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Boa tarde. A Caminho de Belém, a campanha eleitoral entrou na segunda e derradeira semana. Até sexta-feira, os 11 candidatos vão andar pelo país no apelo ao voto, numa altura em que ninguém consegue, com uma segurança mínima, apontar um vencedor e nem sequer quem passará a uma segunda volta. Para este A Caminho de Belém, fizemos convites às cinco candidaturas que seguem na frente das intenções de voto nesta altura e aceitaram o nosso convite Adalberto Campos Fernandes, apoiante de António José Seguro, Cristina Rodrigues, apoiante de André Ventura, a apoiar Henrique Gouveia e Melo, temos André Pardal e também Rodrigo Saraiva, apoiante de João Cotrim de Figueiredo. Muito boa tarde. Muito obrigada pela vossa disponibilidade para esta edição do A Caminho de Belém da Rádio Observador. Adalberto Campos Fernandes, vou começar por si, porque Pedro Nuno Santos acabou de anunciar esta manhã o apoio a António José Seguro. O candidato quase que desvalorizou. Disse que Pedro Nuno Santos é um dos vários apoios que tem recebido. Isto quer dizer que há alguns apoios que podem ser presentes envenenados e que podem retirar a aura de moderação que Seguro tem procurado?

Não, de forma nenhuma. Bom dia, em primeiro lugar, à Carla e aos companheiros de debate. De forma alguma. O António José Seguro tem dito desde o primeiro minuto que a sua candidatura é nacional e dirige-se a todos os cidadãos. Naturalmente que é importante, até em nome de uma unidade e de uma união que revela o envolvimento forte do Partido Socialista, que os diferentes líderes do partido possam estar em volta desta candidatura. Isso é prestigiante, isso só, como tem dito António José Seguro, enobrece este caminho. Aliás, acontece com todos os candidatos e a todas as candidaturas que aqui estão neste debate, que têm, de alguma forma, uma vinculação ou uma origem ou uma ligação a um partido, que os candidatos estão a ultrapassar os limites do seu próprio partido, à exceção de uma das candidaturas. Mas de resto, isso não me parece que traga, antes pelo contrário, acrescenta valor, acrescenta riqueza à candidatura e abre, sobretudo, a setores da sociedade que são importantes e têm um pensamento bastante diferente, mas importante dentro do contexto do próprio apoio partidário.

Quando diz que há uma candidatura que não está a alargar os apoios à base eleitoral de origem, está a falar de André Ventura?

De Marques Mendes. Menos de André Ventura. Enfim, como disse a Carla no princípio, nós estamos numa semana muito decisiva e eu não daria muita importância ao andamento das sondagens, porque esta semana vai ser decisiva. Eu não estou certo que André Ventura esteja muito longe daquilo que é a sua base eleitoral natural, do próprio partido Chega. Eu estava a pensar, naturalmente, àquilo que as sondagens têm projetado em relação à candidatura Luís Marques Mendes. Aí parece haver, de facto, um distanciamento muito impressionante e até surpreendente, mas não me parece que relativamente à candidatura do André Ventura, que esse distanciamento exista e as sondagens que estão a ser feitas devem ser olhadas como instrumentos de análise política. Vão sair entre hoje e quarta-feira sondagens clássicas, tradicionais, não em metodologia tracking poll. E há, de facto, uma semana de campanha que vai ser muito intensa. Há um medidor importante que é as campanhas, como é que estão a ocorrer. Do nosso lado, a satisfação é enorme, porque há muitos anos que não se via um envolvimento tão grande e uma mobilização tão grande da sociedade, que extravasa muito o perímetro do próprio Partido Socialista. É um indicador muito importante.

Tentei acertar esta questão de André Ventura, porque de manhã veio uma declaração de João Cotrim de Figueiredo, que admitiu que numa segunda volta em que ele não esteja presente, poderá votar em André Ventura e, por isso, Rodrigo Saraiva, a quem cumprimento também, lhe pergunto se esta declaração de Cotrim de Figueiredo quer dizer que acabaram as linhas vermelhas.

Muito bom dia a todos. Eu soube há pouco desses títulos que estavam a sair e até foi no site do Observador que fui ver a citação feita pelo vosso jornalista, portanto, eu penso que está completamente fidedigno. O que João Cotrim de Figueiredo diz é que não exclui qualquer candidato, ele não diz o que é que vota. Mas isso pra mim é muito irrelevante, porque há uma certeza que eu tenho. E a cada dia que passa, e aquilo que os estudos, e como o Adalberto disse bem, os estudos servem para as pessoas verem sentimentos, há um sentimento que eu penso que todos estamos de acordo. A candidatura de João Cotrim de Figueiredo é aquela que está a ter o maior crescimento. Não há dúvidas que João Cotrim de Figueiredo está muito além daquilo que é o seu espaço político natural. E isto significa, eu tenho muita convicção disso, que João Cotrim de Figueiredo vai estar na segunda volta. Portanto, a não ser num cenário que João Cotrim de Figueiredo não votaria em si próprio, é que poderíamos estar a falar disso. Eu tenho a certeza que João Cotrim de Figueiredo vai ter que, na segunda volta, votar em si próprio. É neste cenário que eu, a cada dia que passa, estou mais convicto. E eu tive hoje a felicidade, por uma conciliação de agendas, de estar de manhã no Mercado do Fundão, que é a minha terra paterna, digamos assim, com o João, e ver aquilo que é a forma, independentemente das idades, as pessoas terem com o João, a forma como falam com ele, e acima de tudo, aquilo que eu vi naquelas pessoas e que eu tenho sentido, aquilo que eu tenho visto, a esperança que João Cotrim de Figueiredo está a transmitir a este país, que é aquilo que nós precisamos. João Cotrim de Figueiredo é um candidato... Aliás, há uma coisa muito interessante que a Rádio Observador lançou há pouco tempo Um podcast sobre as eleições presidenciais de 1986, com o título "A campanha mais louca de sempre". E eu já vi pessoas nos últimos dias dizerem que esta campanha de 2026 é a mais imprevisível de sempre. Eu acho que está imprevisível, mas a cada dia que passa estou muito mais certo, que há uma certeza que há: João Cotrim Figueiredo vai estar na segunda volta.

