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Tudo pronto para mais uma edição da App da Vizinha. Junta-se nós, ainda à distância, a Ana Pimentel, da editora de tecnologias e startups do Observador. Olá, Ana, boa semana.

Olá, Ana Filipa. Olá, João Alexandre.

Olá, viva.

Boa semana pra vocês.

Boa semana.

Ana, eu tenho ouvido várias coisas sobre a Zoom, esta aplicação que nos permite fazer videochamadas em grupo, mas explique-nos exatamente o que se está a passar.

É isso, Ana Filipa. Não se tem falado outra coisa nos últimos tempos, sobretudo se formos pessoas que precisam de usar uma aplicação de videochamadas que dê para ter muitas pessoas ao mesmo tempo online. E aqui, antes de começarmos a detalhar os problemas, acho que vale a pena explicar o que é o Zoom, afinal. O Zoom é um serviço gratuito de videoconferência que permite ter até 100 pessoas numa mesma chamada com duração de 40 minutos. É uma aplicação muito intuitiva, muito fácil de usar e que permite uma série de funcionalidades ao mesmo tempo de uma forma gratuita. Se formos assinantes deste serviço, pagando uma mensalidade, podemos aumentar esta duração de chamada e ter ainda mais ferramentas. A empresa está a ser muito falada agora, mas não é de todos e agora, já nasceu em 2011. Tem sido usada muito como ferramenta de trabalho por várias empresas tecnológicas, porque de fato tem uma forma de funcionar muito acessível e muito intuitiva. Mas agora, neste contexto de confinamento e isolamento social, em que todos nós dependemos tanto deste tipo de tecnologias para estarmos mais próximos, quer dos nossos colegas de trabalho e das nossas filhas, como da nossa família, como há pouco estávamos a dizer, e até dos nossos amigos, o Zoom viu o seu número de utilizadores e de chamadas crescer bastante. Com isto, começaram também a crescer outros alertas. Os alertas em relação aos problemas de privacidade, que aqui começaram a soar mais alto, porque não são propriamente novidade. Na verdade, os problemas de privacidade do Zoom não são de agora. Já há algum tempo que se sabe que a aplicação tem algumas vulnerabilidades.

E Ana, houve mesmo investigações e empresas que baniram esta aplicação. Foi isso que aconteceu, não é?

Sim, João Alexandre, foi isso que aconteceu e vou dar aqui apenas um exemplo. Em setembro de 2019, a revista Wired publicou um artigo que comprovava as vulnerabilidades da aplicação, falhas no sistema que permitiam a hackers, os piratas informáticos, acederem às câmeras, às webcams que temos nos computadores e telemóveis. Diziam eles que o Zoom tinha exposto a segurança de cerca de quatro milhões destas câmeras e de 750 mil empresas. Portanto, muitas pessoas que foram atingidas por esta vulnerabilidade. E isto era pré-COVID-19. Este é um dos exemplos. Entretanto, com o aumento da utilização, os alertas sobre este assunto, as vulnerabilidades da privacidade dos utilizadores do Zoom, começaram a surgir uma série de notícias que davam como consequência, como seria de esperar, a atitude de várias empresas perante isto. Houve várias que proibiram a utilização da app. O Elon Musk, por exemplo, baniu a plataforma da SpaceX, a empresa aeroespacial que ele tem. Nos Estados Unidos, a NASA proibiu o Zoom, o FBI também tem alertado as pessoas para os problemas de privacidade da app. Há procuradores em vários estados norte-americanos que têm aberto investigações à empresa. Aqui na Europa também já houve uma série de medidas. Por exemplo, no Reino Unido, o Ministério da Defesa britânico também baniu a app. E as notícias sobre este tipo de medidas que quer entidades governamentais ou empresas estavam a tomar, começaram a escalar. E aliás, um dos acionistas da Zoom, que se chama Michael Dreyfus, espero estar a dizer este nome bem, processou a empresa no Tribunal de São Francisco, nos Estados Unidos, acusando-a mesmo de omitir as vulnerabilidades no sistema de encriptação da aplicação. E aqui este sistema é aquilo que permite que aquilo que se passa na aplicação não seja acedido e compreendido por terceiros. E acusa também de partilhar dados de utilizadores com empresas como o Facebook, que foi uma das notícias que foram surgindo ainda aqui na época pré-pandemia. E portanto, sim, têm sido várias as empresas e várias as instituições que têm se manifestado contra a utilização da aplicação e mesmo recomendando que se opte por outras alternativas.

E perante isso, como é que a Zoom tem reagido?

