Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Oitavo dia de Campeonato do Mundo. Temos a força da técnica e a técnica da força para arrumarmos este dia. Gabriel Alves, boa noite.
Boa noite. Um grande jogo de futebol, um jogo de Campeonato do Mundo. De facto, duas grandes equipas, um espetáculo primoroso, top. Valeu a pena estar ligado ao jogo, presenciá-lo, revê-lo, senti-lo. De facto, duas formações que mostraram grande categoria em tudo aquilo que é a intensidade de jogo, mobilidade, velocidade, leitura tática, técnica. Duas equipas que têm princípios muito semelhantes, embora desenvolvendo-os de uma forma algo diversa. Mais atlética a equipa germânica, mas com grande índice físico a formação espanhola. Uma troca de bola e velocidade, portanto uma circulação extraordinária por banda das duas formações. Uma pressão alta sobre o meio-campo contrário de uma e outra formação, quer a Alemanha, quer a Espanha são assim que funcionam. Um 4x2-3-1 da Alemanha com Müller, um jogador que não sendo aquilo que é um ponta de lança nato, mas é um jogador que se movimenta de forma muito interessante, porque é muito inteligente e abre espaços, e depois toda uma Espanha com dois jogadores nas alas, o Olmo e o Ferran, e no meio aquele falso nove chamado Marco Asensio. E depois ainda por cima dois grandes treinadores, que de facto souberam ler, souberam tirar partido daquilo que têm à sua mão. Portanto, também foi aquilo que se chama um jogo de treinadores. Uma Alemanha que pressiona mais normalmente pela direita, pressiona, como disse, muito sobre o meio-campo contrário. A Espanha é uma equipa que gosta de ter mais a bola, portanto há ali alguns momentos, e eu posso dizer mesmo que todos vimos que jogou melhor. Havia a sensação que tinha uma fluidez de jogo bem mais interessante.
A Espanha com mais certeza na troca de bola, não é?
Exatamente. E ao intervalo só lhes faltava o gol. Essa é que é a verdade. A verdade é que as coisas foram bem dimensionadas por ambos os treinadores. A verdade é que o Luis Enrique, a determinada altura, faz aquela substituição, tira Ferran e coloca Morata.
Patinho feio. Já não tão feio, se calhar.
Não, patinho feio. Mas passa-se uma coisa. Por exemplo, o Jordi Alba e o Luis Enrique são tão questionados no Barcelona, talvez tenham ordenados muito altos. Mas viram a exibição do Busquets. Com um cartão amarelo, há uma altura em que o Pau Torres está aquecido, pensa-se que poderá inclusivamente o Rodri passar para o meio-campo para o lugar do Busquets e o Pau Torres ir para a defesa para o lado do Laporte. Mas a verdade é que não, não foi nada disso. Sergio Busquets é de facto um jogador de uma inteligência, de uma qualidade fantástica. Com o Jordi Alba que faz ali uma sociedade com o Morata, aquele passe e aquele gol, aquela finalização. Mas a verdade é que a Alemanha também. Kimmich é um jogador... e depois aquele menino Musiala. Que bom jogador ele.
Uma pérola.
Uma pérola de 19 anos, para não falar da outra. Aliás, hoje em confronto estavam essas duas pérolas: Pedri e Musiala. E depois temos o Gavi, o que ele joga, as linhas de passe que ele cria, as coberturas que ele obriga a própria dinâmica da equipa a fazer, fechando espaço ao adversário. Foi de facto um jogo de grande qualidade e eu acho que acaba por estar bem entregue este resultado.
Este empate.
Este empate, porque a verdade é esta: os dois treinadores lançaram os jogadores, Morata para o gol e o treinador alemão Füllkrug para o gol também. Portanto, um bom jogo, valeu a pena este sim de Campeonato do Mundo esta noite. No serão do Mundial 2022, talvez tenhamos que dizer um dos melhores jogos, porque este é mesmo um jogo claro de mundial.
