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Boa noite, vamos a mais um Força da Técnica e a Técnica da Força com o Gabriel Alves, que já está aqui conosco. Boa noite, Gabriel.

Boa noite.

E é o primeiro Força da Técnica e Técnica da Força dos quartos de final. Isto porque hoje encontramos os dois primeiros semifinalistas deste Campeonato da Europa. Espanha e Itália conseguem superar os suíços e os belgas, os carrascos de Portugal. Um grande jogo em perspectiva para as meias-finais entre estas duas seleções. Gabriel Alves, falamos primeiro do jogo da Itália e Bélgica, mais presente na nossa memória. Não sei se concorda, mas algumas vozes faziam questão de lembrar que os italianos ainda não tinham defrontado uma seleção de topo neste Euro, mas hoje aconteceu e o resultado foi o mesmo.

E é uma equipa de topo esta italiana. Fantástica equipa, fantástica geração, fantástico trabalho de Roberto Mancini. Uma equipa que tem muitos jogadores que, para a maior parte dos nossos ouvintes, e até ao nível global, são nomes pouco conhecidos, jogadores que vêm de pequenos clubes ou clubes menos conhecidos em termos internacionais, mas são excelentes futebolistas, excelentes jogadores que fazem um futebol, e é aquele futebol que nos leva aos estados que nós gostamos, o futebol que nos dá gozo, passe a expressão. E de facto a Itália teve hoje uma primeira parte fabulosa e a Bélgica teve uma resposta condigna. Só que a Itália foi simplesmente superior, foi mais, foi melhor. E a Bélgica até poderia ter começado por marcar, primeiro por De Bruyne e depois por Lukaku, com duas grandes defesas desse jovem guardaredes Donnarumma, que tinha cinco anos quando Chiellini vestiu pela primeira vez o maiô, o jersey da equipa transalpina. Portanto, uma equipa excelente, que tem dois professores no eixo da defesa, Bonucci e Chiellini. E nessas coisas não se brinca, é sério. A chave de defesa, os dois centrais, são dois jogadores de grande plano. E depois tem ali no meio-campo, um futebolista de grande qualidade, uma vez mais, deu uma lição de futebol, não se está muito por ele, mas tudo passa por ele. Ele é o centro de gravidade desta Itália, que se chama Jorginho. De qualquer das maneiras, foi um jogo que deu muita satisfação ver, foi de tal maneira intenso e absorvente que naturalmente nos deu aquilo que nos dá para dizer e que toda a imprensa internacional vai dizendo: "Partidazo, partidazo, jogo fabuloso, grande Itália, bellissima Itália". E ainda mais, porque teve a réplica de uma grande equipa que é a Bélgica, diminuída, porque De Bruyne não está 100%.

Mais tarde nem para o banco foi, não é?

Foi para a bancada. A televisão o mostrou por diversas vezes, o realizador do jogo. Portanto, é uma Bélgica, uma grande seleção, que é ranking número um, quando perde uma das suas grandes figuras, perde duas. Naturalmente, qualquer formação mundial quando perde uma das suas principais, perde o volume de jogo, porque perde as suas referências. Agora é uma grande Itália, Barella e Insigne fizeram dois gols excelentes, diferentes. O do Insigne é uma obra de arte. Aquilo é uma obra de arte. É de facto uma delícia, não só a espontaneidade dele, a convicção com que arma o remate, a qualidade com que o faz e a forma como a bola segue para a baliza de Courtois.

E Gabriel, eu estava a pensar nisto, não sei se concorda, o Insigne faz-me lembrar um pouco, à sua medida, claro, o Robben. E por quê? Porque ele faz este movimento tantas vezes, mas certo é que continuam a cair. É incrível.

Sim, ele faz o movimento e a verdade é que, por vezes, sai uma obra de arte destas. Naturalmente, só não sai se não tentar.

Claro.

E também é obra de arte, porque isto treina-se, isto trabalha-se, independentemente do talento nato que ele tem, porque tudo se trabalha, tudo se constrói. Depois, é claro, o talento transpira, sai a espontaneidade, a criatividade, a ilusão, o sonho torna-se concretizado.

