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Avançamos no Guerra Traduzida da Rádio Observador para analisar os destaques da imprensa russa, com destaque, José, para um artigo que revela as condições do Kremlin para um encontro entre Putin e Trump.

É a grande manchete do jornal Izvestia, um longo artigo com várias condicionantes do Kremlin para avançar com um encontro presencial entre Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, e Vladimir Putin, o presidente da Rússia. O Izvestia cita uma fonte próxima do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. Dizem, à partida, que Putin apenas aceita reunir-se com Donald Trump se for para falar e finalizar um possível acordo de paz sobre a Ucrânia. Pelo menos por agora, uma vez que, escreve o jornal, a porta não ficará fechada depois desse ponto. Ou seja, há hipóteses de Donald Trump e Vladimir Putin terem depois um segundo encontro para abordar outros temas da geopolítica mundial. Outra das condicionantes para o Kremlin aceitar o encontro entre líderes da Rússia e dos Estados Unidos é que nenhuma delegação da Ucrânia se pode juntar a esse mesmo encontro. O artigo promete revelar todas as condições, fala nisso logo no início, mas a verdade é que aborda apenas a exclusão da Ucrânia da reunião e esse encontro ser exclusivamente sobre a guerra na Ucrânia. Admite o artigo que há mais condicionantes, mas que não as pode revelar publicamente. Dizem, em sentido inverso, que seriam precisas várias reuniões entre Washington e Moscovo para fechar e finalizar os termos do acordo para esse possível encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin.

Vamos avançar, porque há um discurso de Vladimir Putin que está a tomar as manchetes russas de assalto.

Precisamente, um artigo que está na imprensa russa e que destaca precisamente esse discurso de Vladimir Putin num fórum tecnológico, um fórum que aborda a forma como se vai fazer a ciência nos próximos anos na Rússia. Vladimir Putin foi um dos oradores, esteve em principal destaque, precisamente, e fez um discurso no Fórum das Tecnologias do Futuro. O líder russo elogiou os cientistas compatriotas, com destaque para a biociência. Vladimir Putin disse estar orgulhoso do trabalho que tem sido feito, com passos dados na direção certa. É o que se pode ler em vários artigos sobre o tema. Não foi apenas sobre isso que Vladimir Putin falou. A Agência TASS, a título de exemplo, fez um apanhado das declarações do presidente russo, mas o mesmo pode ser dito para praticamente todos os jornais da imprensa russa. Apontam as palavras de Putin sobre vacinas, onde o líder russo defendeu que a burocracia não pode ser um obstáculo para que surjam novas vacinas. Destacou ainda Vladimir Putin os avanços na criação de órgãos artificiais, um dos pontos que está em maior desenvolvimento na ciência médica da Rússia. O artigo fecha com uma lista dos avanços científicos levados a cabo na Rússia nos últimos anos e com a ideia de que há apenas espaço para melhorar, é o que se pode ler nestes artigos sobre o discurso de Vladimir Putin.

José, o envio de armas nucleares para Kiev é visto na imprensa russa como um problema de larga escala.

Para já, não há esse plano, mas foi uma possibilidade que surgiu nos últimos dias. A imprensa russa tem estado alerta. Em causa, os alegados planos da França e do Reino Unido de transferir armas nucleares para Kiev. A imprensa russa fala numa situação inaceitável, citando fontes próximas do governo, e avançam que tal situação iria a 100% sabotar todas as negociações de paz. Diz ainda que os planos estarão a ser preparados e que o Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia está a par desses planos do Reino Unido e também da França. A imprensa russa destaca que a transferência de armas nucleares para Kiev tornaria os países europeus participantes diretos no conflito na Ucrânia. As embaixadas da França e do Reino Unido na Rússia já negaram as conclusões do Serviço de Inteligência Estrangeira. É o que se pode ler também na imprensa russa. Este é um tema que vai marcar a agenda nas próximas semanas. É também a promessa deixada na imprensa russa.

É o ponto final na guerra traduzida com José Rafael Lopes. Está de regresso amanhã à antena da Rádio Observador.