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E vamos a isso, Gabriel. Em destaque no programa de hoje, este Benfica-Ars, um jogo que começou de uma forma bastante cedo com esse gol de Rafa logo ao segundo minuto da partida, e o Benfica que desde cedo meteu o pé no acelerador.
Uma estratégia muito bem montada, muito bem trabalhada e muito bem executada por banda do Sport Lisboa e Benfica. Portanto, bom trabalho do seu treinador Marco Silva e com execução de qualidade por banda dos seus futebolistas. O marulho do marcador cedo também ajudou a que fosse fomentada ainda de forma mais evidente essa vitalidade, essa vertigem futebolística com que o Benfica hoje entrou no Estádio da Luz e satisfez, obviamente, os seus adeptos e deu uma nota de si, inclusivamente, sendo um jogo europeu, deu uma nota de si à Europa, que é muito importante. É muito importante uma marca como o Benfica dizer à Europa: "Eu estou cá. E eu sou o Benfica. Nós temos jogo, nós temos futebol, nós temos conteúdo." Porque um clube como o Sport Lisboa e Benfica, com a dimensão que tem ao longo da sua história, não podia continuar a ser um Benfica apagado, fora da Champions, a lutar por uma ida, pré-eliminatórias à Liga Europa, com a hipótese de poder cair na terceira divisão, que é a Liga Conference. E, portanto, este Benfica hoje, não é só os seis com que brindou o seu adversário, mas é também com a qualidade do seu jogo, com a dinâmica, com a dimensão do que apresentou, um futebol de ataque, um futebol largo, um futebol rasgado, um futebol de profundidade, um futebol de movimento, um futebol de dinâmica, um futebol com rematadores, embora não tivesse sido posto à prova em termos defensivos, porque a equipa do Ars é, de facto, uma equipa fraquinha, uma equipa rudimentar. Portanto, faltou ritmo, faltou estofo ao Ars para poder parar a qualidade futebolística do Benfica.
O Ars, nas duas eliminatórias com o Sturm Graz, sofreu seis gols. Hoje, só num, que o Benfica sofre logo os seis.
Exato. Portanto, é uma equipa que o Benfica, naturalmente, estudou bem por banda do seu treinador e depois executou melhor aquilo que era necessário fazer. Mas este Benfica é uma nota para aquilo que vai poder ser na época. Este Benfica vai ser este Benfica de dimensão, profundidade, largura, circulação rápida, intensidade. Portanto, atitude. E atenção ao trabalho das asas, das alas. Portanto, àquilo que é jogo à direita e jogo à esquerda, às triangulações que vêm depois sendo feitas pro jogo mais interior e jogo mais exterior e a galvanização jogada para o último terço e atenção também ao fato de ser uma equipa, depois, que vai criar oportunidades e vai ter que ter rematadores. Por isso tem lá o Duran. Duran hoje deu uma notazinha.
Que tinha marcado frente ao Belenenses na Supertaça.
Dá ali uma notazinha num remate, que acaba por ser defendido por guarda-redes do Ars, quando ele entra logo ali dois, três minutos depois. Depois tem aquele desastre no remate.
Quando tinha um companheiro mesmo ao lado.
Sim, e que coloca muito mal o pé. É a ânsia de mostrar serviço. Muitas vezes acabam por se perder por isso, mas depois marca um belo gol. Aliás, a jogada é uma jogada de contra-ataque, muito bem definido por Marco Silva, que o Benfica entrou muito menos, digamos assim, na segunda parte e depois foi no futebol de transição que acabou por mostrar toda a sua capacidade. Porque também é importante mostrar que em futebol de transição também é capaz. Isso acabou por ter ali as duas situações. Daí dizer que é uma partida que acabou por ser um excelente treino oficial, em jogo oficial pro Benfica. É muito importante. E acabou por trazer jogadores com pouco ritmo ainda, que é o Rios, pouco se viu. O Schjelderup, que aparece. Que bem que ele aparece. E é o próprio Duran, que é evidente, marcando um gol em termos europeus, dá também-
Visibilidade e força
...estímulo ao jogador e capacidade de se sentir bem e autoestima, digamos assim. Portanto, é uma partida em que o Benfica tem futebol, o Benfica tem um bom jogo, tem seis gols marcados, tem um gol sofrido, é o melhor lance de futebol do Ars que o Benfica não conseguiu travar, não teve capacidade pra travar e que obviamente o Marco Silva já tem na agenda para, naturalmente, trabalhar isso com os seus futebolistas.
