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"Guerra Traduzida": diariamente analisamos a imprensa da Rússia e da Ucrânia para perceber como estão a dar as notícias sobre a invasão. E hoje vamos começar com os destaques dos jornais ucranianos. É um trabalho do jornalista Rui Casanova, que já está aqui conosco. Rui, boa tarde. Bem-vindo mais uma vez.
Boa tarde. Obrigado.
Contas-te como sempre, e referimos isto todos os dias com a preciosa colaboração da Tânia Oliniki. Rui, vamos começar com Volodymyr Zelensky. O presidente da Ucrânia esteve no terreno para fazer um ponto de situação da guerra.
Sim, Volodymyr Zelensky esteve nas últimas horas reunido com militares no sul do país, em Odessa, uma reunião que só foi possível realizar quando a meteorologia assim o permitiu. Já ontem tínhamos dado conta aqui no "Guerra Traduzida" do mau tempo que se faz sentir por estes dias na Ucrânia e o jornal "Pravda" dá conta disso mesmo no título deste artigo. Pode ler-se: "Depois do mau tempo, Zelensky encontrou-se com militares em Odessa". O presidente ucraniano, como dizias, Miguel, esteve a ouvir da parte dos militares um ponto de situação do que está a passar no terreno e também das operações para proteger os cereais ucranianos nesta cidade portuária de Odessa. Zelensky deu conta das conclusões deste encontro nas redes sociais e partilhou mesmo um vídeo. Vamos aqui ouvir um excerto. Ouvimos aqui em fundo um excerto deste vídeo, vemos Volodymyr Zelensky a falar com os militares. Diz-lhes que é sempre uma honra estar frente a frente com os defensores do país. Depois distribuiu medalhas pelos soldados e afirma que toda a Ucrânia lhes está agradecida. É o que diz Zelensky neste vídeo aqui em destaque no jornal "Pravda". E de resto, Miguel, aqui a propósito do mau tempo, só uma nota de rodapé. Devido ao mau tempo que se tem feito sentir na Ucrânia, 12 cidadãos morreram precisamente devido ao mau tempo, outros 23 ficaram feridos, incluindo duas crianças. Uma situação natural, não é? Estamos no inverno na Ucrânia, mas é uma situação agravada pelos ataques da Rússia que atingem infraestruturas energéticas do país e que agravam ainda mais a situação. Foi um tema em destaque no episódio de ontem de "Guerra Traduzida".
Em Zaporízhia, precisamente onde se localiza uma central nuclear, as tropas russas atacaram uma carrinha com ajuda humanitária.
Exatamente, aconteceu ontem. A notícia está hoje em destaque no jornal ucraniano "Pravda". Os militares russos atacaram uma carrinha que transportava ajuda humanitária, um ataque feito com recurso a um drone kamikaze. O ataque aconteceu durante a entrega desta ajuda humanitária à população. Uma pessoa morreu e duas ficaram feridas na sequência do ataque. São dados da polícia ucraniana, aqui citados pelo jornal "Pravda". O caminhão, a carrinha que transportava esta ajuda humanitária aos civis em Zaporízhia, também ficou danificada.
Jens Stoltenberg anuncia que a Ucrânia apresentou e acordou com os aliados um programa para cumprir os requisitos de adesão à NATO.
O anúncio feito pelo secretário-geral da NATO numa conferência de imprensa em Bruxelas, no final de uma cimeira da Aliança Atlântica. São declarações de Jens Stoltenberg, em destaque no portal ucraniano "Eurointegration". O programa prevê uma série de requisitos que a Ucrânia tem de cumprir para acelerar a adesão à NATO. Stoltenberg destaca mesmo que Kiev já fez um grande progresso, diz mesmo Jens Stoltenberg que está impressionado com o progresso da Ucrânia. São declarações aqui em destaque na imprensa ucraniana.
E Rui, agora uma pergunta: como é que devemos falar com os militares ucranianos na rua? O jornal "Pravda" tem um guia e deixa um conselho: acima de tudo, nunca lhes devemos perguntar para quando a vitória.
Sim, os militares precisam tratamento especial ou são iguais aos civis? Como posso agradecer a um soldado que encontro na rua por defender o meu país? São aqui as perguntas lançadas pelo jornal "Pravda", que falou com uma psicóloga com experiência em trabalhar com veteranos de guerra e também com um psicoterapeuta, que trata soldados feridos e ajuda também os familiares destes militares. Ora, e estes psicólogos aconselham, lembram que acima de tudo, os militares são pessoas normais, com emoções, sentimentos, medos, tabus, e que antes de falarmos com uma pessoa na rua fardada, devemos acima de tudo pedir permissão. Importa-se que me dirija a si? Importa-se que fale consigo? Depois, se o soldado der autorização, aí sim, podemos iniciar uma conversa e acima de tudo, se este soldado nos contar uma história de algo que aconteceu no terreno, na linha de frente, não devemos dar a nossa opinião, é o que dizem estes psicólogos. Devemos dizer algo do gênero: "De facto, isso que me acabaste de contar é terrível, nem imagino como é que te sentes e acima de tudo, estou aqui para te dar o meu apoio caso precises". Os especialistas, como dizias, Miguel, aconselham também, aqui é uma questão importante, nunca devemos perguntar quando é que vai surgir a vitória da Ucrânia, porque isso coloca aqui uma pressão adicional sobre estes militares. Devemos também evitar perguntar sobre lesões, por exemplo, alguém que tenha uma prótese, que tenha eventualmente perdido um braço ou uma perna na guerra. Devemos evitar abordar essa questão. E também aqui, acima de tudo, é um conselho muito importante destes especialistas citados pelo "Pravda": há gestos proibidos como abraços e toques, porque nunca sabemos o passado desses militares, não sabemos que traumas trazem estes soldados do terreno. Aqui um conselho, podemos sim colocar a mão direita no coração. De acordo com estes especialistas, é um sinal discreto de respeito, que mostra também reconhecimento e agradecimento aos soldados. É algo que podemos e devemos fazer quando vemos um militar na rua na Ucrânia perante esta invasão da Rússia.
E é com este manual de conselhos sobre como abordar os soldados ucranianos que fechamos este episódio de "Guerra Traduzida", versão Ucrânia. Já a seguir passamos em revista a imprensa russa.