E essa frase de hoje de João Cotrim Figueiredo, que de resto é ipsis verbis, como está no site do Observador, pode ser uma espécie de uma gafe? Pode abrir aqui uma certa dúvida sobre a confiança que o próprio candidato tem sobre a sua prestação.

Não há dúvidas nenhumas e acho que todos que estamos aqui neste debate, já fizemos todos muitas campanhas. Sabemos que estes 15 dias da chamada campanha oficial são muito intensos. Permanentemente os jornalistas com muitos microfones à frente, fazem muitas perguntas, há muitas coisas que são ditas e aliás, eu ouço a declaração. Eu não ouvi no momento esta conversa de João Cotrim Figueiredo com os jornalistas, mas há aqui uma parte, e está aqui isto escrito. Eu conheço o João, a parte que diz: "André Ventura, nos últimos quatro dias eu ainda não o conhecia, mudou o discurso e parece um político diferente". Isto é a plena ironia que João Cotrim Figueiredo estava a usar, de certeza. E acho que todos, e podem depois perguntar ao Pedro Jorge Castro, que estava lá, também não sentiu a ironia. E o João é uma pessoa que fala muito sério sobre os temas, mas também é uma pessoa que tem alguma descontração e usa muito a ironia. Foi um momento de ironia que houve nesta campanha, como todos os candidatos vão ter. São 15 dias muito intensos e aliás, o Adalberto também falou já há pouco disso. Esta última semana, a intensidade vai aumentar. Eu espero é que seja uma intensidade pela positiva, que os candidatos falem daquilo que representam e que não haja jogadas feias, porque há candidaturas que obviamente estão em queda, não conseguem agregar sequer o seu espaço político. E sim, para não me perguntar, estou a falar da candidatura de Luís Marques Mendes, mas também que não me surpreende. As pessoas que me conhecem sabem, eu já fui militante do PSD. Eu tenho memória daquilo que foi a presidência de Luís Marques Mendes no PSD e alguém que quer ser presidente da República é para unir e para agregar. Nos tempos em que Luís Marques Mendes presidiu ou liderou, só fez foi divisão. Foram tempos de grande divisão no PSD e eu sei, eu conheço a família PSD porque já lá estive. A família PSD não quer voltar a tempos de divisão. E olham, naturalmente, para João Cotrim Figueiredo, porque veem nele alguém com a capacidade de unir, de agregar e dizer aos portugueses: "Temos de olhar para o futuro, isso é que é importante".

Já vamos olhar para o perfil dos restantes candidatos. Cristina Rodrigues, bem-vinda também. Não sei se teve a oportunidade de ouvir mesmo pela voz de Cotrim Figueiredo, essa afirmação em que admitia votar em André Ventura numa segunda volta. Isso seria um sinal importante para a candidatura de Ventura, ou também entende isto como ironia por parte do candidato?

Olá, bom dia a todos. Eu não ouvi, também li, tal como o Rodrigo. Eu não acho que seja ironia. Eu acho que João Cotrim Figueiredo sabe que não vai à segunda volta e sabe que a única pessoa que tem capacidade para ser presidente da República e efetivamente mudar o rumo do país é André Ventura. Portanto, eu acho que é absolutamente razoável a afirmação de João Cotrim Figueiredo.

Isto significa, em todo o caso, que André Ventura está a conseguir alargar a base eleitoral do Chega? Tem essa perceção, Cristina Rodrigues?

Eu acho que sim. Nós se formos ver, há cinco anos, quando foram as últimas presidenciais, André Ventura teve uma votação superior àquela que o partido tinha tido nas legislativas. E acho que, tal como muitas vezes se diz, a figura de André Ventura é muito central dentro daquilo que é o Chega e eu acho que ela vai além do Chega. Há pessoas que podem até não simpatizar com o partido, mas simpatizam com a pessoa em si. E simpatizam porque sabem que é uma pessoa de convicções fortes, sabem que é uma pessoa com uma enorme energia, com uma enorme vontade de mudar Portugal. E eu acho que há muitas pessoas que depositam a sua confiança e a sua esperança, efetivamente nessas características pessoais que André Ventura tem. Portanto, eu acho que ele tem uma capacidade de agregar muito além daquilo que é a base eleitoral do Chega.