E aquelas meias baixas também se calhar ajudam.

Aquilo faz lembrar um pouco vintage do futebol. Portanto, esta equipa da Itália é uma equipa que ataca, é uma equipa que recupera, é uma equipa que defende, mas faz tudo com bola a circular a alta velocidade, os jogadores em permutas constantes, bons alas, jogadores que têm profundidade, jogadores que se sabem colocar, jogadores que sabem criar rupturas e criar linhas de passe. Está tudo em movimento no futebol italiano, o que naturalmente nos dá um belo espetáculo e nos dá uma visão global da partida muito interessante. Na televisão, obviamente que vimos com pormenor, com detalhe, quem estiver no estádio tem a amplidão de todo o jogo e obviamente tendo todo o jogo, verifica melhor, porque no estádio vê-se melhor todos os movimentos, porque estamos a ver a linha da bola, onde está o jogador, mas estamos a ver tudo o que está a acontecer para lá da bola. E na televisão, vamos mais acompanhando quem leva a bola. De qualquer das maneiras, um belo jogo, um belo espetáculo. Para dizer que a equipa da Bélgica também respondeu bem. Tem um lance no final da primeira parte, que é uma grande penalidade, que Lukaku não perdoa. Doku, um jogador muito interessante, já tínhamos dado nota disso.

Exatamente, um menino.

Muito interessante. Um menino que tem 19 anos, muito interessante este garoto, e que obviamente é o seguir do trabalho que se vem a fazer na Bélgica E na segunda parte há que reportar o Spinazzola, que é o jogador, de facto, mais rápido deste campeonato e que é um jogador de grande qualidade. É ele que acaba por evitar o gol da igualdade e acaba por sair magoado e provavelmente já não volta ao terreno neste certame, porque é uma rotura. É muito complicado o jogador poder regressar. Foi um grande jogo de futebol. A Bélgica jogou mais na transição, que é o seu apanágio. Construiu uma projeção de jogo mais fechada atrás, mais colocada sobre o meio-campo e a sair em transição. E poderia ter feito dois gols, um por De Bruyne, um grande arremate que Donnarumma evita, e outro de Lukaku. Duas situações antes de Barella marcar o primeiro gol para a Itália. Grande jogo. Deu uma grande satisfação e temos em perspectiva agora, na meia-final, aquilo que podemos dizer uma meia-final puramente latina, de futebol latino. Vai ser muito interessante seguir esta meia-final entre a Itália e a Espanha, independentemente da rivalidade entre os dois países, a juventude das duas seleções, a qualidade jovem das duas formações, o estilo de jogo das duas formações. Duas formações que gostam muito da posse, mas fazem posse com alta qualidade, com alto recorte de futebol, com arte. Uma Itália que, na minha opinião, joga melhor sem bola do que a Espanha. Vamos ver. Eu penso um jogo ainda por cima naquele mago estádio que é o Wembley, na cidade de Londres.

Vamos ver. Uma grande meia-final, sem dúvida. Não é que precisassem, mas depois dessa sinopse, Gabriel, de certeza que ninguém vai querer perder Espanha e Itália. E vamos falar sobre Espanha. No outro jogo do dia, os espanhóis conseguiram bater a lutadora Suíça e precisamente no momento em que os helvéticos já foram felizes, nos pênaltis. Gabriel.

E chegaram aos pênaltis os helvéticos.

Exatamente. Foi um jogo de grande esforço, mais uma vez dos suíços, mas é a Espanha que segue para a quinta meia-final de um Euro.

A Espanha hoje não esteve tão bem. Houve fatores que não deram o rendimento que se previa. Aliás, aos oito minutos de jogo, há um autogol, o décimo autogol deste campeonato. Coisa incrível, de Zakaria, que substituiu Xhaka. Depois, aos 68 minutos, há um gol. É um erro da defesa da equipe espanhola.

Dos dois centrais.

