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Jornal das 5, com Luís Soares. Depois de ter ouvido os partidos em Belém, o Presidente da República acusa-os de inação. António José Seguro avisa que não vai parar de exigir o entendimento para resolver a crise na habitação.
António José Seguro, que esteve hoje de visita a duas escolas requalificadas depois da passagem da tempestade Cristine pela região de Leiria. Num discurso dirigido aos mais jovens, António José Seguro assumiu que está preocupado com a falta de coesão social no país e responsabiliza a classe política pela ausência de soluções. Vasco Maldonado Correia.
Diante de uma plateia de jovens estudantes e depois de ter acusado os partidos de estarem demasiado preocupados com o passa-culpas, o Presidente da República aconselha: "Não sigam o exemplo".
Envolvam-se na política, na política do P grande, porque é a política que resolve os problemas das pessoas. Não é a política da trica, do passa-culpas, do adiar constante. Assim não saímos da cepa torta.
Com a crise na habitação em mente, Seguro garante que não se vai calar.
Eu vejo alguns dizer: "Bem, mas o Presidente da República faz esses apelos, mas isso está tudo condenado ao fracasso." Isso deve ser motivo para o Presidente da República ficar de braços cruzados? Pelo contrário, eu olho para os problemas do país e é aí que eu sinto a urgência. Sinto a responsabilidade.
E volta a pressionar uma.
Eu ontem convoquei os partidos para irem a Belém, porque considero que os partidos são essenciais à democracia. Eles têm divergências, mas faço-vos uma pergunta: a divergência deve ser uma desculpa para a inação?
E outra vez.
Então, não é responsabilidade dos partidos políticos, do Parlamento, dos governos, de contribuírem com soluções em conjunto para resolver essa situação? Sobretudo numa área em que ninguém tem a solução de criar casas de um dia para o outro.
Sem balas de prata, o Presidente da República continua a exigir entendimentos duradouros.
Precisamos de anos. E esses anos ultrapassam legislaturas, mudam governos. Então os partidos não têm o dever e a obrigação de se pôr de acordo em soluções que possam ajudar os portugueses, designadamente os jovens, a ter esse acesso à habitação?
Até porque avisa que a consequência é um descrédito da política em toda a linha.
E o deslaçar social começa precisamente aí, quando as pessoas sentem que não fazem parte, que não beneficiam da riqueza que é gerada, do progresso que é gerado.
Novo aviso do chefe de Estado, desta vez diante uma plateia de alunos do ensino secundário em Leiria, num discurso em que quis sair do guião para abordar o problema da coesão social.
Vasco Maldonado Correia, que acompanhou a visita do Presidente da República a Leiria, precisamente para debater a coesão social no país. Está também marcada uma reunião do Conselho de Estado para a próxima segunda-feira. António José Seguro também pediu ao governo, autarquias e outras entidades informação atualizada sobre o processo de recuperação depois da passagem da tempestade Cristine, vai fazer em janeiro um ano.
E depois de ouvir o Presidente da República, o líder do PS diz que concorda com a análise do presidente, que pede menos tricas e mais ação.
Ainda assim, José Luís Carneiro diz que tem feito o possível para alcançar também consensos, nomeadamente com o governo.
Eu estou totalmente de acordo com o senhor Presidente da República. Como bem sabem, há mais de um ano atrás, escrevi ao primeiro-ministro propondo o trabalho conjunto e comum em torno daquelas que devem ser prioridades nacionais fundamentais, nomeadamente sobre a habitação e também sobre a saúde. Eu peço que recuperem esses textos que eu mandei ao primeiro-ministro para verificarem que não é agora que eu estou a falar dessas preocupações e dessas prioridades.
Nestas declarações esta tarde em Lisboa, José Luís Carneiro foi também confrontado com a posição definida ontem pelo presidente do PS, Carlos César, que sugeriu a formação de um bloco central caso o Chega seja o partido mais votado nas legislativas. José Luís Carneiro sublinhou que é importante que exista uma alternativa clara entre PS e PSD.
É importante para a democracia que haja uma alternativa clara entre os dois principais partidos democratas portugueses, entre o PS e o PSD, porque é entre essas alternativas que os portugueses e as portuguesas têm ofertas de respostas políticas democráticas para o seu futuro.
