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Muito boa noite, seja bem-vindo a mais uma edição do “A Força da Técnica, Técnica da Força”, sempre com a ajuda do Gabriel Alves, que já está aqui conosco. Boa noite, Gabriel.
Boa noite. Boa noite. Boa noite a todos.
E para quem espera, e bem, pela análise do Gabriel e não conseguiu acompanhar os jogos desta noite, fique já a saber que estão já definidas as semifinais. A Inglaterra despachou a Ucrânia, a Dinamarca resistiu e venceu a República Checa ou a Chéquia, e Inglaterra e Dinamarca vão encontrar-se na quarta-feira. Antes, na terça, já lá estavam desde ontem Itália e Espanha, são estes os semifinalistas do campeonato.
E dá para dizer já algo que me parece que é importante. Vamos ter duas semifinais interessantes. Numa, o puro futebol latino, o futebol do Sul, entre a Itália e a Espanha. E na outra, o futebol do Norte, entre a Inglaterra e a Dinamarca. Obviamente que hoje em dia as coisas não serão de forma tão acentuada como eram aqui há uns anos. Tudo tem vindo a evoluir e há um determinado tipo de situações que têm sido ultrapassadas, mas não deixa de ser interessante continuar a ser o futebol do Norte, protagonizado pelos ingleses e pelos dinamarqueses, e o futebol do Sul, pelos italianos e pelos espanhóis. E a final, seja quem passa a final, será sempre entre uma equipe do Norte e uma equipe do Sul, portanto, a Europa a Norte e a Europa a Sul no seu Campeonato da Europa.
Estão representados os dois extremos da Europa. Já era a doer e então a partir da próxima semana o Euro faz as malas, muda-se definitivamente para o Wembley.
O tal Euro que se diz que é inglês.
Exato.
Porque a Inglaterra de sete jogos, joga lá seis.
Exato. Só jogou um jogo fora.
Só jogou um fora. Veio a Sul para sentir o aroma do sul da Europa.
E muda-se completamente o Euro para Wembley de forma definitiva e vai ser uma espécie de final four. Mas olhamos para os jogos desta noite e começamos com o jogo de há pouco. Despachou completamente a Inglaterra. Ganhou 4 x 0.
É um jogo que tem pouca história, porque a verdade é esta: uma equipe que entra a marcar e depois na segunda parte volta a entrar a marcar. Marcou aquilo que se pode dizer o ponto, desfaz qualquer tipo de estratégia do seu adversário. Há que referir e reportar que Shevchenko mexeu na equipe bem, por razão da lesão de Kryvtsov, e fez entrar Tsygankov e a partir daí mudou o sistema de linha de três defesas para um 4-3-3. Obviamente que tornou-se uma equipe mais valente, tem três bons jogadores, bons atacantes na linha da frente e é óbvio que poderia para a segunda parte trazer outro tipo de futebol, outro tipo de interesse, outro tipo de despique, outro tipo de emoção. Mas a verdade é que a Inglaterra é forte naquela que é a primeira oportunidade da segunda, à semelhança do que havia feito na primeira parte, acaba por marcar. Ficam daqui algumas notas da Ucrânia. Fica a simpatia. Chegou talvez onde não se esperasse. Poderá ter uma boa equipe a breve trecho. Shevchenko tem capacidade para isso. Muito bem assessorado, atenção, por gente do futebol italiano. Cassano é seu adjunto, foi um grande nome do futebol de Itália. Não olvidar que a equipe assenta bem numa base de clube, que é o Dynamo. Portanto, há trabalho que se faz ali, certamente com evolução a breve e médio trecho.
E Gabriel, os adeptos também o reconheceram. No final, vimos ali um momento de união entre os ucranianos, apesar da goleada.