Exatamente, um erro infantil, mas enfim, futebol também é feito de erros. Já dizia Cruyff: "São somar erros." Xhaka, 26 gols em 96 jogos. Há um autogol muito cedo. Os espanhóis chegam a uma posse de 70% face à equipe da Suíça, uma Suíça que perdeu também Embolo aos 20 minutos. Perde uma referência de ataque, um jogador importante para os movimentos de transição, eu diria de contra-ataque. E de facto, só aos 55 minutos. Segunda parte é que de canto Zakaria pôs em perigo a baliza do Unai.

E foi mais ou menos assim, não é, Gabriel? Mais de bola parada que os suíços tentaram.

Mais de bola parada que eles inclusivamente era onde poderiam e foram forçando essas situações. E aos 64 minutos, há de facto um lance fantástico e a cede de condução de Zuber e Vargas. Com uma boa combinação, bom movimento, com especial referência para Zuber, que desenhou o lance com perigo para o Unai. Aos 64 minutos. Daí que a Espanha fez um jogo pestoso depois. Eu penso que estando com um zero, quis fazer a manutenção desse um zero. Só que aquele erro acabou por defraudar o pensamento, porque um jogo em 90 minutos tem uma história e a história nem sempre sorri, naturalmente. E de resto, também a Espanha, tendo a Suíça com 10 unidades por expulsão, penso que é um cartão vermelho muito rigoroso, aos 77 minutos para Freuler, um dos centrais da equipe helvética. A Espanha naqueles 13 minutos não deu profundidade ao seu jogo, não deu dimensão. Essa dimensão só acabou por aparecer já no decorrer do prolongamento. Uma seleção espanhola que hoje não teve aquela dimensão, aquela criatividade e Sommer só teve mesmo que aparecer durante o decorrer do prolongamento, e tem que se dizer que fez uma exibição fabulosa o guarda-redes suíço. Então nessa altura, excelente. De resto, os arremates, é preciso dizer, seis enquadrados para a Suíça, praticamente tudo no decorrer do prolongamento e a Suíça com dois também enquadrados. Daí que há que rever e pensar, naturalmente, Luís Enrique o fará, o que se passou. Desgaste? A Espanha tem dois prolongamentos, tem uma situação de pontapé na marca de grande penalidade. Vai jogar com a Itália agora nas semifinais. Vamos ver o que vai ser e como é que as equipes se vão apresentar. Este tempo de recuperação que separa dessa grande partida naturalmente vai ser muito importante para a Espanha, porque tem esses dois prolongamentos, e também para a Itália, cujo desgaste do jogo hoje foi um desgaste fabuloso. Depois nos pênaltis, evidente que a Espanha vinha de uma série de pênaltis falhados, inclusivamente dois já no decorrer deste certame E Busquets acabou por falhar logo o primeiro, bola no pau.

O mais improvável, um dos mais experientes.

Exatamente, bola no pau. E esse Suíça que tanto fez para ir aos penaltis, onde se comportou de forma tão competente face à França, acabou por ter três, quatro falhas. E naturalmente que a Espanha, também com uma falha de Rodri, mas Gerard e Orozabal não falharam bem como homo e portanto segue para as meias-finais. Há que dizer da Suíça: capacidade coletiva, capacidade de sacrifício, muita disciplina tática, muita concentração, uma equipa estruturalmente organizada, mas depois faltou lhe aquilo que é o talento, porque sem Xhaka a equipa é, de facto, uma equipa mais pequenina.

Vamos ver como corre essa grande meia-final entre Espanha e Itália marcada para a próxima terça-feira.

Todo mundo quer bilhete de televisão, mais que não seja.

Tal e qual eu.

Vai parar o mundo. Vai parar pelo menos para essa meia-final latina, até porque as duas equipas têm dado uma grande resposta no decorrer deste campeonato, principalmente a Itália. A Itália tem feito um grande campeonato. A Bélgica, número um do ranking mundial, volta a cair sem ganhar um grande título. A verdade é que há uma série de jogadores que estão em lesões, o caso de De Bruyne e de Eden Hazard, já falámos disso, mas há aqui toda uma série de jogadores que estão a chegar ao fim. Ainda temos o Mundial 2022, mas é uma geração que está a passar por cima de um trabalho que acabou por não ver o resultado naquilo que sempre tanto esperou, que era conquistar um título.