André Pardal, bem-vindo também a este Caminho de Belém. Estamos aqui a falar de apoios que as candidaturas vão recebendo nesta metade da campanha eleitoral e este fim de semana, 100 personalidades ligadas à AD assinaram o manifesto de apoio a Henrique Gouveia e Melo. Muitos destes apoios já eram públicos. Ainda assim, até que ponto é que Gouveia e Melo precisa desta validação de políticos com experiência?

Bom dia a todos. Cumprimentá-los a todos. O amigo Gouveia e Melo não precisa da validação. Acho que ele acolheu com muito agrado esse apoio de 100 personalidades, dirigentes atuais e antigos dirigentes dos partidos que compõem a AD, como também tem, e são públicos, apoios de militantes e dirigentes de outros partidos, nomeadamente o Partido Socialista. E o que mostra, seja esse manifesto, seja todas as intenções e todos os apoios expressos no ambiente de Gouveia e Melo, é que de facto há aqui dois tipos de candidatos. Há os candidatos que representam os seus partidos. Uns, que está aqui foi dito hoje, conseguem o pleno nas intenções de voto dos seus partidos, outros que até os ultrapassam, outros que ficam aquém, não entrando nessa guerra, e depois há um candidato que, de facto, é um candidato independente, que está suprapartidário e que de facto candidata-se mesmo a Presidente da República, e não a uma segunda volta das legislativas, com um projeto, com todo o respeito por todos os candidatos, os que estão aqui representados e os que não estão, um projeto partidário, independentemente de ser mais ou menos expresso, como já aqui foi referido. E de facto, a candidatura do amigo Gouveia e Melo, ao contrário das bolhas mediáticas ou de intenções de voto, como disse bem o professor Adalberto Campos Fernandes

Numa tracking poll que, recordo, há quatro anos atrás, essa mesma tracking poll dava a três, quatro dias das eleições legislativas o Dr. Rui Rio e o Dr. António Costa empatados e com intenções do Dr. Rui Rio ganhar as eleições. Sondagens, estudos de opinião servem isso mesmo para medir tendências, para avaliar. Agora, de facto, o mais importante que tudo é o sentimento das pessoas, e não só as pessoas em Lisboa e Porto, eu peço desculpa, nem as pessoas que dão a sua intenção de voto ao tracking poll. É as pessoas no país todo. E no país real, o almirante Gouveia e Melo tem andado pelo país há muito tempo. Então nesta campanha eleitoral, tem sentido, de facto, o apoio de militantes, de dirigentes dos vários partidos, de independentes, de pessoas que estão cansadas de mais do mesmo, cansadas de discursos redondos, de campanhas eleitorais, mas depois quando são eleitos, os políticos fazem exatamente o mesmo. Cansado de pessoas que nunca puseram o interesse nacional à frente do interesse particular ou do interesse partidário. E de facto, o almirante Gouveia e Melo, com os seus 45 anos de vida dedicada ao país, com trabalho conseguido, como os portugueses reconhecem, no combate à Covid-19, também no combate aos incêndios na Marinha, uma pessoa que anunciou há um ano e meio atrás a instável situação internacional que hoje a todos nos entrou pela porta da frente e que muitos dos candidatos aqui apresentados gozavam ou negligenciavam, ou atacavam por excesso de matar, ou por ser alarmista. Mas hoje, de facto, e nesta campanha eleitoral tem-se discutido pouco isso, vivemos uma situação internacional muito preocupante e de facto o almirante Gouveia e Melo é a única pessoa, não só que falou, como tem profundo conhecimento dessa matéria.

Ora, neste A Caminho de Belém, temos a oportunidade, agora em última hora, de conseguir também ter o diretor de campanha de Marques Mendes, que conseguiu arranjar espaço na agenda para se juntar também a esta análise. Duarte Marques, muito obrigada, uma boa tarde. Faço-lhe a mesma pergunta, balanço desta primeira semana de campanha com esta ideia deixada aqui pelo André Pardal de que as sondagens não devem ser tão valorizadas. Há muita gente a dizer que Marques Mendes está a acusar o facto de estar a perder gás no barómetro, sobretudo.

Boa tarde. Não, esta é uma campanha eleitoral, a última semana de campanha, depois de meses de campanha, que é muito marcada pela forma como essa tracking poll, que não tem grande validade técnica e realidade, acaba por condicionar a campanha. Não digo que condicione a campanha de cada um dos candidatos, porque quem anda na rua se apercebe que a realidade é diferente daquela que vai sendo transmitida, mas é uma espécie de vento negativo que condiciona a opinião, as próprias notícias, aquilo que num dia era bom, no dia a seguir, depois desta sondagem, já parece que é mau. A expressão das pessoas que é exatamente a mesma no dia antes da sondagem do tracking poll, no dia a seguir já parece que é triste e, portanto, a realidade do terreno revela exatamente o contrário. Quem anda no terreno percebe que as campanhas, cada uma delas tem as suas vantagens e as suas desvantagens, mas nós no terreno não sentimos que as pessoas estejam a deixar de apoiar ou a apoiar mais. Há uma adesão muito forte no nosso caso, que é aquela que eu vejo na campanha eleitoral, uma simpatia muito grande. Agora, é óbvio que estas sondagens que vêm surgindo acabam por condicionar muito o debate que é feito e aquilo que passa pelas televisões. Como há bocado dizia o André Pardal ali bem, esta sondagem deu o Rui Rio a ganhar António Costa, e depois teve uma maioria absoluta. O perigo que há neste tipo de sondagens é que podem condicionar a opinião pública naquilo que é o voto útil. E se nós olharmos bem para aquilo que está a acontecer, agora todos são da AD e do PSD, toda a gente vê coisas fantásticas na AD, toda a gente quer ter o voto da AD, desde a iniciativa liberal até os candidatos que são contra os partidos. Mas na realidade, nós temos que olhar para frente, manter a estratégia, não mudar a estratégia em função destes resultados, porque nós se queremos ser coerentes, não podemos ser cataventos. E andar aqui a querer apelar ao eleitorado de outros partidos todos os dias e dizer mal num dia e dizer bem do outro. Hoje até vimos que Cotrim dizer que votaria em...