Sim, completamente. Chegaram onde podia ser. Quanto à equipa da Inglaterra, algumas notas. Reportar que a Inglaterra já o disse, venceu, convenceu, geriu o jogo, geriu os jogadores, fez descanso com bola em competição e acima de tudo, a Inglaterra parte para as semifinais sem ter sofrido um único gol nesta competição, o que normalmente os treinadores gostam muito. Todos. E as equipas é fundamental não sofrer. O que denota capacidade defensiva. Vamos ver agora perante a equipe bem ofensiva como é a Dinamarca, como é que tudo se vai processar. Cada jogo é o seu jogo, cada jogo tem a sua história, dentro do próprio jogo há histórias. Eu diria, na história de um jogo, há histórias. Portanto, história com H, histórias es. Kane não levou tempo a aparecer, mas já está no Europeu com a sua classe e a sua qualidade. Dois gols hoje, um de cabeça, a mostrar, de facto, toda a sua qualidade no futebol aéreo, já tinha mostrado anteriormente, e um num remate face ao guarda-redes, remate com o pé. Eu quero reforçar aqui e reportar Sterling, para mim é o notável da equipa. De facto é um jogador muito interessante este Sterling, muito bom, porque é ele que está, também reporte-se, em quatro gols da equipa, três mais um, e na segunda parte acaba por estar também num terceiro, num outro gol. Ele é um jogador que quando mete a sexta, em velocidade, é voraz. É um voraz atacante E depois com inteligência, com agilidade. Portanto, aquilo não é só velocidade, não é só correr. Sabe o que está a fazer, sabe ter condução de bola, sabe como é que se há de furtar o adversário, sabe como é que há de colocar a bola, sabe o tempo de passe, sabe o tempo de fazer aquilo que se chama uma linha de passe e, portanto, construir uma linha de passe, que foi aquilo que fez hoje, colocando o cano na cara do guarda-redes contrário. Tem, acima de tudo, uma outra cultura, que é uma cultura tática, a cultura de como ajuda a equipa a defender. Ele é fantástico, o Sterling, é um jogador que entra muito bem da esquerda para o meio e, na realidade, é um jogador a ter naturalmente muita atenção nele e obviamente, na minha opinião, nesta altura, em termos do conjunto dos jogos, Sterling com nota máxima.
Gabriel, permita-me uma provocação. Não sei se será uma provocação, mas retive a frase: "A Inglaterra veio ao sul da Europa sentir o perfume." Na sua opinião, na sua análise, não concorda que Inglaterra antigamente, se calhar, tinha mais músculo? Não era mais conhecida pelo músculo, por ter um jogo tipicamente inglês?
A partir do momento em que passou a ser treinada por treinadores do continente, trouxe-lhe outra... Portanto, por isso é que eu foquei também que havia diferenças que tinham sido perfeitamente ultrapassadas, atenuadas umas, ultrapassadas outras. Por isso as coisas hoje já não há aquela diversificação, aquela diferenciação. Agora, os jogadores ingleses têm um determinado perfil, um determinado ADN. Os jogadores do Sul têm um determinado perfil, um determinado ADN. Portanto, as pessoas não são iguais, os povos não são iguais. A norte da Europa há toda uma cultura que não há a sul. A sul também há toda uma cultura que não há a norte. Daí que é a diversidade dos países e dentro dos próprios continentes, que fazem o mundo e naturalmente tornam isto muito interessante e muito agradável.
E Gabriel, só também para lhe perguntar acerca de... e bem sei que não costumamos usar este espaço para particularizar, mas havia, de facto, uma grande curiosidade sobre Jadon Sancho, porque o jogador transferiu-se.
Eu gostei bastante hoje de o ver, principalmente na primeira parte, onde ele se juntou a Sterling. Eu acho que Sterling, na primeira parte, foi o jogador mais interessante, num jogo onde havia pouco. E depois ele, Sancho, para mim, foi aquilo a que eu posso e chamo, dentro do futebol, que é uma linguagem que existe, o seu melhor sócio.
E de facto havia grande curiosidade. Oitenta e cinco milhões não são trocos.
É um jogador de qualidade.
Exato, um grande jogador.
Um jogador de qualidade e que ainda está em plena idade de evoluir.
Ainda é miúdo, ainda é muito novo.
Sim, plena idade.
Grande vitória convencer a Inglaterra, 4 x 0 sobre os ucranianos, bem orientados, já aqui ouvimos. Não saem completamente humilhados.
Sim, é um resultado mau. Esse é sempre o pior resultado.
É sempre o mau resultado.
Quatro a zero é muito. É uma derrota muito... Mas chegaram onde podiam.
Exato.
Eu acho que saem, daqueles que saíram, é de facto a equipa mais pobre.
Passamos para o primeiro jogo do dia, o jogo em que a Dinamarca carimbou a passagem para as semifinais. Prossegue o sonho dinamarquês. Valeu pela primeira parte e pela capacidade de resistência na segunda, Gabriel.