Mas depois do resultado desta manhã e com este, se a Alemanha vencesse, isto ficava completamente embrulhado no grupo. Mas com a vitória surpreendente da Costa Rica de manhã, não é que esteja desembrulhado. Está um bocadinho muito confuso.
Sim, mas foi um péssimo jogo. Aquele da manhã foi um jogo... eu acho que o Japão por ter ganho a Alemanha entra nas nuvens.
Houve muitas trocas, não é, Gabriel? Eu não sei o que o treinador japonês queria.
Ninguém percebeu e a verdade é que o rendimento da equipa foi zero. Foi nulo, praticamente. Zero, foi isso. E a Costa Rica tinha uma situação: não poder perder depois de ter levado sete da Espanha. Era quase impossível voltar à Costa Rica perdendo. Fez tudo perdendo para o Japão. Portanto, as pessoas só viram 5 x 4. Praticamente não se mexeu e tem um lance só de sair o europeu. Saiu o gol, ganha, mas de qualquer das maneiras foi aquilo que nós podemos dizer, um jogo muito fraquinho, um jogo onde Não houve aquilo que se pode dizer uma competitividade, uma profundidade, ideias de jogo, por banda da equipe japonesa e a Costa Rica tem três pontos após amordaçar os nipónicos e praticamente naquilo que foi o seu primeiro remate à baliza neste campeonato. Não, foi o seu primeiro remate à baliza, tem três pontos, por isso é que eu digo que foram melhores.
Consegue explicar o que se passa com a Bélgica, Gabriel?
É uma equipa alclete.
Mas acabou-se. A anunciada melhor geração belga dos últimos tempos, acabou.
Acho que sim e está a precisar de uma renovação, eu penso que até a começar pelo próprio treinador Robert Martínez. Portanto, é uma equipa alclete. Poderia dizer que era uma equipa a gasóleo, que está fora dos mercados já, a deixar muito fumo. O próprio, eu penso que a grande figura da equipa, que é o De Bruyne, sente isso. Nós estamos a vê-los jogar e sente-se. Portanto, é o fim de um ciclo. Elas estiveram um bocadinho melhor do que no primeiro jogo, é verdade, neste encontro, mas Marrocos acabou depois da segunda parte por envolver com melhor futebol, com mais conhecimento, com mais intensidade, com mais saber, mais criatividade, acabou por envolver a equipa belga, que é uma formação a precisar de uma revisão total. Os dois Hazards, principalmente o Hazard que joga no Real Madrid, que é o capitão da equipa. Não é por acaso que Ancelotti o vai deixando estar ali, eu não gosto da palavra, mas vou dizer, a apodrecer no banco, porque de facto ele já não tem rendimento. Portanto, daí que a verdade desta equipa belga continua a ser a número dois do ranking. Tinha oito jogos sucessivos sem perder, acaba por perder agora, e perde bem. Uma palavra para Sabiri, da vitória. Foi o seu gol que abriu a terceira vitória de Marrocos no Mundial e que trouxe aos Leões de Atlas aquilo que é a possibilidade de uma primeira qualificação e depois o Aboukhlal fez o 2x0. Quanto a Lukaku, não sei se entrou tarde, se entrou, porque o treinador melhor que ninguém sabe a forma do jogador, o estado físico. Se entrou tarde, pouco mostrou. Se tivesse entrado mais cedo, não sei se também teria mostrado mais alguma coisa. Agora, a verdade é que nota-se até que há na equipa belga quase que um índice físico baixo. Portanto, uma equipa sem intensidade e sem ideias, acima de tudo. Muito bem, Marrocos. Fez um bom jogo. Uma palavra também para Ziyech, que é de facto um excelente futebolista. E ainda falar de um jogador. Não quero deixar de falar dele, porque na segunda parte ele faz um bufão. Bufão foi quem deu o esticão no adversário.
