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Está no ar a Guerra Traduzida, está com a Rádio Observador neste programa, diariamente, de segunda a sexta. Trazemos os destaques dos jornais russos e dos jornais ucranianos em tempo de conflito. Conosco está hoje a jornalista Diana Rosa. Diana, boa tarde.

Olá, Miguel.

Hoje começamos pela imprensa da Rússia e com as conclusões sobre a ronda de negociações na Arábia Saudita entre Estados Unidos da América e a Rússia. Não vão ser tornadas públicas essas conclusões. Esta é uma decisão do Kremlin.

Dmitry Peskov diz que estão em causa negociações técnicas e cheias de detalhes, sendo que as duas delegações estiveram ontem reunidas durante perto de 10 horas. O porta-voz do Kremlin acrescenta que os resultados das conversas foram transmitidos a Moscovo e a Washington e estão actualmente sob análise. Mas há aqui um novo dado. Moscovo quer que as Nações Unidas estejam envolvidas nas negociações sobre a Ucrânia. Isso mesmo revelou um dos negociadores russos. A mesma fonte afirma também que é desejo do regime de Putin continuar a ter conversas úteis com os Estados Unidos num diálogo que não considera fácil, mas que considera muito útil para os dois países.

E seis pessoas morreram na sequência de um míssil ucraniano que atingiu Luhansk, uma região ocupada pela Rússia. Entre essas pessoas estão jornalistas do Izvestia, um jornal russo controlado pelo Kremlin.

O ataque foi levado a cabo esta segunda-feira e nas últimas horas surgiu a informação de que um correspondente de guerra do Izvestia está entre os mortos. O jornalista preparava uma reportagem sobre o trabalho das equipas de drones, quando um grupo de repórteres foi atingido por fogo de artilharia das Forças Armadas Ucranianas. Também um repórter de imagem que trabalhava para a televisão Zvezda, assim como um motorista que estava ao serviço do canal, morreram neste ataque. A entidade destas vítimas foi revelada pelo governador local, nomeado pela Rússia, bem como pelo Izvestia, que confirma que o jornalista morreu enquanto cobria a chamada operação militar especial, a designação usada pelo Kremlin para se referir à guerra na Ucrânia. Além destes jornalistas, também uma criança de 14 anos terá sido atingida pelo bombardeamento, não resistiu aos ferimentos. Neste momento, decorre uma investigação sobre este caso.

Falamos agora de um caso que está a marcar a atualidade, o SignalGate. O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América arrisca ser demitido depois de ter colocado, por engano, ao que está a ser dito, um jornalista num grupo da plataforma de mensagens Signal.

Sim, um grupo onde terá sido trocada informação sensível sobre os planos de guerra dos Estados Unidos, designadamente a resposta aos ataques dos houthis no Iémen. De acordo com o jornal político citado pela agência TASS, ainda não foi tomada uma decisão definitiva, mas o tema está a ser discutido de forma intensa desde que surgiu este embaraço para a administração norte-americana. O jornal diz que Donald Trump deverá demiti-lo nos próximos dias. De acordo com as fontes citadas pela imprensa internacional, foi uma irresponsabilidade não verificar cuidadosamente quem estava naquele grupo de mensagens, em particular, vinda de um conselheiro de segurança. Já o secretário de defesa de Trump nega que alguém tenha partilhado planos de guerra através do Signal. Pete Hegseth acusa o jornalista de ser mentiroso e de já ter sido completamente desacreditado. Diz ainda que Jeffrey Goldberg, editor-chefe da Atlantic, passa a vida a disseminar mentiras. Sendo que agora há uma novidade acabada de chegar. Donald Trump falou à NBC a dizer que Mike Waltz é um bom homem, que aprendeu a lição e não temos ainda a certeza de que ele permaneça no cargo durante muito tempo, mas, de acordo com as declarações de Donald Trump, indica aqui um bom sinal para o conselheiro de segurança norte-americano.

Donald Trump desvaloriza este caso e acusa também o jornalista de ser mentiroso. A Rússia, entretanto, acusa a Ucrânia de um novo ataque à estrutura energética russa, apesar da trégua que foi acordada.

Como resultado de um alegado ataque à infraestrutura de Krasnodar ontem à tarde, uma linha de alta tensão foi desligada. Por sua vez, em Luhansk, o território ucraniano, mas que a Rússia diz que lhe pertence, as Forças Armadas terão atacado o posto de distribuição de gás de Svatovo. Também na Crimeia, os sistemas de defesa aéreos conseguiram interceptar um drone ucraniano cujo alvo era o equipamento terrestre da instalação subterrânea de um depósito de gás. O Ministério da Defesa russo diz que com os ataques em andamento, o presidente ucraniano confirma a incapacidade de negociar e a falta de controle que tem sobre o cumprimento de quaisquer eventuais acordos. Uma ideia que foi replicada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, que diz que o exército ucraniano também atacou uma estação de gás em Sudja, na Rússia.

Não sabem negociar, tendo em conta a capacidade do exército ucraniano em criar provocações. Eles atacaram a estação de gás em Sudja e depois disseram que foi a Rússia a fazê-lo, mesmo sendo nossa propriedade. Em grande parte, vários países europeus dependem dessa energia. Também foi atacada uma das estações de gás no mar Cáspio e esse dano não pode ser resgatado de forma rápida. Mais uma vez, repito, o volume de petróleo para os consumidores europeus vai diminuir rapidamente por causa de outro ato terrorista da Ucrânia.

Sergei Lavrov diz que é impossível confiar no lado ucraniano e fazer as pazes com o país.

Destaques da imprensa russa.