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Guerra traduzida na Rádio Observador. Passamos agora em revista os destaques dos jornais russos com a jornalista Laura Figueiredo. Laura, o Kremlin está a acompanhar de perto as mudanças no governo ucraniano.
Sim, foi o tema principal da conferência de imprensa diária do porta-voz do Kremlin. Dmitry Peskov admite que Moscovo está, naturalmente, a acompanhar todas as notícias relacionadas com o regime de Kiev, mas afirma que as mudanças no governo da Ucrânia não têm uma importância fundamental para a Rússia. O porta-voz do Kremlin desvaloriza também a polêmica em torno da pasta da Defesa, diz que não interessa quem venha a ocupar o cargo, sublinha que o importante é que alguém em Kiev esteja preparado para tomar as decisões necessárias para chegar a uma solução pacífica ou para pôr fim ao conflito. Peskov deixou ainda um recado à Ucrânia, diz que Kiev sabe muito bem que decisões tem de se tomar para avançar rumo a um acordo.
Entretanto, a Rússia acusa o Ocidente de tornar possíveis ataques ucranianos de longo alcance, Laura.
O vice-secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Yuri Kokov, afirmou que os ataques de grande alcance da Ucrânia contra o território russo só são possíveis graças ao apoio dos países ocidentais. Em declarações à agência russa TASS, Kokov acusa o Ocidente de continuar a fornecer à Ucrânia armamento, bem como apoio técnico em áreas como reconhecimento, identificação de alvos e logística. O vice-secretário do Conselho de Segurança da Rússia diz, e passo a citar: "Hoje o fornecimento desenfreado de armamento moderno a este regime, bem como o apoio técnico em reconhecimento, identificação de alvos e logística, criou a possibilidade de realizar ataques em grande escala contra o território russo com drones e sistemas de mísseis de longo alcance". São estas as palavras de Yuri Kokov com acusações aos países ocidentais.
Ainda no terreno, a Rússia e a Ucrânia trocaram corpos de mais de 500 soldados mortos em combate.
É o que adianta o Moscow Times, que cita um deputado russo. De acordo com este jornal, Kiev terá recebido 501 corpos de soldados ucranianos, enquanto entregou à Rússia os restos mortais de 31 militares. Segundo a agência de notícias Interfax, a troca aconteceu hoje perto da fronteira com a Bielorrússia e terá sido a 13ª troca desde o início do ano. A imprensa russa dá conta de que esta entrega de corpos de soldados mortos e também a troca de prisioneiros de guerra estão entre as pouquíssimas áreas de cooperação humanitária entre a Rússia e a Ucrânia desde o início do conflito.
Do terreno pra economia, as ações da empresa estatal russa Gazprom afundaram hoje para mínimos históricos devido às sanções contra Moscovo.
De acordo com o Moscow Times, as ações da Gazprom registaram hoje uma queda histórica de mais de 5% na Bolsa de Moscovo, cotando-se a 83,98 rublos e batendo o recorde negativo da crise de 2008. Este colapso, que arrastou o índice de referência MOEX para uma queda de 3,4%, traduz o prolongamento de uma queda sistemática que dura já há 19 semanas. De acordo com os jornais Kommersant e Moscow Times, o colapso financeiro da Gazprom, cujo valor do mercado caiu para US$ 25,7 mil milhões, é impulsionado pelo bloqueio das exportações para a Europa e também pelos impactos severos na produção de combustíveis. Além disso, os recentes ataques ucranianos a refinarias russas geraram uma grave crise de combustíveis, forçando o Kremlin a proibir a exportação de gasóleo até 31 de julho e racionar a venda de gasolina em várias regiões.
Está feita a revista de imprensa de hoje, dia 16 de julho, o trabalho da jornalista Laura Figueiredo. A Guerra Traduzida está de regresso amanhã. Até lá.