Marrocos está em segundo lugar com quatro pontos, só não está em primeiro porque a Croácia goleou ou teve uma vitória gorda sobre o Canadá. Gabriel, pagou a inexperiência. Uma equipa que entusiasma o Canadá. É divertida, não é? Mas será que pagou pela inexperiência?
Sim, é divertida, mas tem que aprender aquilo que são as zonas táticas de um jogo, as dinâmicas. Começamos bem, aquele gol do Alphonso Davies, a surgir de cabeça, um puro animal. Foi, de facto, a fazer um cabeceamento maravilhoso, a pedido de Buchanan, que depois acaba por ter uma má partida, a verdade é esta. A Croácia com aquele gol foi como que levar um gancho nos seios.
Tal e qual.
E a verdade é que até podia ter sofrido um segundo gol. Mas depois reorganizou-se e depois veio o talento daquilo que é um vice-campeão do mundo. Muito bem a Croácia. O gol até despertou para um bom jogo da Croácia. Se não íamos ter aquele joguinho enrabado, tira a bola daqui, põe acolá, troca aqui, mete ali. Não, a Croácia teve que ir à procura da vida. E então tivemos uma equipa croata a dar-nos uma bela lição de futebol, uma boa dinâmica coletiva de jogo, bem exercida face ao seu adversário.
Mais aproximada da Croácia 2018, na primeira jornada não a vimos, não é?
Mais. Com a sua cultura tática. Ali a exprimir toda a sua cultura tática, a tirar partido da pressa e dos espaços que o Canadá dava para essa pressa que tinha de chegar ao gol. Marcou dois gols e teve ainda um anulado na primeira parte. Depois no segundo tempo, naturalmente, as coisas acabaram por correr. É interessante ver a confirmação deste vice-campeão a mostrar galões. O Canadá quer muito, criou um lance ou outro de perigo ainda na segunda parte. Tem requisitos que não foram cumpridos. Posicionamento, movimento, a falha defensiva, a contração, a contenção, fisicamente muito forte, um projeto atacante, mas falta para esta equipa cultura tática. Muito bem. A formação croata mostrou-se ao nível de um vice-campeão do mundo e Kramarić fez dois gols e que boa exibição fez e sempre muito pensador de jogo, aquele senhor Luka Modrić. Quanto ao Canadá Vai para casa. Volte que é bem-vindo, mas estude a tática e traga essa mensagem.
Eu destaco que o Steven e o Vitória voltam a Portugal mais cedo, depois da eliminação do Canadá. Joga a terceira jornada para cumprir calendário. Fechamos a analisar os jogos deste oitavo dia, Gabriel, e abrimos espaço às nossas rúbricas. Vamos primeiro à força da técnica. Quem a teve hoje, Gabriel?
O gol do Morata é famoso. Não só no último passe, como a forma elegante como o Morata entra a fazer aquilo a que se chama um perfeito voleio. Um belo gol. O gol do Alphonso Davies, do Canadá, também é um gol de grande qualidade. A forma como toda a jogada é desenhada. Eu diria que ali juntou-se um pouco a técnica da força e a força da técnica, porque o cabeceamento do Alphonso Davies é de uma técnica perfeita, portanto a entrada é em força dele, mas depois o cabeceamento é, na realidade, de grande qualidade. Eu deixaria aqui também, em relação ao gol alemão, é um gol também arrancado, eu diria, cheio de intensidade, porque é uma boa jogada, uma jogada de força, e depois o remate acaba por ser perfeitíssimo, não deixando qualquer hipótese ao guarda-redes espanhol.
Temos aqui muitos mistos na nossa força da técnica.
Há sempre muitas situações que, de facto, neste campeonato. E a verdade é que este Espanha-Alemanha trouxe muita coisa durante o jogo. O Martial teve momentos fantásticos, o Pedro, o Gavi, o Sérgio Busquets, já me referi. Independentemente daquilo que foram, naturalmente, o próprio Müller, independentemente daquilo que foram os gols, o Dani Olmo. São jogadores bons.