Olha, Ana Filipa, como tem sido habitual por estes líderes tecnológicos, com pedidos desculpas. O presidente executivo da empresa, o Eric Yuan, pediu desculpas, lamentou as falhas que tinham sido tratadas na sua empresa, na sua aplicação. Reconheceu não estar a cumprir com as expectativas de segurança e privacidade da comunidade e comprometeu-se com uma série de melhorias. Na quinta-feira passada, anunciou uma série de medidas para reforçar a segurança e a privacidade das pessoas. Implementou uma função de segurança que agora permite eliminar participantes das videoconferências rapidamente, limitar o número de participantes, pô-los em espera, evitar que se partilhem conteúdos. Uma série de medidas que visa que as pessoas estejam agora mais descansadas, ou promete pelo menos que fiquem mais descansadas ao utilizar a aplicação. Mas, no fundo, a polêmica está lançada, a reputação da empresa também já está a sofrer várias consequências e o que foi exposto, já foi exposto. Portanto, isso já não dá para apagar da história.

Mas portanto, Ana, tu tens alternativas ao Zoom

Sim, porque apesar de esta aplicação estar a ser muito utilizada, não é a única. E nós podemos substituir aquilo que a Zoom faz por outras aplicações. O Facebook ainda agora lançou recentemente a app do Messenger para computador, ou seja, se quisermos fazer uma videochamada no computador, antigamente tínhamos sempre de abrir o Facebook para o fazer. Agora podemos abrir só o Messenger, instalá-lo como uma aplicação autónoma, tal como já acontece no nosso telemóvel. Estas videochamadas do Messenger são gratuitas e ilimitadas, mas tem aqui um senão: só dão para ter oito pessoas na mesma videochamada. No WhatsApp, mesma coisa, também é possível fazer chamadas em grupo, mas só na aplicação mobile. No desktop, no computador, não dá para fazer essas videochamadas. E aqui o limite é ainda menor, portanto, só permite quatro pessoas ao mesmo tempo numa videochamada, será uma coisa muito mais entre família ou entre um grupo de amigos. Além destas, temos o velho Skype, que não sei se vocês se lembram, mas foi a primeira empresa deste gênero que nós começamos a utilizar e que permite chamadas de áudio e vídeo até 50 pessoas de forma gratuita. Depois, para as empresas que têm a solução de ferramentas da Microsoft, há também o Microsoft Teams, que apesar de ser uma solução paga, a empresa decidiu agora disponibilizá-la gratuitamente no decorrer desta pandemia. É também uma aplicação acessível por uma hiperligação, por um link, e tem capacidade para reunir até 250 pessoas na mesma videochamada. Depois, na Google, temos aqui várias opções. Temos o Google Hangouts, que é o serviço de chat do Google, que está associado a uma conta de Gmail e permite fazer videochamadas até 10 pessoas. Para as empresas, há uma variação desta funcionalidade, que é o Google Meet, e aqui permite que estejam no mínimo 100 pessoas na mesma videoconferência, dependendo os planos, há aqui vários planos de subscrição desta opção. Mas no mínimo dá para ter 100 pessoas. E ainda há uma aplicação, que também podemos instalar no nosso telefone, que é a aplicação Google Duo, também gratuita, que permite fazer videochamadas até oito pessoas. Há o FaceTime para quem tem o sistema operativo iOS, portanto, para quem tem iPhone. E para uma coisa mais descontraída, para jogar com amigos, estar na conversa, matar saudades, há o Houseparty. Aqui o Houseparty também teve um pique de popularidade nos últimos tempos. Permite conversas grupo até oito pessoas, mas sobre esta aplicação eu vou vos recomendar ler a crônica que o Manuel Pestana Machado fez e que está publicada no nosso site. Ele passou um fim de semana a usar esta aplicação e conta-nos o que achou e como proceder para usar esta aplicação.

Ana, já estamos no limite do nosso tempo. Ia te perguntar amanhã a newsletter, mas de qualquer forma é sempre preciso ter cuidados, obviamente, quando usamos todas estas aplicações que nos disseste.

Sim, era isso que eu ia dizer. É preciso ter sempre cuidado com a nossa privacidade em relação às palavras-passe, em relação àquilo que partilhamos, quem deixamos entrar nas nossas conversas, fazer atualizações do sistema mal elas saiam. E sim, há uma série de medidas de precaução que podemos utilizar em qualquer uma dessas alternativas. E amanhã não é preciso medida de precaução nenhuma para receber a Newsletter Startups, que ela vai chegar ao vosso e-mail direitinho à tarde, como sempre, como tem sido habitual, mesmo que à distância.

É isso mesmo. A Ana Pimentel é editora de tecnologia e startups do Observador, juntou-se a nós, como é habitual, à segunda-feira, sempre depois das notícias das 19h, para falar de tecnologia. Ana, obrigada, até para a semana.

Até para a semana. Adeus.

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