Queria falar ainda contigo, Gabriel. Nós falamos do Benfica, que está a jogar aqui num contexto atípico, não está habituado a jogar tão cedo, de forma oficial, na sua temporada. E estamos num contexto de mercado de transferências. E nós falámos diversas vezes ao longo desta partida, que é uma montra e acaba por ser o futebol europeu, mesmo jogando nestes termos, acaba por ser uma montra para jogadores que têm mercado, como Schjelderup, Pavlídis, para este ano e que tem sido muito cobiçado também na própria Turquia. Isso também pode ser um motor de confiança pra esses jogadores quererem mostrar serviço, porque alguns deles podem também querer sair, neste momento, do Benfica.
O mercado é importante pros clubes que adquirem jogadores e é importante pros jogadores que são profissionais e que fazem do futebol aquilo que é A sua vida. Tem que haver entendimento, profissionalismo, mentalidade, sociodesportivismo, socioprofissionalismo, tem que haver tudo isso e, portanto, tem que haver entendimento. Os jogadores que têm contratos têm que os cumprir e têm que dar o máximo que têm.
Isto hoje em dia é uma questão maior, porque antes é isso que tu falas: há contrato, é para se cumprir e no final logo se vê. Mas hoje em dia os clubes antecipam-se sempre face a essas ameaças do mercado.
É evidente, facilmente, quando os jogadores estão praticamente a chegar a final de contrato, que é para não perderem tudo, porque senão o jogador é livre e, portanto, o prémio de contratação é para o jogador.
Claro, e temos casos desses no futebol português.
E não só.
Os mais próximos são aqueles que não são.
Portanto, todos os clubes querem, ainda agora estamos a ver o Vinicius, segundo dia, acabou por assinar por Real Madrid, mas a verdade é que estava tudo muito periclitante. Apareceu o Arsenal nas últimas horas. Não é só em Portugal. Estas coisas passam-se naquilo que é o futebol de alta competição por todos os clubes, cada um à dimensão do clube que é e daquilo que os jogadores sentem que podem fazer, uns em Portugal, que veem, por exemplo, Inglaterra, que é de facto um desejo de irem, ou a Turquia, porque tem boas vantagens em termos financeiros, ou a França ou a Espanha. Depois, é claro, o que naturalmente se sente. E nós temos jogadores que saem da França, como por exemplo, agora o Gonçalo Ramos saiu do PSG e foi para o Milan. Também tem o desejo de ser titular e não o sempre suplente, que resolve algumas ou bastantes situações.
E Gonçalo Ramos acabou por ter até um papel muito importante no PSG em algumas partidas.
E foi sempre muito bem gabado pelo seu treinador, porque é um grande profissional. Agora, a questão é que esta dos mercados é mau também para os treinadores, não sabem com o que é que vão contar, porque não têm em mão isso. Não têm em mão porque a administração, os futebolistas e o empresariado é um mercado a funcionar. E o Benfica tem aqui mais uma situação que é difícil, porque como teve que ter estas pré-eliminatórias todas num tempo de campeonato do mundo, com jogadores vários nas suas equipas, que são jogadores de várias nacionalidades presentes no Mundial 2026, não é fácil. Não é fácil para quem dirige e obviamente que sentiu as dificuldades e sente, e vamos ver agora como é que tudo quando assentar, vai fluir. Isso é importante também, embora Marco Silva, com a sua experiência, com a sua alguma ansiedade, mas acima de tudo os seus conhecimentos e a sua seriedade, vão atuar.
Antes de terminarmos, destes três que te disse, Prestianni, Pavlídis ou Scheldrup, algum te parece mais provável ou com mais força de abandonar o Benfica neste momento? Há essa questão do Scheldrup, que há essa proposta de renovação em cima da mesa.
E que ele está em silêncio.
Mas continuará a dar as respostas em campo.