Em André Ventura, em que poderia votar.

Em que poderia votar, aliás, não é erro nenhum, é um erro gravíssimo de campanha que agora o Rodrigo tentou dar a volta, mas aquilo que era quando o liberalismo era uma barreira ao extremismo, parece que o liberalismo se convenceu que o extremismo também é o caminho. E isso não faz sentido nenhum. Há uma coisa que nós olhamos e temos o cuidado de ver, é que esta campanha eleitoral é uma campanha a duas voltas. Eu claro, obviamente que acredito que o Marques Mendes vai estar na segunda volta, mas aquilo que me parece, queria terminar aqui, é que nós estamos perante duas situações. Se por acaso André Ventura for à segunda volta contra António José Seguro, não consegue ganhar. A Ventura nunca ganha na segunda volta. E Cotrim também não ganha na segunda volta. O único candidato que numa segunda volta pode ganhar, tanto a Ventura como a António José Seguro, é Luís Marques Mendes. Isso parece-me evidente. E as pessoas têm que ter isto em consciência quando vão votar.

Quando vão votar. Duarte Marques e o resto dos nossos participantes, Rodrigo Saraiva, André Pardal, Adalberto Campos Fernandes e Cristina Rodrigues. Vamos fazer uma pausa nesta análise à campanha para atualizar as notícias. Voltamos já a seguir. Até já. Estamos na segunda parte do A Caminho de Belém, com apoiantes das cinco candidaturas que seguem à frente nas intenções de voto. Ainda há pouco, Duarte Marques dizia-nos que esta campanha tem que ser pensada a dois tempos, a duas voltas. Nesse sentido, de regresso ao Adalberto Campos Fernandes, nesse sentido, a teoria dos cestos e dos ovos que António José Seguro ensaiou vai continuar a estar presente nestes dias que faltam?

Sim, eu vou já a essa pergunta, mas permitam, porque eu ouvi os colegas todos que participaram antes e há aqui dois ou três comentários que eu gostaria de deduzir. Primeiro, eu não tenho nenhuma procuração pela empresa, pela Pitagórica, que está a fazer o tracking poll para a CMTV, mas em bom da verdade, o que está a ser dito não corresponde à verdade. Portanto, os dados, se forem revisitados, verifica-se que o tracking poll na última semana convergiu e acertou, e aliás, foi das empresas todas aquela que teve uma margem de falha menos relevante, foi a que falhou menos. Agora, dito isto, eu volto ao que disse no princípio. Amanhã vão sair outras sondagens, na quarta-feira. As sondagens são instrumentos de trabalho e, portanto, os candidatos serão melhores, serão piores, mas como dizia o Eduardo, a verdadeira sondagem é no dia 18 e esta semana é uma semana de combate político muito intenso. O outro aspecto, eu acho que o Rodrigo de alguma forma abordou isso com alguma prudência, mas o início desta semana fica marcado por um erro que eu diria que pode ser o erro que marca esta campanha, que é o erro fatal de João Cotrim de Figueiredo. É um homem liberto, às vezes ultimamente ligeiro na forma como aborda os temas. O que ele disse pode ser fatal do ponto de vista, por um lado, de uma unidade à esquerda e no centro-esquerda de voto útil em torno da candidatura que melhor personifica esse espaço. E por outro lado, naquilo que são os democratas ligados ao centro-direita, olham para esta afirmação e provavelmente o grande beneficiário líquido desta afirmação vai ser Luís Marques Mendes. Vamos ver a sondagem de amanhã, salvo erro da Católica e depois da Intercampus, se eu estarei ou não errado nesta percepção. Finalmente, eu gostava de dizer uma palavra sobre esta ideia. O António Gessur nunca fez, foi talvez o único candidato que não andou a fazer campanhas sujas, a alimentar lama, a ofender ninguém e muito menos a chamar sicários aos adversários. E é preciso que se diga que a Presidência da República precisa de cultura política e cultura democrática, de experiência política e experiência democrática. E nem é uma empresa para ser gerida numa lógica de CEO, nem é sequer uma entidade que tenha que beneficiar de um aspecto de organização logística. E eu, enquanto profissional de saúde, acho que ficaria bem a algumas pessoas não avocarem para si o mérito daquilo que foi o sucesso vacinal praticado por dezenas de milhares de médicos e enfermeiros, substituindo esse mérito a uma organização de logística, de transporte de ampolas e da organização digamos, funcional de uma campanha. Isso é injusto e já começa a cansar um bocadinho essa ideia de avocar o sucesso e o mérito dos outros para tirar daí vantagem política, parece ser até um oportunismo pouco digno. Portanto, em síntese, António Gessur continuará a fazer uma campanha positiva, respeitosa, apresentando aquilo que é o seu maior ativo, que é uma pessoa com um percurso íntegro e com uma vida limpa e desprendido de apoios comprometedores, como infelizmente nós outras candidaturas vemos. E terminaria como comecei. Eu acho que o que vai marcar provavelmente esta semana é esta enorme gafe de João Cotrim de Figueiredo, que pode ter consequências e que pode estragar uma campanha que vinha a correr tão bem, tão bem construída, eu diria a melhor campanha, não tenho dúvida nenhuma do ponto de vista de marketing, a melhor campanha de todas naquilo que é sobretudo o digital e a perceção nas redes. Mas de facto há coisas que em política ou se dizem ou não se dizem, e ao se dizerem, de facto há um preço muito elevado que seguramente vai ser pago.

