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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos falar agora dos destaques na imprensa russa, hoje com o jornalista José Rafael Lopes e começamos com um elogio às defesas aéreas russas.

Um dos principais destaques na imprensa russa é a nova vaga de ataques de drones ucranianos durante a noite e ao longo do dia em várias regiões do país, com foco em Moscovo. A Agência Interfax escreve que o número de drones abatidos a caminho de Moscovo foi sendo atualizado ao longo do dia, começou em quatro e ultrapassou os 100 drones abatidos. A notícia cita dados do Ministério da Defesa, que assegura que todos os aparelhos destruídos são resultado da eficácia das defesas aéreas da Rússia. Em vários momentos, aeroportos da região de Moscovo suspenderam ou ajustaram operações, retomando depois a atividade por acordo com as autoridades. Terá sido o principal constrangimento, uma vez que os drones foram neutralizados na aproximação à capital. Como tal, não há relatos de danos significativos em Moscovo, mas foram registados casos de destroços a cair em regiões vizinhas. Moscovo é apresentada como um alvo recorrente e o tom das notícias reforça a ideia de que a Rússia tem uma defesa aérea extremamente eficaz.

Os ataques a infraestruturas energéticas continuam a marcar a atualidade na Rússia.

Agora mais na ótica da dimensão económica dos ataques ucranianos, a Interfax diz que na região de Leningrado, um armazém da Wildberries, um dos maiores retalistas online da Rússia, foi atingido por um drone que provocou um incêndio que as autoridades dizem já estar localizado. Em paralelo, dá conta de um ataque a infraestruturas energéticas na região de Volgogrado. Destroços de drones terão caído em objetos de transporte e energia, obrigando à suspensão temporária de algumas ligações ferroviárias. Estes ataques são apresentados como parte de uma campanha ucraniana contra alvos energéticos e comerciais dentro da Rússia. A imprensa russa recorda também um incêndio anterior num quadro complexo de refinação em Syzran, inserindo esse episódio no mesmo quadro de pressão sobre a infraestrutura energética. Ainda assim, a imprensa destaca os esforços que têm sido levados a cabo pelo governo para que este tipo de danos não se note no dia a dia dos russos, que vivem perto das regiões afetadas.

E a Rússia volta a destacar avanços no terreno.

É o reverso da medalha. Já falámos sobre a forma como a Rússia destaca a defesa e os danos de ataques ucranianos. Do lado ofensivo, a imprensa russa dá forte destaque à evolução da operação militar especial. Há vários jornais que escrevem que as posições das Forças Armadas da Ucrânia em Kramatorsk e Sloviansk estão sob fogo intenso e citam os especialistas militares que descrevem a preparação para um eventual assalto a estas duas cidades da região de Donetsk, no sul da Ucrânia. Isto numa altura em que o Ministério da Defesa russo anunciou a tomada de mais uma aldeia em Kharkiv. Estes ataques são descritos como medidas destinadas a interromper a lógica militar ucraniana e reduzir a capacidade de Kiev de reforçar as linhas da frente.

E falamos agora de Vladimir Putin, que assinou várias leis que afetam a vida dos russos.

E muitas que não deveria ter assinado. É o que diz a imprensa russa. Há três principais temas: contratos militares, expulsão de estrangeiros e criptomoedas. É um grande pacote de leis assinadas hoje por Vladimir Putin. A Interfax destaca que o presidente aprovou um diploma que alarga o universo de cidadãos com cadastro criminal, que podem celebrar contratos com as Forças Armadas, o que aumenta o lote de pessoas que podem ser recrutadas para a frente da guerra. Outra lei assinada expande as bases da expulsão de estrangeiros da Federação Russa, endurecendo o quadro jurídico para deportação de pessoas de outros países. Em paralelo, Vladimir Putin assinou um diploma sobre a regulação das criptomoedas no país, um diploma que vai dar aos bancos e às autoridades financeiras novos poderes de supervisão. Há ainda referências a uma lei que amplia o sistema seguro de depósitos a carteiras eletrónicas, reforçando a proteção dos consumidores em serviços financeiros digitais.

E mudamos de tema para falar de economia, que tem estado também em destaque na imprensa russa.

O rublo desceu ligeiramente no final da sessão de hoje, num contexto de queda dos preços do crude. As empresas económicas do país indicam que o Brent está a ser negociado em torno dos 83 dólares por barril e relaciona a imprensa russa este movimento com as expectativas sobre o conflito no Médio Oriente e as negociações em torno do estreito de Ormuz. São ainda noticiados desenvolvimentos ligados ao transporte marítimo, até porque uma das principais companhias de navegação da Rússia anunciou que vai suspender os pedidos de transporte através da área do Mar Negro, devido à situação de segurança. Já no setor agrícola, há medidas protecionistas da economia russa. O Serviço de Vigilância Agrícola decidiu proibir trânsito através da Rússia de carne e subprodutos de aves provenientes da União Europeia. Estes elementos são apontados como parte da resposta de Moscovo a riscos de segurança marítima e também a um contexto de tensão com o bloco europeu.

E fechamos com conversas russas com o Brasil.

A imprensa russa destaca hoje vários movimentos diplomáticos, com destaque para uma chamada de Vladimir Putin com o presidente do Brasil, ao que tudo indica, para discutir comércio mútuo e problemas internacionais. Nas notas oficiais, é sublinhado o peso das trocas económicas e a convergência em alguns dossiês entre os dois países, mas sem pormenores sobre eventuais acordos concretos. Também Sergey Lavrov é abordado nesta temática, mas devido ao facto de ir chefiar a delegação russa na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, situação que é vista por Moscovo como a presença ao mais alto nível da Rússia no principal fórum diplomático mundial.

Fica por aqui esta edição da "Guerra Traduzida", hoje com o jornalista José Rafael Lopes. Está de regresso amanhã. Fica disponível, como sempre, em podcast.