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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, dia 11 de julho. Vamos olhar pra imprensa da Ucrânia com a ajuda da Tânia Oleinik, sendo que hoje, Tânia, começamos por essa ordem de Zelenskyy, que ordenou o avanço para a reconquista do sul da Ucrânia. É uma nova fase da guerra e hoje o TCN tenta explicar o que isso significa.
Durante um programa televisivo do TCN, um especialista militar, Dmytro Snihyrov, enfatiza que as intenções do lado ucraniano são neutralizar o plano da chamada operação especial russa. Ele acredita que o controle sobre a região de Kherson permite que o lado ucraniano resolva questões-chave e, consequentemente, liberte ainda mais os territórios ocupados. Snihyrov diz que a Ucrânia está à procura de neutralizar a componente-chave, a ponte Kerch, e consequentemente realizar ataques pontuais nas bases da frota do Mar Negro. Além disso, esta será uma solução para os problemas econômicos da Ucrânia. Primeiro de tudo, é desbloquear o trabalho dos portos do Mar Negro. Estas declarações mostram que as intenções do lado ucraniano de passar pra terceira fase da guerra, nomeadamente uma contraofensiva e libertação dos territórios temporariamente ocupados. Não apenas os territórios da região de Kherson, mas também as regiões de Zaporizhzhia e Donetsk, explicou Snihyrov. Relembramos que ontem Zelenskyy ordenou a desocupação das regiões do sul da Ucrânia, sendo que está sendo reunida uma força militar de um milhão de operacionais equipados com armas ocidentais.
Uma nova fase da guerra com Zelenskyy a avançar com essa ordem para a reconquista do sul da Ucrânia. Entretanto, as Forças Armadas Ucranianas anunciam que libertaram Ivanivka, uma região. Conseguiram libertar esta vila de Ivanivka aos ocupantes. É uma vila que fica na região de Kherson.
A 60ª Brigada de Infantaria Independente publica na página do Facebook que graças ao trabalho coordenado, os militares conseguiram assumir o controle do assentamento. Os ocupantes russos em Ivanivka deixaram apenas lembranças terríveis e equipamentos militares mortos. Os soldados ucranianos estabelecem comunicação com a população local e prestam assistência aos que necessitam. Agora a aldeia está vazia e os poucos moradores locais estão a pedir aos militares que os retirem.
Mais uma conquista aqui anunciada por parte das Forças Armadas da Ucrânia. Noutra região, em Mariupol, o conselheiro do presidente da Câmara Municipal de Mariupol, o autarca de Mariupol, diz que os ucranianos devem fazer de tudo para deixar a cidade.
Petro Andryushchenko publica no Telegram várias razões para as pessoas deixarem a cidade ocupada. Nomeadamente, é tecnicamente impossível restaurar a infraestrutura da cidade antes do inverno. Vão surgir problemas com o abastecimento d'água, eletricidade e gás em algumas áreas. O sistema médico não vai funcionar, praticamente não há médicos especializados no local, como pediatras ou oncologistas, e devido a sanções, a Rússia tem problemas com equipamentos médicos. A falta de segurança devido à polícia dos ocupantes não proteger os ucranianos e trabalhar pra os ocupantes e em conjunto com os criminosos. Também devido à contraofensiva das Forças Armadas, as pessoas podem ser feridas, pois funcionam como escudo humano para os russos que colocam armazéns próximos a prédios civis. As autoridades da ocupação planeiam iniciar também uma mobilização de todos de Mariupol no outono, sem exceção. Atualmente, também existe um corredor de evacuação que está aberto em Zaporizhzhia.
Razões apontadas pela porta-voz do presidente da Câmara de Mariupol, a pedir à população ucraniana que deixe esta região. Entretanto, temos também na imprensa da Ucrânia, hoje na Pravda, um artigo sobre a queda na quantidade de doações para as Forças Armadas desde o início da guerra. Até agora, o número de doações tem estado a diminuir.
