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Estamos de volta à Guerra Traduzida com a jornalista Diana Rosa e com o que dizem desta vez os jornais ucranianos. Começamos, Diana, com o ataque russo a Kharkiv, que atingiu um hospital. Pelo menos uma pessoa morreu e 14 ficaram feridas.
Tratou-se, Luís, de um ataque com uma bomba aérea guiada. De acordo com o Kyiv Independent, entre os feridos está uma criança. De acordo com o chefe da administração militar regional, quatro dos feridos estão hospitalizados. O ataque ocorreu por volta das 11h30 da manhã, menos duas horas em Lisboa. Além de atingir a unidade hospitalar, a bomba russa destruiu parcialmente um estabelecimento, além de uma casa e dois carros. Ao início da tarde, o governador local garantiu que não há vítimas debaixo dos escombros e os desaparecidos foram, entretanto, localizados. Nos últimos meses, Moscovo tem intensificado os ataques contra Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, que fica a pouco mais de 20 km da fronteira com a Rússia. Ainda ontem, como falamos aqui também, Luís, um ataque do mesmo gênero deixou feridas mais de 40 pessoas.
E como tinhas prometido na primeira parte, voltamos agora a esse tema. Contrariamente ao que diz a Rússia, a Ucrânia garante que as negociações para o encontro entre a Zelensky e Putin até já começaram.
Confirmação do próprio presidente ucraniano, que diz que é preciso acabar com esta guerra e um encontro entre os dois líderes vai provavelmente contribuir para esse fim. Zelensky considera que as negociações atuais promovem um progresso em direção a essa reunião com o presidente russo, que a partida seria feita na presença de outros líderes ocidentais. O lado russo, no entanto, como já referimos, não parece tão otimista quanto a um acordo entre os dois.
E falamos ainda de um antigo comandante-chefe da Ucrânia, que avisa que a guerra pode durar até 2034.
Sim, mais nove anos disto, pelo menos, é o alerta deixado por Valery Zaluzhny, que atualmente desempenha funções como embaixador da Ucrânia no Reino Unido. Zaluzhny entende que se a Ucrânia tentar alcançar um cessar-fogo sem construir as futuras defesas, a guerra corre um sério risco de se perpetuar. O militar descreve uma mudança nas táticas da Rússia no campo de batalha. Diz que o Kremlin abandonou os ataques diretos, prefere agora uma guerra de atrito, que visa tanto os militares como os civis ucranianos.
E Diana, espiões ucranianos invadiram o governo da Crimeia, ocupado pela Rússia, e conseguiram mesmo extrair uma centena de terabytes de dados secretos.
As secretas garantem que vão descobrir detalhes explosivos. É esta a expressão utilizada e que consta de um artigo publicado hoje no Kyiv Post. Faz, de resto, manchete neste jornal ucraniano. O ataque informático durou vários dias, paralisou os principais sistemas de informação e as redes de toda a península da Crimeia. Enquanto as autoridades russas desenvolviam diligências para identificar a causa do colapso, os especialistas ucranianos conseguiram infiltrar-se discretamente nos portais internos. Entre os documentos secretos a que esta equipa teve acesso estão dados sensíveis sobre a infraestrutura militar e também sobre as rotas logísticas que são usadas para abastecer as forças russas estacionadas na Crimeia. Depois de copiar estas informações, os agentes destruíram todos os dados armazenados nos servidores das instituições regionais e distritais, mas também de ministérios e de agências russas no território anexado. A Rússia está agora a tentar restabelecer os sistemas, mas alguns ainda permanecem indisponíveis.
Uma história de espiões em destaque na imprensa ucraniana. A Guerra Traduzida está de regresso na próxima semana.