Valeu por tudo. O jogo foi excelente. Foi um belo jogo de futebol. E foi um jogo em Baku, a capital das mil e uma noites. Fantástico. Eu acho que foi um grande jogo de futebol neste belo Europeu que estamos a assistir. Houve grande futebol, há que dizê-lo, e foi um futebol onde os treinadores dos bancos jogaram também. E jogaram forte. Jogaram com inteligência, com decisão, em função do andamento e perfil que o jogo estava dando. Eu acho isto fantástico, ver trabalho de treinador a atuar. E a atuar e com resultados. Portanto, isso é também interessante. E quer o treinador da República Checa, por um lado, quer o treinador da Dinamarca, mexeram, e mexeram bem, em função do que um mexia, o outro também. Eu gosto muito do treinador da Dinamarca, que é um croxiano convicto, há que dizê-lo. E basta ver o futebol que os dinamarqueses desenvolvem. Eu tive a oportunidade também de estudar um pouco o seu perfil. E há uma frase que é dele e que eu vou citar: "Não se pode jogar futebol com medo". Olha, é isto. Pode-se jogar com estratégia, com plano, e que deve-se ter, com programa, mas não se pode jogar com medo. E ele hoje deu essa nota, que não há de jogar com medo. Os dinamarqueses entraram com o seu 3-4-3, face ao 4-2-3-1 da equipa checa. O primeiro gol da Dinamarca é muito bem jogado pelos dinamarqueses. É puro engano para os checos. Foram completamente, desculpem o termo, comidos. Porque é assim: ao pontapé de canto, normalmente os três centrais vão lá, que são aquelas três torres, e elas foram lá. Tudo se ocupou com os três centrais. Esqueceram-se de Delaney. Delaney, o menino que veio lá dos Estados Unidos, oriundo dos Estados Unidos, entrou sozinho e de cabeça, um belo gesto técnico, picou e estava a bater forte. Portanto, foi de mestre a jogada. O trabalho do lance de bola parada, que é sempre fundamental no futebol hoje em dia, esse foi muito bem trabalhado e os checos foram completamente surpreendidos Um golo cedo, estratégias a terem de conhecer. Obviamente a República Checa tinha que reagir e reagiu em bloco organizado, com posse. A Dinamarca trabalhou ofensivamente com o futebol direto, isto é, através do contra-ataque. Isto com uma temperatura de 28º em Baku, num jogo de alta intensidade futebolística competitiva. Estavam 28º em Baku, é uma temperatura muito intensa.
Aos 20 minutos eles já tinham as camisolas completamente encharcadas.
Completamente. E de um lado e do outro, obviamente, que as equipas funcionaram. Faarlig, grande campeonato que fez este guarda-redes da República Checa. Ele não teve baliza durante a época no Sevilha, porque Bono tirou-lhe o lugar e a verdade é que ele foi sempre suplente. Aparece aqui numa forma fabulosa, desde a primeira partida. Com intervenções de vulto e Schmeichel, titular do Leicester, a responder também, e esse com categoria. Isto, de facto, houve de um lado e do outro, dois guarda-redes também, hoje, que deram espetáculo. E eu gosto disso, eu pessoalmente, e acho que o público em geral também se levanta. Há perda, porque o guarda-redes ouviu, mas também há grande defesa, seja de um lado ou seja do outro. Aos 21 minutos, há uma abertura portentosa de Masopust para Olsen e a Dinamarca ganhava por 1x0. E a verdade é que o guarda-redes dinamarquês, ao tiro de Olsen, ao grande passe de Masopust, Schmeichel fez uma defesa de grande categoria. Um bom futebol, dinâmico. Faarlig aos 37 minutos faz o damizinho dinamarquês pela sua criatividade, pela sua capacidade. Uma ou outra de grande defesa. O contra-ataque ameaçava a Dinamarca a fluir nas faixas, mal cobertas pelos checos, há que dizê-lo. E foi fatal não terem controlado essas faixas, a equipa checa. E aos 48 minutos, muito bem. Mas que grande jogada. Eu vou só dar aqui uma nota. Estatisticamente, a equipa da Dinamarca correu o seu jogo, fluiu o seu jogo pela direita 40%, pelo eixo do ataque 40% e pela esquerda só 20%. E agora é assim, é pela esquerda que aparece de um momento para o outro.
Curioso.
Mejl a fazer em velocidade, a ganhar a posição, mas apertadíssimo. Ele que é um lateral de pé contrário, hoje com o pé direito, a fazer uma assistência do melhor que se tem visto ao nível do futebol, de antologia o passe, aquele último passe. De compêndio de escola. Fantástico. E depois Dolberg entrou.