A OpenDataBot, uma empresa que trabalha com dados, analisa as informações do Banco Nacional da Ucrânia e explica que em junho os ucranianos transferiram 500 milhões de hryvnia, que são cerca de 16 milhões e 700 mil euros, para ajudar o exército, o que é significativamente menor do que nos meses anteriores. A quantidade de doações em junho diminuiu três vezes em relação a maio e 12 vezes em relação aos primeiros dias após a invasão da Federação Russa em fevereiro. Assim, na última semana, 6 mil milhões de hryvnia, que são cerca de 201 milhões de euros, foram transferidos para a conta das Forças Armadas. Em março, os ucranianos doaram uma quantia recorde de 8 mil milhões de hryvnia, que são cerca de 271 milhões de euros ao exército. Desde então, o valor das receitas nas contas das Forças Armadas só diminuiu. No total, mais de quatro meses desde o início da guerra em grande escala, os ucranianos transferiram quase 20 milhões de hryvnia, que são cerca de 657 milhões de euros para apoiar o exército. A diminuição da quantidade de doações pode ser explicada tanto pelo cansaço dos ucranianos da guerra, como também pela diminuição geral de rendimentos.
Continuam a ser feitos esses donativos para as Forças Armadas da Ucrânia, mas estão a ser feitos em menor quantidade. Isto comparando com essas primeiras semanas dessa invasão russa a território ucraniano. Na Polônia, temos uma exposição. Na Polônia não, na República Tcheca, assim é que está certo, em Praga. Está a ser exposto nas ruas de Praga o equipamento russo destruído na Ucrânia. É uma exibição que começa hoje e a Pravda ucraniana tem hoje um artigo a explicar que exposição é esta.
O correspondente da Rádio Svaboda, Richard Josiac, já publicou fotos da exposição na sua página do Twitter. A exposição foi organizada pelo Ministério de Administração Interna da Ucrânia, com o apoio de vários ministérios da Ucrânia e da República Tcheca. A Embaixada da Ucrânia na República Tcheca informa que a exposição ficará na cidade até 24 de julho. Possui o tanque russo T-90, instalações de artilharia, sistemas antitanque e o sistema de mísseis antiaéreos Buk.
É uma exposição que se vai manter até o dia 24 de julho, exposição do equipamento russo destruído na Ucrânia. Está em exibição no centro de Praga. Para terminar, temos um artigo no TCN que conta a história de um oligarca russo que tentou exportar bens num caminhão com o símbolo da Cruz Vermelha.
Os serviços de segurança da Ucrânia publicam na sua página no Telegram que os ativos de uma empresa russa no valor de mais de 67 milhões de euros foram apreendidos em Vinnytsia. O proprietário da empresa é um oligarca russo, Vladimir Alexandrovich Polyakovsky, que possui uma empresa de cosméticos na Federação Russa e é membro do partido político Rússia Unida. Em 2020, a fortuna do oligarca foi estimada em 47 milhões e 800 mil euros. O relatório diz que a alta direção da empresa tentou levar os produtos para o território da região de Odessa e para isso eles organizaram o transporte de mercadorias em caminhões com o símbolo da Cruz Vermelha.
E neste caso, eles foram apanhados neste esquema de transportar material desta empresa escondido num caminhão com esses símbolos da Cruz Vermelha?
Sim, a polícia realizou uma série de buscas onde foram apreendidos equipamentos de informática, equipamentos de servidores e outros documentos. Foram também confiscados equipamentos para produção de produtos químicos domésticos e armazéns com matérias-primas e produtos acabados com um peso de quase 5 mil toneladas. A Procuradoria-Geral informa que atualmente estão a ser tomadas medidas para transferir esses ativos para a administração da Agência de Recuperação e Gestão de Ativos.
Um esquema de um oligarca russo a tentar contornar sanções e a tentar também exportar o material desta empresa através de um caminhão com o símbolo da Cruz Vermelha. Terminamos assim esta guerra traduzida com olhar para a imprensa da Ucrânia e com a ajuda da Tânia Linick.