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Começa agora mais uma Guerra Traduzida, especial Irão, para acompanhar o conflito no Médio Oriente. Nos próximos minutos passamos em revista os principais destaques da imprensa internacional. A edição de hoje é com o jornalista Martim Madeira. Começamos com o relatório de uma missão de averiguação das Nações Unidas em território iraniano. A ONU tem motivos para acreditar que os Estados Unidos cometeram crimes de guerra durante o conflito com o Irão.
Em causa estão dois ataques militares contra uma escola e um complexo desportivo no Irão em fevereiro. Segundo a Reuters, as conclusões do novo relatório da Missão Internacional Independente de Apuramento de Factos sobre o Irão analisou a conduta dos Estados Unidos durante o conflito, mas também a resposta do governo iraniano aos distúrbios a nível nacional que começaram no final de dezembro. As conclusões vão ser apresentadas ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em Genebra, e antes de terem sido tornadas públicas, as autoridades norte-americanas já afirmaram que as operações militares são conduzidas em conformidade com o direito dos conflitos armados. Enquanto o Irão tem rejeitado sistematicamente as alegações de violações sistemáticas dos direitos humanos, certo é que esta investigação da ONU concluiu ainda que as autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade durante a repressão mortal aos protestos antigovernamentais.
Sobre estes crimes de guerra levados a cabo pelos Estados Unidos, remontam a fevereiro deste ano. A ONU concluiu que as forças norte-americanas foram responsáveis por um ataque a uma escola primária onde mais de 150 pessoas foram mortas.
Os peritos da Missão das Nações Unidas dizem que o ataque constituiu um ataque discriminado que causou mortes de civis e danos à infraestrutura civil, o que equivale a um crime de guerra ao abrigo do direito internacional. De acordo com o relatório, os Estados Unidos basearam-se em informações de inteligência que sugeriam que um alto comandante militar iraniano se encontrava no local, mas não verificaram adequadamente a informação antes de lançarem este ataque. Na sequência deste bombardeamento, morreram, segundo as autoridades iranianas, 120 crianças em idade escolar. Esta investigação da ONU concluiu ainda que as autoridades iranianas levaram a cabo um ataque generalizado e sistemático contra civis durante os protestos no final de dezembro do ano passado, incluindo homicídios ilegais, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e restrições severas à liberdade de expressão.
Seguimos com um pedido do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pede a descalada das tensões no Médio Oriente.
Diz mesmo que é uma prioridade. O líder máximo da ONU pede o fim dos ataques contra civis na região. Numa publicação feita nas redes sociais, António Guterres sublinha que o único caminho a seguir é a diplomacia e o diálogo. O secretário-geral da ONU pede ainda a restauração dos direitos da navegação nas águas do Médio Oriente e a salvaguarda das operações humanitárias.
Pouco depois desta posição de António Guterres, o presidente dos Estados Unidos voltou a garantir que o Irão quer um acordo.
E que o conflito está perto do fim. Em declarações aos jornalistas antes de embarcar no avião presidencial, Donald Trump disse que neste momento há contactos diretos com a República Islâmica do Irão. Afirmações que foram refutadas por um antigo diplomata iraniano à Al Jazeera. Abbas Milani não acredita que tenha havido qualquer esforço adicional para além do que estava em curso nas últimas semanas. Acrescentou que a atividade diplomática do Irão não foi além do quadro já em vigor nas últimas semanas, um cenário centrado em garantir a aplicação do memorando de entendimento existente, em vez de iniciar novas negociações. Milani afirmou que Teerão continua a insistir em garantias internacionais antes de qualquer acordo poder ser considerado fiável, mas colocou em dúvida os mediadores atualmente disponíveis.
O Irão classifica a mais recente ronda de conversas com a China como bem-sucedidas e reitera o apoio ao plano de Xi Jinping para a paz.
O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros reafirmou a importância da parceria estratégica entre Teerão e Pequim. Abbas Araqchi afirma que as conversas com responsáveis chineses levaram a decisões que vão determinar o futuro equilíbrio estratégico da região e que vão ter consequências indiretas incalculáveis. Numa publicação na rede social X, o chefe da diplomacia iraniana manifestou também apoio aos quatro princípios apresentados pelo presidente chinês, Xi Jinping, para alcançar a paz na região, que considerou serem fundamentais. A proposta de Xi assenta na coexistência pacífica entre países vizinhos, no respeito pela soberania e integridade territorial dos Estados, no cumprimento do direito internacional e na procura de um equilíbrio entre segurança e desenvolvimento económico.
Fica por aqui mais uma edição da Guerra Traduzida, especial Irão, hoje com o Martim Madeira.