Fez o mais fácil.
Dolberg a pensar: “Epá, estou em Wembley. Yes!” E fez o 2x0. Portanto, a segunda parte mexe, e isto é o trabalho dos treinadores. A equipa checa passa de 4x2-3-1 para 4x4-2, com duas alterações, e aperta com a Dinamarca. Tem quatro remates. Tau, tau, tau, ali logo à entrada. Schmeichel defende, há tiro que passe perto, mas aos 47 minutos, lá apareceu aquele menino Schick a fazer outro gol, um gol portentoso, magnífico gol, sem dúvida, uma assistência muitíssimo de Coufal, uma obra de arte de Schick com a parte interior do pé direito. Schmeichel não teve hipótese nenhuma, é um grande gol, tudo com frieza, com capacidade. Grande ponta de lança este menino. Se deu a conhecer. Ele já vinha sendo conhecido. De pezinhos de lã, ai Schick, Schick grande, grande. Portanto, aqui o treinador dinamarquês, o que é que ele faz? Ele acaba por tirar a fantasia do jogo, tira o Damizinho e o Dolberg e põe o Poulsen e o Nogard. E então o sistema 5-3-2. A Dinamarca equilibra-se no meio-campo. Poulsen foi fundamental na profundidade que trouxe ao jogo, travou atrás os checos. Ele a ganhar espaço, obrigou os checos a não subir, a não subir tanto, a não subirem todos. Faarlig acaba por evitar o terceiro, por Poulsen, duas vezes e Mejl outra vez. E Schmeichel evitou, de facto, a igualdade com uma luva fabulosa a tirar a bola da cabeça de Soucek, aquela torre, que eu poderia dizer que era de facto um grande poste do basquetebol.
E tivesse menos dedos, o Schmeichel não conseguia. Tivesse menos comprimento de dedo.
Foi de facto os seis minutos de compensação, depois, com a ansiedade de jogo. Fantástico. Apetece-me dizer: honra aos vencidos, glória aos vencedores e pelo espetáculo que eles proporcionaram. Muito obrigado.
Foi de facto um grande jogo e a confirmar aquela história da Cinderela. Nós estamos sempre a torcer e eu confesso que também estava a torcer. Estava mais ansioso por este jogo do que propriamente pelo outro, porque são duas seleções que não estão lá em cima nos tops, mas a verdade é que foi o melhor jogo de hoje. É indelicado?
Não, mas hoje foi um dos grandes jogos do campeonato, não é só o jogo de hoje. Um dos grandes jogos do campeonato por tudo. Muito bom Delaney, fantástico este patrão do meio-campo da equipa dinamarquesa. Kjaer, que eu conheço bem, quando era defesa do Sevilha, é um patrão da defesa, é um líder fantástico e gostei muito de Poulsen. A alegria de ser útil a sair do banco. Ele que era titular, passou para o banco, entrou com a alegria de ser útil Isto é grande jogador. Há que dizer isto. Agora, o sofrer faz parte do jogo. A Dinamarca sofreu? Sofreu, mas nos sonhos também há sofrimento.
Nos sonhos também há sofrimento. Uma frase que vai ficar, certamente, na memória e assim querem, pelo menos os dinamarqueses. Gabriel, para terminarmos.
E vamos ver o que eles vão fazer em Wembley. Eu não descarto os dinamarqueses, não estou a fazer o prognóstico, mas não descarto.
Nem o Gabriel e certamente muitas pessoas.
Vai ser um grande jogo, penso eu. Vai ser mais um grande jogo do Campeonato Europeu.
De um lado o norte da Europa, do outro lado o sul e vamos ver quem é que vence. Vamos às nossas rubricas habituais. Quem teve a força da técnica neste último dia de quartas de final?
Eu vou por dois hoje, porque de facto é o gol do Patrick Schick, que é de facto uma maravilha. Maravilhoso aquele gol e o último passe do Maehle para o segundo gol da Dinamarca. Tenho que naturalmente dar esta nota aos dois, porque é de facto jogadores de talento, de grande qualidade técnica, que executam e só executam assim.
E a técnica da força?
Eu dou à Dinamarca, porque a Dinamarca consegue conciliar essa técnica da força com a força da técnica e daí a grande equipa que é. E está em formação para ainda ser maior.