Falou aqui em sicários nas declarações de ontem de Henrique Oliveira e Melo. André Pardal, para quem queria estar acima das politiquices, será que Henrique Oliveira e Melo está muito parecido com os restantes adversários?

Não. Eu também antes de acrescentar isso, referir aqui que não é de agora, mas esta mania de reduzir o candidato almirante Henrique Oliveira e Melo a um processo logístico é uma falácia e percebe-se quando há pessoas que defendem candidatos que nunca geriram nada, nem sequer o seu próprio partido, porque foram corridos, esta é a palavra certa, por incompetência e má figura.

Está a ver, André, essa é a linguagem que nós não usamos do lado de cá. Vocês têm treinadores de linguagem de muito baixo nível.

Eu não estou a opinar.

Mas pronto, vocês estão a ofender as pessoas, têm que levar a resposta.

Não estou a ofender todos, é o que aconteceu. Agora, reduzir uma carreira de 45 anos na Marinha a um processo de vacinação logística, quando pessoas partidarizadas estavam a gerir esse mesmo processo e não o conseguiram fazer, acho que é, isso sim, ofensivo, não só para o almirante Henrique Oliveira e Melo, mas para todas as pessoas que trabalharam com ele, profissionais de saúde ou não.

É ouvi-los, André.

E para os portugueses também.

É ouvi-los, quem trabalhou com ele, é ouvi-los.

E não é isso que as pessoas têm. Mas nós estamos aqui entre cinco pessoas, as pessoas têm todo o direito de ser ouvidas em democracia. Agora, relativamente à questão do almirante Henrique Oliveira e Melo de ser mais ou menos intenso nas suas palavras ou na sua campanha. De facto, eu fico perplexo, porque desde que em fevereiro o doutor Luís Marques Mendes anunciou a candidatura, portanto o seu primeiro candidato, até hoje, o candidato Oliveira e Melo foi atacado por todos os lados. Aliás, basta ouvir este debate para perceber onde é que estão os ataques. Portanto, foi atacado por ser militar, que era uma ameaça à democracia. Foi atacado por dominar um processo de logística, reduzindo uma carreira de 45 anos ao serviço do país, quando de todos os candidatos é aquele que de facto tem uma carreira estável na administração pública a defender o país, com 45 anos de validação pelos pares, pelo poder político. Portanto, daí acho que é muito lamentável. E depois, também não se pode esperar, no início dos debates acusava-se o almirante Henrique Oliveira e Melo de ter pouca experiência, de não ser bom a debater, de ser muito soft

Quando o Almirante Gouveia e Melo começa a ter uma postura mais acutilante, de facto, ao contrário do que foi dito, dizem que entrou na politiquice, entrou na baixa política. Eu, para terminar, só consigo fazer uma avaliação. De facto, todos os candidatos já perceberam que o candidato Gouveia e Melo é aquele que tem mais simpatia popular, que é aquele que passará sem dúvida a uma segunda volta e que, por isso, estão um pouco perdidos, porque atacam por tudo e por nada à boa maneira de quem não sabe o que anda fazendo nas suas campanhas.

Tem havido declarações mais fortes. Cristina Rodrigues, André Ventura é tradicionalmente o candidato mais truculento até na linguagem, mas é agora aquele que está a dizer que não gosta deste tipo de confrontação. E aliás, sobre as declarações que estão a marcar muito este dia, quando Cotrim Figueiredo diz que André Ventura está a parecer, nestes últimos quatro dias, um político ainda não visto, que parece um político diferente e que mudou o discurso, será essa a estratégia de André Ventura até à próxima sexta-feira? Vai ser menos truculento?

A questão não será se é menos truculento ou não. André Ventura não tem, nem nunca teve, qualquer medo de conflito ou confrontação. Aquilo que ele tem optado neste momento é por discutir temas centrais que afetam os portugueses e que lhe parece mais relevante agora falar neste período em particular da campanha do que as questões que têm sido eventualmente debatidas sobre a carreira profissional do Marques Mendes ou sobre se o Almirante Gouveia e Melo foi melhor ou pior na gestão da pandemia ou o que quer que seja. Acho que isso não é propriamente aquilo que neste momento tira o sono aos portugueses, especialmente quando nós temos a saúde num estado absolutamente caótico, em que as pessoas estão com medo de ter um problema de saúde e de pedir uma ambulância que nunca chegará. Parece-me que não é uma questão propriamente de estratégia, é uma questão de perceber o que é a prioridade neste momento para os portugueses. E acho que isso, mais uma vez, deixa evidente que a pessoa com mais visão para o país é o André Ventura. Acho que simplesmente é isso. Não será propriamente uma estratégia no sentido de agora vou ser um bocadinho mais calminho.