E o Carrasco de Portugal que cai hoje. Gabriel, não temos muito tempo, mas vamos às nossas rubricas habituais. Quem teve a força da técnica neste primeiro dia de quartos de final?

Eu falo de Itália, obviamente, porque fez uma primeira parte fabulosa e depois ponho o quadro, aquele quadro que se põe na galeria de arte. O segundo golo da Itália, que é de facto uma obra de arte, uma maravilha das maravilhas. O golo de Insigne.

Grande pintura de Insigne, sem dúvida. E a técnica da força?

A Suíça. Faltou-lhe o talento e a técnica da força não chega, nem sempre.

E até onde nos leva no estilo inconfundível, Gabriel?

Em 2008, a primeira organização entre a Suíça e a Áustria, a organização a dois países, organização conjunta. A Espanha sagrou-se aí pela segunda vez a então campeã da Europa, depois do primeiro título em 1964. Era treinador, esse lendário e mítico figura do futebol espanhol, Luis Aragonés. Era o líder desta formação "tiqui-taca", que teve em Xavi o seu expoente máximo como jogador, e em Fernando Torres, El Niño, o goleador da final, que ao morder a Alemanha no 1 x 0, deu o ouro ao seu país. Dão as crónicas que a Espanha foi arrojada, corajosa, nunca perdeu a posse da bola, mesmo quando os índices de cansaço já se faziam sentir. Foi 1 x 0 o resultado, mas os espanhóis procuraram sempre o 2 x 0, sem perder a pureza do seu futebol artístico e apaixonado, aquilo que hoje fizeram 1 x 0 e depois não fizeram. Fiéis aos seus princípios, morreram por eles, não renunciar a esses princípios. Passou à história como uma equipa diferente, sedutora, essa formação. E Fernando Torres fez história. Xavi passa em profundidade a Torres. Lahm em vantagem. Torres não se atemorizou e correu, não se rendeu, foi em busca da bola, venceu o lateral germânico, que não era fácil de vencer em velocidade e força, conduziu a bola e frente a Lahm, à saída do guarda-redes alemão, um chapéu sublime decidiu o encontro. Foi a loucura total 33 minutos de jogo. Há muito que não se respirava a glória da vitória com este golo, o miúdo El Niño, como ficou para a história, converteu-se no ídolo do país. Se havia havido lágrimas de decepção com a seleção, a partir daí passou a haver lágrimas de felicidade. Não esquecer que nesta campeã da Europa, a Espanha, Xavi, 28 anos, o melhor jogador do torneio, o seu passe, a sua inteligência, a sua clareza de jogo, fizeram escola no mundo, assim o ditou. David Villa, 26 anos, foi o melhor marcador, quatro gols. Tudo isto face a uma Alemanha que vivia de Ballack, Michael Ballack. Dele foram os melhores momentos germânicos. No futebol força, o criativo dessa equipa, Ballack, tem sempre um papel determinante. O talento, a técnica, a força da técnica. Foi no Ernst Happel, de Viena de Áustria, que a Espanha jogava ainda com Casillas, Sérgio Ramos, Puyol, Iniesta. Uma Espanha que ficou para o mundo conhecida então pela Espanha do "tiqui-taca".

Grande Espanha era essa, Gabriel, sem dúvida. O primeiro dia de quartos de final está visto aqui no nosso "A Força da Técnica e a Técnica da Força", mas amanhã voltamos em força.

Com grandes jogos também.

Grandes jogos. República Checa, Dinamarca às 17h00, Ucrânia, Inglaterra às 20h00 e como não poderia deixar de ser, com o Gabriel Alves, depois de tudo isto acontecer. Até amanhã, Gabriel.

Boa noite. Até amanhã.

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