O secretário-geral socialista afasta a ideia de um eventual bloco central por considerar importante para a democracia que haja uma alternativa clara entre PS e PSD.
E sobre a crise da habitação, o PCP apresentou hoje algumas propostas de alteração ao orçamento de Estado. O partido quer reforçar em 900 milhões de euros o investimento público na habitação e avançar com medidas para tentar travar o que chama de especulação imobiliária.
São propostas apresentadas pela presidente do grupo parlamentar comunista, Paula Santos. O partido coloca a crise na habitação, mas também o aumento do custo de vida no centro das prioridades.
Para enfrentar os preços elevadíssimos de bens essenciais, propomos a regulação dos preços dos alimentos, limitando as margens da grande distribuição dos combustíveis com a reposição dos preços regulados e limitando os lucros das petrolíferas e fixando, desde já, em 20 euros o preço do gás de botija, regulando o preço como acontece aqui ao lado, em Espanha.
Na habitação, o partido quer aumentar o parque público e chegar a 1% de investimento na habitação pública. O PCP quer também regular as rendas, reduzir o valor das prestações aos bancos e criar uma contribuição fiscal sobre os fundos imobiliários.
E nas longas audições, a propósito da proposta de orçamento, esteve hoje a ser ouvido o ministro da Administração Interna. Luís Neves assume a responsabilidade política pelas cargas policiais nos protestos pela habitação.
O ministro insiste na autonomia operacional da polícia, mas Luís Neves sublinha que depois de ter afirmado que as acampadas tinham de terminar, a orientação política estava dada.
Esta responsabilidade política é exclusivamente minha, que acompanhei a atividade daquilo que estava a ser preparado. A Polícia de Segurança Pública, como a GNR, tem total autonomia técnica, tática ou operacional. Não é o ministro que diz como e de que forma é que o faz. A partir do momento em que eu digo que as acampadas têm que terminar, naturalmente, é essa a posição política que foi expressa, não só para as forças de segurança, como para todo o cidadão. Mal seria que um ministro tivesse que dizer a uma força de segurança ou à sua liderança que tinha que cumprir a lei.
Declarações de Luís Neves, interpelado pelo Livre nesta audição parlamentar. O ministro revelou também que não falou com Luís Montenegro antes das operações policiais. Ainda assim, garante que o primeiro-ministro legitima a atuação do governante. Já no final, em declarações aos jornalistas, Luís Neves apelou também à tranquilidade dos manifestantes pelo direito à habitação, esperando que os protestos de amanhã decorram dentro da normalidade e da legalidade.
Hoje também foi dia de conhecer os rankings das escolas. O ministro da Educação pede, no entanto, que se evitem leituras simplistas.
O ranking do ensino secundário, que tem em conta os resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais, revela que entre os primeiros 50 lugares só constam 13 escolas públicas e a primeira na posição 44. As restantes são todas instituições privadas, é o que se pode ver no ranking feito pelo Observador, que está em manchete a esta hora no nosso site. No entanto, o ministro Fernando Alexandre pede cautela na forma como estes dados são interpretados.
A leitura não pode ser feita de uma forma simplista e crua. Nós temos que ter em conta os contextos. As escolas trabalham em situações muito diferentes. De facto, nós temos muitas desigualdades em termos territoriais. Não é na qualidade dos projetos pedagógicos que há uma distinção entre o privado e o público. É de facto o contexto socioeconômico dos alunos que é muito diferente. Continuamos a ter, felizmente, uma escola pública de qualidade. Temos que lutar para que o contexto socioeconômico não tenha efeito no percurso escolar do aluno, mas nós sabemos que tem, e por isso o que a escola pública faz é esse trabalho muito difícil de integração de alunos com necessidades educativas especiais, de integração de alunos que não falam português, que hoje têm uma expressão cada vez maior, que essas escolas privadas muitas vezes não têm.
Declaração do ministro da Educação captada pela RTP no final de uma visita a uma escola em Ovar. Fernando Alexandre disse também que quer os alunos do nono ano mais informados sobre os apoios que existem para o acesso ao ensino superior.