Então deixe-me fazer uma provocação. Isso estará a acontecer porque André Ventura sabe que numa segunda volta, se passar, terá altas taxas de rejeição e nunca será eleito presidente da República?

Pronto, isso é o que nós vamos ter que ver, não é? Porque também numa fase inicial, as sondagens também davam quase como garantida a vitória, por exemplo, de Marques Mendes ou noutra ocasião, de Gouveia e Melo, e às tantas, ultimamente, tem sido André Ventura que tem encabeçado as preferências. E, portanto, eu acho que nós não devemos só assumir ou presumir que André Ventura não tem hipótese na segunda volta. Acho que temos que ver com muita cautela, porque eu acho que André Ventura tem todas as hipóteses de ganhar, tanto numa primeira volta como numa segunda volta.

Mantém em aberto a possibilidade de André Ventura poder ser, até contra sua própria vontade, se nos recordarmos como foi difícil a decisão de se assumir como candidato à Presidência da República. Rodrigo Saraiva.

Foi difícil, mas a partir do momento em que ele assumiu, sempre disse que seria para ganhar.

É verdade, sempre ouvimos. Claro que sim.

Quem faz este trabalho é para ganhar.

Sempre o ouvimos dizer isso. Rodrigo Saraiva, podemos estar perante o dia em que Cotrim Figueiredo coloca uma gafe fatal, como aqui já ouvimos dizer?

O que parece é que estamos no dia em que todos os outros candidatos se agarram a esse momento como se fosse a sua própria boia de salvação. Porque aquilo que nós estamos a assistir ao longo desta campanha é que João Cotrim Figueiredo é o candidato que está em mais crescimento. E isso tem derivado a passar a ter sido o candidato mais atacado. Só da candidatura de Luís Marques Mendes, que é aquela que tem tido a queda maior nos estudos, só assim de cabeça, deixe-me ver, nas últimas 48 horas, Rui Moreira, Paulo Rangel, Sebastião Bugalho, Nuno Melo, Castro Almeida, todos eles foram para comícios apenas para falar de João Cotrim Figueiredo. Veja só que chegamos ao ponto de Rui Moreira acusar João Cotrim Figueiredo de soberba e arrogância. A piada faz-se por si, portanto, passemos à frente. Ainda há pouco, o Duarte, na sua intervenção, voltou a referir a questão do capataz vento. Quando falamos de capataz vento, lá está, como João Cotrim Figueiredo respondeu, e bem, recordo que Marques Mendes também no passado chamou capataz vento a Passos Coelho. Portanto, é um adjetivo usado muito em permanência pelo candidato Marques Mendes. Mas mais do que mais crescimento ou mais atacado, há aqui um mais que eu quero destacar. É o mais que, de facto, importa, porque João Cotrim Figueiredo vai ser o presidente da República que garante mais exigência. João Cotrim Figueiredo nunca vai ser um polo de instabilidade, vai ser um polo catalisador de mais exigência para Portugal. E João Cotrim Figueiredo, nas declarações de hoje, diz uma coisa que eu quero destacar, que isso sim é que importa: é que ninguém é dono dos votos das pessoas. Os partidos não são donos dos votos das pessoas e só quem ainda está preso a fazer campanhas, como na década de 80 ou de 90, é que acha que um partido diz que se deve ir para um sentido e as pessoas vão todas votar. Não, não é assim. Os partidos e as pessoas não são donos dos votos das outras pessoas. E João Cotrim Figueiredo disse isso hoje, e isso é que eu quero destacar. E mais uma vez volto a dizer, João Cotrim Figueiredo vai estar na segunda volta.

Contando com os votos dos eleitores da AD que não se reveem em Marques Mendes.

Contando com muitos votos que transcendem aquilo que é o espaço político e partidário de onde João Cotrim Figueiredo vem e que não esconde. O João, na pré-campanha, em todas as entrevistas que existiram, nos debates, há sempre aquela coisa de que Um presidente não governa. E depois parece que os candidatos não podem ter opinião sobre os temas. E aquilo que ele fez na pré-campanha foi falar dos temas de forma transparente, para se dar a conhecer. As pessoas, nas eleições presidenciais, estão a votar numa pessoa e, portanto, têm que conhecer essas pessoas. Não há problema nenhum, seja que candidato for, de dar a sua opinião sobre o diagnóstico e de soluções do que é que acredita, seja na saúde, na educação, na justiça, na economia, na fiscalidade, não há nenhum problema. E isso foi o que João Cotrim Figueiredo esteve também a fazer, para além da boa campanha que já aqui referiram, no digital, etc. Mas toda aquela vertente via imprensa, das entrevistas, dos debates, foi isso que ele esteve a fazer, foi a dar-se a conhecer e repetindo até muitas coisas que já tinha dito quando era deputado, na campanha para deputado. Todas as oportunidades são para dar a conhecer. E o que esta campanha está a demonstrar é que há cada vez mais pessoas a conhecer e a rever nele as qualidades para trazer mais exigência e trazer esperança ao futuro de Portugal.

Duarte Marques, será uma vantagem ou um problema para Marques Mendes ser visto como o candidato do governo?

