E sim, vamos lá a coisas práticas. O que esta empresa sugere e várias do gênero também sugerem, é alguns comportamentos que nós podemos adotar para evitar ser vítimas destes ciberataques. E ver se Portugal desce deste ranking, que é um ranking onde nós não queremos estar. O primeiro conselho pode parecer muito fácil, mas nem sempre com os comportamentos automatizados que nós temos nos computadores e nos nossos telefones, com a tendência de abrir tudo e clicar em tudo, às vezes caímos nesta tentação. Mas a verdade é que o primeiro conselho é não abrir quaisquer ficheiros ou anexos que nos cheguem por e-mail ou noutro formato, seja redes sociais, SMS, o que for, que nos pareçam suspeitos. Ter sempre um sentido crítico antes de abrir uma coisa, antes de clicar numa hiperligação, tentar perceber o que é. Sobretudo se tiverem como emissor pessoas ou organizações que nós não conhecemos, nunca ouvimos falar. Portanto, só aí é de desconfiar. Normalmente estes e-mails têm um link e pedem-nos para seguir o resto da informação por link ou pedem-nos para descarregar anexos para o nosso computador ou smartphone e a ideia é não o fazer de todo, porque é através destes mecanismos que eles depois conseguem entrar nas nossas contas e aceder aos nossos dados, que supostamente devem ser privados e não de fácil acesso. Depois também é importante verificar sempre o endereço do site, a forma como a empresa se apresenta e até a ortografia. Estes sites falsos podem ser muito parecidos aos verdadeiros Mas se forem analisados com atenção, é muito fácil verificar que podem ter erros, ligações suspeitas e erros ortográficos, ou podem ter imagens que nos parecem suspeitas. E não se esqueçam que um site para ser seguro, é preciso verificar se, por exemplo, o endereço começa com https. Regra geral, quando estes endereços começam por https, é sinal de confiança e também costumam ter um ícone de cadeado muito próximo do endereço do site.
Portanto, é estar atento a esses detalhes. Tu aqui, Ana, já falaste de um pormenor também que eu acho importante reforçar, porque normalmente as empresas de confiança não pedem, por exemplo, dados pessoais por e-mail.
Exato, Ana Filipa, não pedem. Se nós recebermos um e-mail suspeito de uma organização que é credível e de repente nos está a pedir dados bancários, a primeira coisa que podemos fazer é, por exemplo, tentar contactar a empresa, seja ligando ou através de outros canais oficiais e questionar a empresa se, de facto, estão a pedir aquilo, porque regra geral não pedem. Isso é logo um alerta. Os dados pessoais não são pedidos assim por e-mail. Além dos anexos, que foi uma coisa que eu há pouco disse, uma das formas também de nós evitarmos sermos apanhados de surpresa, mesmo quando os e-mails podem vir de organizações que à partida nos parecem respeitáveis, mas que não são os verdadeiros emissores daquele e-mail, também é importante não descarregar ou instalar aplicações com origem em fontes que nós não confiamos. Portanto, sempre que nos pedem para instalar ou descarregar um programa para o computador ou para o smartphone, tentar perceber de onde é que ele vem, quem é que faz aquilo, que programa é aquele. Outra dica que nós podemos ter aqui para evitarmos cair neste tipo de esquema é o velho truque de criar palavras-passe fortes e únicas. Se possível, que tenha uma mistura de letras minúsculas com maiúsculas, tenha números, pontuação, em vez de cairmos naquele truque fácil de usarmos sempre as mesmas palavras-passe para todas as contas que fazemos. Também temos aqui a opção de permitir a autenticação de dois fatores, também é uma hipótese. Podemos aumentar a segurança das nossas contas através deste tipo de opção. E depois também manter as aplicações, os programas, os sistemas operativos sempre atualizados. Ou seja, às vezes temos aqueles alertas do "é preciso atualizar esta aplicação, já há uma versão recente". E bom, é importante fazer estas atualizações, quer no sistema operativo, quer nos programas, porque a verdade é que quando estas atualizações são feitas, elas vão reparando alguns bugs, algumas vulnerabilidades, que no fundo, depois o que fazem é evitar que este tipo de ataque aconteça. E, portanto, são úteis. É útil, apesar de parecer que não, é útil fazermos estas atualizações volta e meia aos nossos smartphones e computadores. E por último, também podemos instalar um software antivírus que nos ajuda a gerir tudo isto, mas à partida, ter este sentido crítico, ter algum cuidado redobrado com as coisas que abrimos, seja no e-mail, seja nas redes sociais, seja em plataformas de chat, já é meio caminho andado para nós não sermos apanhados desprevenidos com anexos de ligações que nos podem querer roubar dados pessoais e até usar a nossa identidade para outros fins.
Ora, o que não rouba nada a ninguém, só acrescenta, é a newsletter de startups. Estás a trabalhar nela, não é verdade?
Gostei muito agora dessa introdução.
Pensei que ias dizer assim: "Ana Pimentel, já nem me lembrava."
Verdade. E agora amanhã também seria interessante. Nunca aconteceu eu esquecer-me de uma newsletter, mas eu olha a portada amanhã. Amanhã lá está ela. E sim, amanhã lá está ela, não rouba nada, acrescenta informação, explicação, espero eu, pensamento crítico. E sim, ali por volta do final de tarde, a newsletter Startups chega ao correio dos nossos leitores com as novidades dos negócios tecnológicos da última semana.
Portanto, se nos está a ouvir e ainda não assinou a newsletter de Startups, shame on you, como se costuma dizer, e passe pelo site do Observador para começar a subscrever e para receber as novidades do universo tecnológico. Ana Pimentel é editora de Tecnologia e Startups do Observador e está sempre conosco todas as semanas na "Época Vizinha". Obrigada, Ana. Até para a semana.
Até para a semana. Adeus.
Adeus, Ana. Rádio Observador. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.