Quem teve a técnica da força neste oitavo dia?
Eu diria muita força e menos futebol, que seria o chamado Canadá e a Costa Rica. Diria que tudo foi à base de força e pouco mais. Porque a técnica da força é importante e desde que seja devidamente utilizada, é interessante seguir, porque dá-nos movimentos táticos muito bons e devidamente trabalhados, tratados. Agora, quando é só força, nós não gostamos.
Fica difícil. Fechamos a força da técnica e a técnica da força com o estilo inconfundível e vamos, Gabriel, à boleia do Charles Wright, a música "Express Yourself", saída em 1970, e convido o Gabriel a expressar-nos qual é hoje o nosso estilo inconfundível. Até onde viajamos, Gabriel?
Até ao novo troféu em disputa. No Congresso da FIFA, realizado em Tóquio em 1974, concedeu-se à República Federal da Alemanha a organização da décima Taça do Mundo, portanto, Campeonato do Mundo, que deveria efetuar-se 10 anos mais tarde. Desse momento até 13 de junho de 74, a data da inauguração do campeonato no Waldstadion de Frankfurt, havia que levar a cabo duas edições do torneio em 66 e 70. No México, o Brasil conquistou definitivamente a velha Taça Jules Rimet, pela sua condição de tricampeão, 58, 62 e 70. Em conformidade com o regulamento da prova, o troféu passaria a pertencer definitivamente à equipe que a ganhasse por três vezes. Assim, antes de se disputar a final do México, entre o Brasil e a Itália, ambos triunfadores em dois torneios anteriores, a comissão organizadora da FIFA já pensava na substituição obrigatória da taça por outra, independentemente da seleção que vencesse. Durante a reunião realizada pela comissão organizadora do Campeonato do Mundo da FIFA, a 6 e 7 de junho de 71, em Atenas, foi aprovada a proposta de que o novo troféu se denominaria Taça Mundial da FIFA e nesse sentido, tornaram-se algumas decisões. Foram apresentados 53 projetos a uma comissão que foi nomeada, por firmas comerciais de diversos países e após os correspondentes exames e deliberações, a comissão escolheu a maquete enviada pelas oficinas Bertoni, de Milão, original do escultor italiano Silvio Gazzaniga, o qual definiu o significado artístico da sua criação do seguinte modo: as linhas saem de baixo, erguendo-se em espirais e estendendo-se para receber o mundo. Das tensões dinâmicas notáveis do corpo compacto da escultura, elevam-se as figuras dos dois atletas no momento emocionante da vitória. É um trabalho fluido e espontâneo e a obra exprime a força e a pureza do espírito da competição desportiva. Esta nova Taça do Mundo é de ouro maciço de 18 quilates de 75%, com 5 kg de peso e com base de malaquita, tendo 36 cm de altura, 13 de largura na base e 15 de largura máxima. Portanto, é assim que apareceu o novo troféu em discussão nos Campeonatos do Mundo.
E por estes dias é o objeto mais desejado no mundo. E nós temos aqui uma réplica praticamente fiel, Gabriel, já a viu, feita pelo nosso André Maia, pela sua irmã mais pequenina. Vamos sentindo o que é ter uma taça deste gênero aqui a acompanhar as nossas emissões. Gabriel Alves, mais uma edição.
Porque esta nova taça permanecerá sempre propriedade da FIFA e não poderá pertencer a qualquer campeão a título definitivo. Executar-se-á uma réplica para exibição e fotografias. Executar-se-á uma réplica de menores dimensões para cada campeonato mundial de futebol, que ficará em poder da associação vencedora da prova.
No final, a casa ganha sempre e a FIFA é a casa. Gabriel, mais uma edição do "A Força da Técnica e a Técnica da Força". Nós voltamos amanhã e é para o nosso jogo, para o Portugal-Uruguai.
É amanhã dia grande para Portugal.