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Olhamos agora pra imprensa que vem de Moscovo. É mais um episódio de "Guerra Traduzida", um trabalho do jornalista Rui Casanova, com a colaboração de Larissa Tovmazian. E neste dia 21/08/2023, Rui, vamos começar com a imprensa livre da Rússia. Não é costume, mas hoje fazemo-lo, que dá destaque a um dos temas do momento, os caças F-16.

Isso mesmo, e vou citar o título de um artigo do canal livre Meduza: "Os Países Baixos e a Dinamarca vão fornecer caças F-16 à Ucrânia. Que tipo de aeronave é esta e como é que vai afetar a situação no terreno?" É o título deste artigo do canal Meduza, que falou com especialistas militares a propósito destes F-16. Como dissemos há pouco no episódio anterior de "Guerra Traduzida", os Países Baixos e a Dinamarca anunciaram nas últimas horas que vão enviar para a Ucrânia caças F-16 pra ajudar Kiev na luta contra a Rússia. O canal Meduza falou com especialistas militares que explicam que os F-16 foram originalmente fabricados para conquistar o espaço aéreo e conduzir batalhas aéreas. Foram feitos precisamente para isso, para combate aéreo com outros caças. Estes especialistas militares ouvidos pelo canal Meduza falam num aparelho muito manobrável, poderoso e com muita força e, por isso, ideal para travar batalhas aéreas. A questão aqui levantada por estes especialistas é quantas aeronaves a sério vão para a Ucrânia e quantos pilotos vão ser treinados. Isto porque ainda não há números oficiais e esta é uma questão debatida há muito tempo, praticamente desde o início da guerra. Não é qualquer piloto, não é qualquer militar que pode operar um caça F-16. Precisa de muito treino, muitos meses de treino para saber pilotar estes F-16. Os números ainda não são oficiais. Vamos ver que novidades trazem estes caças e também estes países que fornecem estes aparelhos à Ucrânia. De resto, também só a título de curiosidade, não está em destaque na imprensa russa, mas importa aqui destacar que a ministra da Defesa portuguesa, Helena Carreiras, anunciou há pouco que Portugal vai fornecer este treino de pilotos e de mecânicos ucranianos para que possam operar estes caças F-16 que estão a caminho de Kiev.

E no terreno, a Rússia diz que repeliu cinco ataques da Ucrânia na região de Zaporíjia, isto nas últimas horas.

É o que dá conta o Ministério da Defesa num comunicado aqui citado pela agência estatal RIA. A tutela fala em ações bem coordenadas das unidades do grupo de forças russas, resultado cinco ataques da Ucrânia evitados na aldeia de Rabotino, é o que diz o Ministério da Defesa da Rússia. Além disso, perto de uma outra aldeia, a aldeia de Omelnik, também Zaporíjia, as tropas russas conseguiram destruir um depósito de munições de um grupo militar ucraniano. Ao todo, nestas hostilidades, mais de 80 militares da Ucrânia morreram. É o que diz este comunicado do Ministério da Defesa, citado pela agência RIA.

Vamos pra outra frente desta guerra, mas mais diplomática, a gestão diplomática deste conflito. E vamos até ao presidente turco Erdoğan, que já tem data pro encontro com o presidente russo Vladimir Putin, e é já no próximo mês.

É, já falta pouco. O presidente turco Recep Erdoğan diz que mal pode esperar para ter uma reunião frente a frente com Vladimir Putin e que, adianta Recep Erdoğan, essa reunião pode acontecer já em setembro. Isto porque é em setembro que está marcada a reunião do G20, na Índia, e também a Assembleia Geral da ONU, nos Estados Unidos. O presidente turco diz que se houver a oportunidade aqui uma pequena janela entre estas reuniões, pode encontrar-se com Vladimir Putin e falar com o presidente russo. São declarações de Recep Erdoğan aqui citadas pelo jornal russo KP. De recordar que no início deste mês de agosto, Putin falou ao telefone com Erdoğan e concordou com uma visita à Turquia. Não havia ainda data, ainda também não é 100% oficial, mas Erdoğan avança aqui que pode surgir nos próximos dias, já em setembro.

E vamos fechar com uma notícia que nos diz que os alunos do ensino secundário na Rússia vão passar a ter aulas sobre drones.

É, este curso já tinha sido anunciado aqui há cerca de um mês pelas autoridades russas, mas agora é oficial. Este curso foi apoiado e aprovado pelo Ministério da Defesa e pelo Ministério da Educação da Federação Russa. A notícia está em destaque na agência estatal RIA. O programa deste curso diz que o objetivo é que os alunos conheçam o algoritmo para combater drones inimigos e realizar ações práticas para controlar estes aparelhos. O programa prevê também o estudo dos tipos, finalidade, características de desempenho e estrutura geral, reconhecimento e métodos de combate dos drones inimigos. Estamos aqui a falar de alunos de cerca de 16, 17 anos, alunos do ensino secundário na Rússia que vão passar a ter aulas sobre drones neste contexto de guerra.

E é com esta notícia que chegamos ao fim de mais um episódio de "Guerra Traduzida". Aqui na Rádio Observador traduzimos os dois lados da guerra de segunda a sexta. Amanhã é terça, estamos de volta aí. Até lá.