Primeiro, é só dizer ao Rodrigo que o que as pessoas da IL dizem quando saem da IL é que foram perseguidas e que a divergência da opinião nunca foi bem respeitada. E, portanto, tirar essa toalha contra Luís Marques Mendes é uma coisa, e ao PSD. As pessoas são livres. O PSD de Sá Carneiro e o PSD que eu conheço é um PSD que está habituado a que as pessoas pensem pela sua própria cabeça e que aqui e ali possam votar de forma livre. Ninguém persegue ninguém, portanto, é normal que as pessoas tenham liberdade de pensamento e possam assumir o seu voto como bem entendem. Nós não somos o PCP. Agora, dar aqui duas notas sobre a pergunta que fez, que é para isso que aqui estamos. Ser o candidato do governo ou não, é o candidato que tem o apoio do partido do governo. E há muita gente que elegeu este governo. E, portanto, como há gente que apoia Luís Marques Mendes, que não apoia este governo. Nós temos vários apoiantes que foram membros do governo do Partido Socialista, temos o filho de um ex-presidente socialista, o Jorge Sampaio, nós temos muita gente independente, tem muita gente também da IL, que apoia Luís Marques Mendes. O Luís Marques Mendes tem a vantagem de conseguir ter muita gente a apoiá-lo dos vários quadrantes políticos. E se não tem alguns do PSD, é porque foi muito independente nos seus comentários e é isso que os irritou.

E agora creio que perdemos a ligação com Duarte Marques, o diretor de campanha de Marques Mendes, que está aqui a caminho. Vamos tentar recuperar essa ligação com Marques Mendes, que tentava explicar que o candidato é independente do governo ou que irá manter a independência do governo se for eleito presidente da República. Agora, Adalberto Campos Fernandes, gostava de saber, e já estamos na reta final, não só da campanha, mas sobretudo aqui deste espaço. Perguntava-lhe, Adalberto Campos Fernandes, numa segunda volta, quem seria o melhor adversário para António José Seguro?

Aquele que os portugueses escolherem. Portanto, o António José Seguro não tem nenhuma escolha, nem nenhuma preferência, nem nenhuma escolha negativa. Respeita aquilo que for a vontade livremente expressa dos cidadãos livres, descomprometidos, com partido e sem partido, e estará na segunda volta para fazer uma campanha limpa, leal, séria, com aquela pessoa, a personalidade que os portugueses entenderem que devem lá colocar, seja ela qual for. Nós não consideramos portugueses de primeira nem de segunda, nem candidatos de primeira nem de segunda.

Mas haverá candidatos que podem disputar o mesmo eleitorado ou outros cujas diferenças são bastante acentuadas.

O António José Seguro já o disse várias vezes, apresenta-se como um candidato a presidente a todos os portugueses. E, portanto, seguramente numa segunda volta, imagine as combinações que existirem, os candidatos podem ir buscar votos a pessoas que votaram em partidos até improváveis. Como dizia muito bem o Duarte Marques, há uma coisa que é certa: é que os partidos não são donos dos votos de ninguém. E esta coisa de que vale mais um candidato que não tem partido ou que não é apoiado por um partido do que a situação alternativa, isto é, de facto, uma coisa profundamente antidemocrática, como se os partidos não fossem a essência da democracia, como se, aliás, não fosse a partir dos partidos que a democracia se regenera e as escolhas são feitas. Portanto, esta ideia de um certo caudilhismo, de que é feito contra os partidos e contra o sistema, isso cheira a mofo. E portanto, Portugal precisa de combate político, precisa de gente que gosta de política, de gente que quer mudar e regenerar o sistema e que, naturalmente, resultará apenas e só numa coisa: qual for a vontade que os portugueses no dia 18, no domingo, fizerem, nós às 20h estaremos a aguardar o veredito e respeitaremos e iremos para a luta, para a segunda volta com energia, porque será uma eleição totalmente diferente desta, completamente diferente.

Será seguramente diferente. Cristina Rodrigues, a questão é também sublinhada para o lado de André Ventura. Com esta ideia, os estudos de opinião vão dizendo isto: o André Ventura consegue passar à segunda volta ou poderá conseguir, mas não vai conseguir ter a maioria dos votos dos portugueses.

É isso que eu dizia exatamente há pouco. Vamos ver. Desculpe, diga.

Rejeita esta tese que as sondagens vão dizendo, eu percebo isso. Quem seria o adversário que André Ventura poderia ter na segunda volta que lhe daria mais possibilidades? Tem ideia?

Qualquer um deles. A questão aqui que nós temos que ver é: eu acho engraçado, de alguma forma, toda esta discussão sobre os eleitorados

Se é o PSD que está a apoiar este ou aquele, ou se é o PS, todos estão a disputar eleitorados. Eu acho que aquilo que marca aqui também a diferença é que André Ventura tem estado a falar para toda a gente, seja de que eleitorado for. Depois, por outro lado, acho que também temos que ver aqui um ponto que me parece relevante, que é o facto de, por exemplo, o candidato Marques Mendes ser apoiado pelo partido que neste momento está no governo, tem a maioria parlamentar, tem os governos regionais, tem a maioria das autarquias e manifestamente isso não está a ser suficiente para Luís Marques Mendes estar à frente, pelo menos nas sondagens. Portanto, eu acho que nós temos que olhar para as sondagens exactamente relativizando-as. São uma ferramenta, tal como já foi aqui dito, mas depois é na rua e será no dia 18, certamente, que nós vamos ver. Já foi feito um caminho muito longo. André Ventura tem cada vez mais a confiança dos portugueses. Eu tenho a certeza que ele passará na primeira volta, vai ser uma dessas pessoas e independentemente de quem passar com ele, tenho a certeza que será uma luta séria e André Ventura não vai facilitar o trabalho, seja de quem for essa pessoa.

