Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Começa agora mais um episódio da "Guerra Traduzida" para acompanhar a guerra no Médio Oriente. Eu sou o Miguel Gato, olhamos para a imprensa internacional hoje com a ajuda do Carlos Pedro. E Carlos, neste episódio voltamos a falar das munições norte-americanas. Donald Trump rejeita qualquer tipo de escassez de armamento nos Estados Unidos, mas o Washington Post diz que o caso deu lugar a um bate-boca entre o presidente norte-americano e também o secretário de Defesa, Pete Hegseth.
Trump diz, sem rodeios, que os Estados Unidos têm quantidades massivas de munições. O presidente norte-americano deixa também novas críticas aos media, que têm anunciado a escassez de mísseis norte-americanos nas últimas semanas. Foi através da Truth Social, na internet, que o republicano garantiu que está a ser construído o maior número de fábricas na história do país e acusa de traição aqueles que têm divulgado as notícias que apontam para uma rutura no estoque de mísseis balísticos. Diz mesmo Trump, que os responsáveis por estas notícias devem ser caçados e sujeitos a longas sentenças de prisão.
Mas hoje, no Washington Post, a manchete deste jornal diz que Trump e Hegseth entraram em conflito precisamente devido a este tema das munições.
Sim, foi em Camp David, o retiro rural do líder da Casa Branca. Foi lá que Trump terá exigido explicações ao secretário de Defesa dos Estados Unidos sobre porque havia sido enganado a respeito da extrema escassez de munições, que agora ameaça limitar as operações militares contra o Irão. Os pormenores desta reunião, que decorreu no domingo, são revelados por duas pessoas familiarizadas com a conversa ao Washington Post. Dizem que Trump pensava que a questão já estaria resolvida, mas afinal, não. E também por isso o presidente norte-americano terá recuado nas intenções de lançar um ataque massivo contra o Irão. Na altura, o presidente norte-americano falou mesmo no maior ataque desde a Segunda Guerra Mundial. Sobre a produção de munições, os Estados Unidos anunciaram novos acordos, mas a produção, por exemplo, de mísseis Patriot, pode levar até dois anos. Por agora, não há solução imediata para a escassez deste tipo de armamento. Apenas no primeiro mês de combate, os norte-americanos lançaram mais de 850 mísseis Tomahawk e mais de 1000 sistemas Patriot de defesa aérea. O Washington Post diz ainda que esta campanha no Médio Oriente está a dificultar o conflito na Europa, com a escassez de munições defensivas a preocuparem as autoridades ucranianas. Isto no dia em que mais seis pessoas morreram e outras 30 ficaram feridas na sequência de ataques russos na Ucrânia. Este foi, de resto, de acordo com a ONU, o mês mais mortífero para os civis ucranianos em quatro anos de conflito.
E Carlos, vamos continuar com o foco no Médio Oriente, até porque está iminente um acordo entre Irão e Omã para a reabertura total do estreito de Ormuz. O entendimento vai ser estabelecido em duas partes, certo?
O acordo gira, de facto, à volta de duas questões, diz a Al Jazeera. Quem controla o estreito de Ormuz e se o Irão deve ou não ter permissão para cobrar taxas a navios comerciais que desejam atravessar o canal após o cessar-fogo de abril. Washington propôs que os navios utilizassem uma rota ao sul, ao longo da costa de Omã, mas o Irão rejeitou a proposta por considerar que a mesma violava o memorando de entendimento assinado antes. Os mediadores estão agora a tentar intermediar um acordo que permita a retomada do transporte marítimo comercial, ao mesmo tempo que abordam as preocupações de segurança, tanto dos iranianos como dos omanianas.
Importa saber, Carlos, o que quer o Irão e os Estados Unidos. Vamos começar com Teerão.
O Irão quer rotas marítimas seguras de entrada e saída, que respeitam os direitos de soberania do país. Teerão tem sugerido também a tal possibilidade de introduzir algum tipo de taxas à passagem de navios por Ormuz.
O que é perentoriamente rejeitado pelos norte-americanos.
Sim, Washington não quer saber nem pensar em taxas. Os norte-americanos defendem a total liberdade de navegação por Ormuz, por entenderem que nenhuma das partes controla as rotas marítimas no Golfo Pérsico. Entretanto, a imprensa internacional indica que as próximas horas podem ser fundamentais e podem já confirmar este acordo. O portal Axios diz que o acordo teria a duração inicial de 60 dias, sem taxas alfandegárias no canal.
E ainda sobre a possível livre circulação em Ormuz, Carlos, há associações que alertam para os riscos de aplicação destas portagens.
É um alerta que vem expresso numa carta enviada às Nações Unidas e à Organização Marítima Internacional por oito das maiores associações de navegação do mundo. E de acordo com os signatários deste documento, tributar a passagem para Ormuz é uma ameaça à liberdade de navegação, fundamental para a manutenção das cadeias de abastecimento resilientes, para a estabilidade económica e também para a segurança energética. A mudança proposta pelo Irão, defendem estas organizações, pode vir a implicar um custo humano e afetar os meios de subsistência ao redor do mundo. Em declarações à Al Jazeera, o secretário-geral da Organização Marítima Internacional afirma que impor taxas no Estreito de Ormuz violaria a lei internacional, introduzindo um precedente muito prejudicial para a navegação global.
Ponto final no episódio de hoje da "Guerra Traduzida" sobre os conflitos no Médio Oriente. A edição de hoje foi com o jornalista Carlos Pedro. Voltamos amanhã.