Hoje tem sido um dia pródigo em dados econômicos. O mais recente tem a ver com as contas do Estado, que registaram um excedente de cerca de 5000 milhões de euros até setembro. Menos, no entanto, do que é igual período do ano passado.
Menos 1200 milhões de euros de excedente. São dados da Síntese de Execução Orçamental. A despesa cresceu 10,6%, mais do que a receita, que subiu 9,5%. Quanto à economia portuguesa está a travar, cresceu 2,4% no terceiro trimestre do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Quando comparamos com o segundo trimestre, a economia cresceu 0,2%, menos 0,7 pontos percentuais do que no trimestre anterior. São ainda dados provisórios do Instituto Nacional de Estatística, que também avançou com a estimativa rápida para a inflação de outubro, ficou nos 3,8%, acima do valor registrado em setembro. E por quê? Muito por força da subida do preço dos combustíveis.
E por falar nisso, Luís, cá vai a pergunta de sexta-feira: como vão estar os preços na segunda?
Ora, o comportamento vai ser misto, digamos assim. O preço por litro da gasolina deve descer 2,5 centimos. O do gasóleo deve subir 2 cêntimos na próxima semana. São dados da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis, que já contam com acerto no imposto sobre os produtos petrolíferos que o governo faz habitualmente.
E há outras notícias a marcar essa tarde.
Não correm perigo de vida os dois feridos graves que seguiam a bordo do autocarro de passageiros que se despistou esta manhã em Baleizão, no Conselho de Beja. É isso que revela ao Observador fonte do Hospital de Beja, de onde foram transportados os sete feridos deste acidente. De acordo com a mesma fonte, os dois feridos graves foram submetidos a uma cirurgia que correu bem. Quanto aos feridos ligeiros, dois já tiveram alta, os três restantes permanecem sob observação. O motorista do autocarro morreu na sequência deste acidente. Entretanto, já está totalmente reaberto ao trânsito o nacional 260 depois do despiste deste autocarro. Em Espanha, está confirmada a morte de um cidadão português na sequência do acidente ferroviário em Toledo. É isso que revela em comunicado o Ministério Português dos Negócios Estrangeiros, adianta que a vítima mortal é um homem que era um elemento da tripulação de um dos comboios acidentados. E pela primeira vez, pelo menos que se saiba, um líder da Igreja Católica votou em eleições norte-americanas. Falo, claro, do papa Leão XIV, que votou por correspondência nas intercalares da próxima semana.
O Leão XIV é norte-americano, é o primeiro papa norte-americano, por isso é possível que seja a primeira vez.
Exato.
E obviamente é cidadão dos Estados Unidos.
E, portanto, tem direito a votar e diz o Vaticano que vota sempre que tem oportunidade e por isso o Papa enviou o voto por correspondência para Chicago, onde nasceu. Robert Francis Prevost consta da lista de pessoas que solicitaram o voto por correspondência nas intercalares no passado dia 3 de outubro, precisamente um mês antes das eleições. Ele está inscrito no recenseamento eleitoral de Illinois, uma vez que tem o domicílio registrado em New Lenox, que é a residência do irmão.
E antes de ser papa, há registro de outros votos, neste caso, do cidadão Robert Francis Prevost.
Exatamente. Ele votou já nas eleições norte-americanas por várias vezes, mas curiosamente também já votou em primárias, tanto republicanas como democratas.
Na escolha dos candidatos.
Exatamente. O voto do papa, de resto, acontece num ano especialmente em que há grandes divergências com o presidente norte-americano, Donald Trump, relativamente a vários temas, como as políticas de imigração ou guerra no Irão. Tem havido, como bem sabemos, muita troca de argumentos entre o papa e também Donald Trump.
E estas eleições intercalares, as midterms, são já na próxima terça-feira, dia 3 de novembro. Dia 4, na manhã de quarta-feira, já deveremos ter resultados e, de resto, aqui na Rádio Observador, vamos nessa manhã de quarta-feira acompanhar esses resultados e, no fundo, também perceber como vai sair Donald Trump destas eleições intercalares nos Estados Unidos.