E até onde nos leva, até quando nos leva no estilo e nível?
1968. A Itália que nos encanta hoje e nos faz lembrar um bocadinho aquela Itália de 68. Portanto, isto tem muitos apaixonados por seu futebol, aquele futebol música que venceu em 68 e não desaproveitou a finalíssima. Na altura, na final frente à Iugoslávia, um a um, e depois a finalíssima, dois zero. Mas os italianos, na finalíssima, correram em menos de metade do Olímpico de Roma, se calhar não acreditaram tanto na sua Itália. Só lá estiveram 32.886 espectadores. Portanto, uma pouca confiança nessa "quadra zona". Riva deu vantagem à Itália aos 12 minutos. Ai, vá se existisse ao tempo, o fora de jogo, as linhas tinham anulado esse gol, portanto, esse gol não teria existido. Fora de jogo. Mas Anastasi, e já falei do Anastasi, aos 31 minutos, jogador do Varese, com uma meia distância portentosa, fez o resultado batendo o grande guarda-redes que era o guarda-redes Pavlic, da equipe iugoslava. Zoff, lendário, foi enorme nessa partida. Ali era na Itália, para além de Riva e Zoff, Facchetti, que fez mal, ficou na história. Domenghini, que brilhou. Mazzola, futebolista muito conhecido, e o próprio Anastasi. Era uma formação forte de jovens. E destacamos Riva, que tinha então 24 anos, que foi o melhor goleador do cálcio nessa época. Em 1967, vestia a camisola do modesto Cagliari. Em 1968, no Europeu, só jogou quatro dos 11 jogos e foi o rei dos marcadores. O tal Dino Zoff. Ouça, era o terceiro guarda-redes atrás dos célebres Albertosi e Dovieri. Só tinha duas internacionalizações e veja lá onde elas tinham sido feitas, ambas na cidade de Nápoles. Ele jogava no Nápoles. Portanto, jogou depois dois jogos, os dois jogos da final de 68. Como aquela marca, a imarca, veio para ficar. E depois, aos 40 anos, foi campeão do mundo na Espanha. E já agora, outra história. Mazzola era um excelente jogador, era utilizado pelo treinador Valcareggi como avançado de centro, mas na verdade era o chamado média-ponta, era um bom médio que entrava. Por isso convocou o menino Anastasi, o tal menino que eu falei, do modesto Varese, que tinha ascendido à Série A em 1967. Face à falta do gol, Anastasi foi à final a titular. Pagou a confiança do seu treinador com o tal gol que matou o jogo. Portanto, com esta Itália 20, faz-nos lembrar um pouco a Itália 68. Reparem que as estrelas não estão. Não há lá estrelas, são todos jogadores de equipas transversalmente médias. Portanto, eu ainda há dias falava que os melhores marcadores, por exemplo, neste campeonato, os jogadores que mais marcam, são os jogadores do Atalanta, que estão nas zonas do gol. Portanto, as equipas de jogadores de clubes autenticamente pouco falados, os artistas são insígnes e formam aquilo que se pode dizer futebol coletivo, futebol de equipa. E que os treinadores como Mancini, Luís Enrique, o próprio Southgate, o próprio treinador da Dinamarca. Falando destas equipas que estão nas meias-finais, são equipas em que os jogadores não são escolhidos por ser o clube cintilante A, B, C ou D do país A, B, C ou D. Portanto, são jogadores de futebol. Ora bem, o que conta é a humildade da equipa e o coletivo competitivo. Isto é fundamental. Quanto às estrelas, onde é que elas estão neste Europeu? A ver o Europeu.
E a ver vamos o que acontece. Já aqui o dissemos, estamos ansiosos. Terça-feira e quarta-feira temos essas meias-finais em Wembley, malas feitas para a capital de Inglaterra, Itália, Espanha, na terça e na quarta. Inglaterra, Dinamarca, o Gabriel já aqui o disse, é o sul da Europa contra o norte do velho continente e o Gabriel vai estar aqui uma vez mais, duas vezes, nesse caso, para analisar essas duas grandes semifinais, ou pelo menos é isso que esperamos, não é, Gabriel?
No palco dos palcos.
Palco dos palcos. E aqui estará também aberto o palco do Gabriel Alves em mais uma força da técnica e a técnica da força. Gabriel, muito obrigado. Até para a semana.
Bom fim de semana. Boa noite. Rádio Observador. Aconteça o que acontecer