André Pardal, é na mesma lógica que gostava de ouvir com quem é que gostaria de ver Henrique Gouveia e Melo disputar uma segunda volta se passar?

Se quer que eu seja sincero, eu espero que o Amirante Gouveia e Melo ganhe na primeira volta. Havendo uma segunda volta, subscrevo o que o Adalberto Campos Fernandes disse, qualquer candidato que os portugueses coloquem na segunda volta terá essa preferência do almirante Gouveia e Melo. E mais uma vez, refiro que, e parece, basta ouvir este debate, que há candidatos que confundem legislativas com presidenciais. Aqui discute-se, e bem, como referiu o Rodrigo, como até referiu o Duarte Marques, discute-se perfis presidenciais, não partidos. O almirante Gouveia e Melo não tem nada contra os partidos. Referiu há pouco, ontem, que numa segunda volta aceitará, sem ser condicionado, o apoio de partidos. Agora estamos, e é o meu apelo final, estamos a escolher uma personalidade para Presidente da República, personalidade essa que tem que lidar com os partidos, tem que lidar com as instituições, com o governo, com o poder judicial e tem que ser, acima de tudo, o chefe de Estado que o país precisa. E essa pessoa só pode ser uma pessoa que tenha a independência e o percurso de vida que o almirante Gouveia e Melo tem.

Rodrigo Saraiva, no mesmo cenário em que João Cotrim de Figueiredo passe à segunda volta, qual será o adversário mais difícil?

Confesso que não sei. Aquilo que eu sei é que João Cotrim de Figueiredo vai estar na segunda volta e depois será uma campanha muito boa, seja com quem for. Acima de tudo, os portugueses têm que, na primeira volta, votar João Cotrim de Figueiredo. Por quê? Porque se não querem mais do mesmo, se não querem extremismos, se não querem alguém que seja imprevisível, se pretendem sim pela positiva, alguém com exigência, alguém que aponte para o futuro, só podem escolher João Cotrim de Figueiredo, porque é de todos os candidatos, e como diz o José Miguel Júdice: "É Cotrim, porque sim". Porque é a pessoa que tem mais experiência, seja nacional ou internacional, seja profissional ou política. É a pessoa que olhando a todas as variáveis, marca mais pontos e tem as melhores condições para garantir que em Belém temos um Presidente da República que vai puxar pelo país, vai puxar pelos portugueses e vai puxar pelos governos que estiverem em funções, para todos termos, de facto, o melhor país. E eu acho que aqui todos estamos de acordo. Eu acredito que João Cotrim de Figueiredo tem todas as características melhores que todos os outros. Na segunda volta, venha quem vier, o João passa à segunda volta e vence na segunda volta.

Duarte Marques, a sua ligação caiu quando estava a explicar que Marques Mendes será um presidente independente, apesar de ter o apoio dos partidos que suportam neste momento o governo. Quem será o adversário mais difícil, se passar à segunda volta, para conseguir chegar ao Palácio de Belém?

O adversário mais difícil para Marques Mendes é a desinformação e a abstenção. Ou seja, se os portugueses forem votar em massa e estiverem presentes, é óbvio que estes perfis, os quais todos concordamos que foram definidos. Eu estava a ouvir o Rodrigo Saraiva a definir o perfil de Marques Mendes, a definir o perfil, na ótica dele, agora fugiu-me a boca para a verdade, de Cotrim de Figueiredo, mas não lhe assenta. Esse perfil que ele definiu é o perfil de Luís Marques Mendes. Eu acho que nós todos estamos de acordo com o perfil ideal de um Presidente da República. Nós todos estamos de acordo com o perfil ideal de um Presidente da República. Depois temos que perceber a quem é que assenta bem esse fato.

É Cotrim de Figueiredo.

Ó Rodrigo, deixa-me falar, não sejas encrençado. Quem puder falar, quem puder expressar o seu voto. Diria que a postura na campanha, a postura ao longo da vida, a postura ao longo dos debates do Luís Marques Mendes revelam alguém que está mais do que preparado para o lugar, sabe ao que é que vai, que não tentou mudar, de fato, para vestir melhor aquilo que hoje se espera mais nas redes sociais ou que o eleitorado está à procura do que é que é mais popular. Luís Marques Mendes apresentou-se como um candidato que sim, pertence à parte boa deste sistema. Não diz que caiu agora, não diz que agora vai mudar tudo de rutura, mas é alguém que com os instrumentos que o sistema tem, sabe gerir e sabe agir de forma a poder garantir para o país aquilo que é melhor e mais estável. Portanto, sem falsas expectativas, sem falsos argumentos.

E faltam seis dias para as eleições presidenciais. Quero agradecer ao Duarte Marques, Rodrigo Saraiva, André Pardal, Adalberto Campos Fernandes e à Cristina Rodrigues terem estado neste A Caminho de Belém. Uma boa tarde.