Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"Guerra Traduzida" especial Irão esta quarta-feira com o jornalista Carlos Pedro. Começamos na guerra entre os Estados Unidos e o Irão, que é feita cada vez mais a partir do mar e isso está a ameaçar a qualidade das águas do Golfo Pérsico.
Prova disso, o mais recente ataque norte-americano a cinco petroleiros iranianos. Os ataques aconteceram perto da ilha de Karg e do porto iraniano de Jask. Entretanto, com a retaliação da Guarda Revolucionária Iraniana, sendo que as Forças Armadas da Jordânia confirmaram a interceção de 18 dos 20 mísseis balísticos lançados por Teerão. Não há, entretanto, nenhum registro de ferido. Ainda assim, esta reportagem da Al Jazeera dá conta de que, por exemplo, no início desta semana, os dados da Marine Traffic mostravam 42 petroleiros em trânsito no estreito de Ormuz, sendo que pelo menos 18 transportavam petróleo.
As contas da Al Jazeera apontam para uma estimativa de 1,76 milhões de metros cúbicos de petróleo e derivados só nesses 18 navios.
O que daria, por exemplo, para encher aproximadamente 714 piscinas olímpicas. Desde o início da guerra, já foram atacados em Ormuz pelo menos 75 navios, pelo menos dois ataques resultaram no derramamento de petróleo e outros seis causaram incêndios, o que pode provocar graves impactos ambientais. Esta reportagem destaca também um navio que encalhou a cerca de 41 km da costa de Omã, após a tripulação relatar uma explosão no petroleiro. A Reuters diz que esse navio transportava cerca de 800 mil barris de petróleo, com a autoridade ambiental de Omã a alertar para impactos que afetam 40 km de área no litoral do país. Dizer ainda que esta manhã o preço do petróleo Brent, referência europeia, superava os $100 de custo por barril. É o preço mais alto desde o final de julho, após registrar uma subida superior a 2%.
E Carlos, olhamos agora para Israel e para o braço de força que está a ser feito com o Reino Unido.
Sinais de uma postura bastante mais crítica do governo de Andy Burnham em relação a Israel. Ontem, no Parlamento britânico, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido acusou os colonos israelitas de terrorismo e limpeza étnica na Cisjordânia, no mesmo dia em que os líderes do Reino Unido, França, Canadá, defenderam que a expansão dos colonatos na Cisjordânia representa uma ameaça direta e urgente para a paz no Médio Oriente. Londres, Paris e Ottawa coordenaram uma ação para proibir a importação de produtos provenientes dos colonatos israelitas. Passam também, em linha com a lei internacional, a considerar ilegal a ocupação israelita na Cisjordânia. Uma ação que, de resto, mereceu apoio quase imediato de 12 países, incluindo Portugal. O Times of Israel diz esta quarta-feira que Donald Trump foi informado com antecedência destas sanções britânicas, e não só. O mesmo jornal indica que o presidente norte-americano não pediu para que o anúncio fosse adiado. À imprensa estrangeira, o secretário de Estado, Marco Rubio, diz que Washington compartilha o objetivo de estabilidade. Já o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Yukabi, prevê repercussões significativas devido a este boicote britânico.
E como resposta, as autoridades de Tel Aviv anunciaram o encerramento do consulado britânico em Jerusalém.
O que implica, desde logo, a retirada dos representantes britânicos do Centro de Coordenação em Gaza, bem como a suspensão das atividades de formação britânicas para as forças da autoridade palestiniana na Cisjordânia. Além disso, o chefe da diplomacia israelita, Gideon Sa'ar, avançou também que Israel vai proibir a entrada no país de 12 cidadãos britânicos considerados anti-Israel e antissemitas, isto sem qualquer especificação. Entretanto, o exército de Israel prendeu esta manhã seis palestinianos em operações na cidade de Tulkarem, precisamente na Cisjordânia ocupada.
E é uma ocupação que continua desde 1967, com sucessivos governos desde aí.
Ainda assim, é uma política que se tem intensificado com o atual governo liderado por Benjamin Netanyahu desde 2022, tendo-se agravado com o ataque a 7 de outubro de 2023. Foi uma anexação confirmada na sequência da Guerra dos Seis Dias, mantendo também Israel a anexação de Jerusalém Oriental. Importa dizer que ambas estas anexações não são reconhecidas pela comunidade internacional. Na Cisjordânia, juntamente com 3 milhões de palestinianos, vivem mais de 500 mil israelitas, considerados ilegais pelas Nações Unidas à luz do direito internacional.
E ainda a Israel, Benjamin Netanyahu diz que vai processar o jornal Haaretz. Carlos, por quê?
Em causa a reportagem deste jornal que indica que o primeiro-ministro israelita, Netanyahu, teria sido avisado pelo líder dos Emirados Árabes Unidos para o ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023 e que depois não teria avisado o chefe de segurança de Israel. A um canal de televisão israelita, Netanyahu diz que não foi avisado de nenhum ataque por parte de Mohammed bin Zayed, o presidente dos Emirados Árabes Unidos. Fala numa calúnia sinistra com clara motivação política quando estamos a caminho das eleições em Israel, já marcadas pro dia 27 do próximo mês de outubro.
E entretanto, ontem foi o último dia para a apresentação das listas candidatas ao Parlamento israelita.
Sim, e com destaque aqui para o partido Yashar, "honesto", traduzido para português, liderado por Gadi Eisenkot, antigo chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel. Ideologicamente, o partido Yashar posiciona-se como força centrista que vai procurar a credibilidade das áreas securitárias de Israel, apelando a eleitores desiludidos com a gestão da guerra e também os que temem um novo ataque como o de 7 de outubro. Também destaque para o partido com mais poder, o Likud, "união", em português, de direita, e que é liderado por Benjamin Netanyahu.
E o primeiro-ministro israelita, que continua a ter de resolver a desconfiança que existe em relação à forma como o governo de Israel lidou com o pré e o pós-ataque de 7 de outubro.
Isto numa altura em que uma sondagem do Centro de Jerusalém para Assuntos Externos e Segurança indica que a maioria dos israelitas teme que um ataque terrorista semelhante ao de 7 de outubro possa ter origem agora na Cisjordânia. São 77% dos israelitas que temem um ataque coordenado pela autoridade palestiniana. Falar ainda do partido de Otzma Yehudit, o Poder Judaico, do ministro da Segurança Nacional da coligação liderada por Netanyahu. Falo de Itamar Ben-Gvir, líder deste partido nacionalista de extrema-direita, fundado em 2004. Tem como medidas centrais a promoção de um mapa da grande Israel, a expansão da soberania do país sobre a Cisjordânia e o reforço do caráter judaico das instituições do Estado. Uma das maiores vitórias legislativas de Ben-Gvir foi a aprovação de uma lei que impõe a pena de morte a quem cometa atos que resultem na morte intencional de terceiros. No entanto, é preciso dizer que foi criada uma exceção para os israelitas que residem na Cisjordânia.
E fecha assim mais um episódio da "Guerra Traduzida", especial Irão, sobre os conflitos no Médio Oriente.