É um profissional, só tem que fazer isso, mais nada, só tem que ser profissional. E saber respeitar todo o público, os adeptos, os acionistas, ele sabe. O que eu falar do Scheldrup, tenho que falar dos outros, é igual, qualquer deles. Quanto ao Pavlídis, fala-se e naturalmente não é por acaso que se começa a falar, porque parece que há muitos recados. Nisto do mercado, também há os recados, assim como nas empresas há os produtos que estão à venda e vão aparecer diversas redes e por todo lado. Não sei, vamos ver o que é que o mercado vai dizer, inclusivamente o Trubin.
Essa é outra questão, a particularidade de Samuel Soares.
Eu acho que o Trubin é um guarda-redes que chegou e de um momento para o outro perde-se. Mas foi por isso que o Benfica não ganhou os campeonatos? Essa não. Parece que estamos a ter aqui um Pavlídis 2. Peço desculpa ao Pavlídis, um guarda-redes que saiu do Benfica e que hoje está no Sevilha.
O Vlachodimos.
Uma situação Vlachodimos 2. Não pode ser. Espera aí. Se é para sair, sai. E pronto, é uma questão de negócio, mas o Benfica tem que ter um guarda-redes com dimensão. E até porque ao longo daquilo que o Benfica é forte, tem tido grandes guarda-redes. Desde o saudoso Manuel Bento ao Zé Henrique, eu conheci vários. Tenho tido essa oportunidade. Ao grande guarda-redes belga que esteve a serviço do Benfica. Portanto, o Benfica tem tido ao longo da sua dimensão, guarda-redes de grandes jogadores. Portanto, tem que ter um guarda-redes com dimensão. Porque o guarda-redes é fundamental, 10, 12, 14 pontos numa temporada. E não é por acaso que os grandes clubes internacionais têm sempre guarda-redes de dimensão.
Quem teve a força da técnica?
Olha, eu dava aqui a força da técnica ao golo do Prestianni. É um golo magnífico. A forma toda como ele resgata a bola e depois funciona para o remate, é um belíssimo golo. Vou dar a força da técnica para o Scheldrup, na forma como ele faz a assistência para o golo que dá ao Durán. É magnífico. Ele trabalha, dá um toque de direita e depois com o pé canhoto põe. E dou ao golo do Durán, porque recebe o passe e na passada, até com estilo bonito, mete bem também o seu pé canhoto com a parte interior do seu pé, fazendo um golo de belíssimo efeito Um belíssimo gol de bom futebol e que deixa uma boa nota para o futebolista e dá-lhe autoestima em relação àquilo que pode render e produzir no âmbito do futebol português e de camisola de águia ao peito.
E para já sabemos que o Benfica sai confortável para essa segunda mão que se joga na próxima quinta-feira na Escócia. Vitória.
Queria dar aqui uma nota também, não deixar de falar nisto. Falámos do Leandro Barreiro e eu não posso deixar de voltar a focar em termos da força da tática. De facto, em termos táticos, o Leandro Barreiro é um jogador enormíssimo. E muito bem, o Bart Silva na flash interview a referir esse fator, é de facto um jogador importantíssimo. Força da tática para Leandro Barreiro. Uma nota também: naquilo que é a tática do Benfica, normalmente, a início das jogadas, são os centrais, portanto, na primeira fase da organização. O Englês esteve bem na articulação com Dalot e Dalot depois com o Prestianni.
E Tomás Araújo bem enquanto capitão também.
Ia falar nisso também. Tomás Araújo é um bom central, mas ia tocar o Tomás Araújo para os lances de bola parada, essencialmente naquilo que é os pontapés de canto. Percebe-se que ele é a referência, porque é ele que aparece, marca de cabeça, mas aparece em mais dois, três lances a cabecear, não acertando no alvo, mas ele é o jogador que obviamente funciona como referência para isso. Portanto, para o Benfica, meia dúzia, 6-1, um bom treino face ao Hearts.
Barriga cheia. Fica por aqui o "Força da Técnica" e a "Técnica da Força", sempre com o Gabriel Alves, que daqui a pouco também fica disponível em podcast. Um abraço, Gabriel. Obrigado.
Boa noite a todos os ouvintes.