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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Boa noite, Diana.
Boa noite, António.
Começamos com a imprensa da Rússia. A Rússia diz que está pronta para o encontro entre Zelensky e Putin, mas só se o presidente da Ucrânia viajar para Moscovo.
É a condição imposta pelo Kremlin. É um comentário que surge na sequência das declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, que confirmou que Zelensky está pronto para se encontrar com Vladimir Putin para resolver duas questões centrais no processo de paz: as questões territoriais e o futuro da central nuclear de Zaporizhzhia, ocupada pela Rússia. O Kremlin afirma que nunca se recusa a esse tipo de contacto. Acrescenta que Moscovo está preparada para garantir a segurança e as condições de trabalho de Zelensky, caso ele aceite deslocar-se à Rússia. Um alto funcionário americano familiarizado com o assunto disse anteriormente que o encontro direto entre Zelensky e Putin, potencialmente envolvendo Trump, não está descartado. Diz até que pode estar para breve. Tanto os líderes ucranianos quanto os americanos já tentaram anteriormente organizar conversas diretas entre os dois presidentes, mas a Rússia, repetidamente, acabou por encontrar razões para evitar esse encontro.
E Diana, a delegação dos Estados Unidos diz que não vai participar na nova ronda de negociações sobre a Ucrânia.
Anúncio do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sublinhou que o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, assim como o genro do presidente, Jared Kushner, vão estar ausentes de novos contactos sobre a resolução do conflito. De acordo com Rubio, o encontro será bilateral. As negociações vão ocorrer entre as delegações russa e ucraniana. O secretário de Estado norte-americano afirma também que a lista de questões controversas no âmbito do acordo foi reduzida a um único ponto relacionado com a questão territorial. O "Komsomolskaya Pravda" noticiou anteriormente que Dmitry Peskov, porta-voz da presidência russa, classificou as negociações trilaterais sobre o acordo com a Ucrânia como um processo delicado e muito complexo. Os contactos entre as partes devem ser retomados no dia um, próximo domingo.
E passamos ao Kremlin, que rejeita o estudo dos Estados Unidos sobre as baixas na guerra na Ucrânia.
A estimativa de um think tank americano afirma que as baixas russas ultrapassaram um milhão e 200 mil soldados. A Rússia diz que estes números não são confiáveis. O Centro de Estudos Estratégicos Internacionais afirma que cerca de 325 mil soldados russos foram mortos até dezembro e outros 875 mil ficaram feridos ou estão desaparecidos. Diz o estudo que nenhuma grande potência sofreu um número sequer próximo a estas baixas ou mortes em qualquer guerra desde a Segunda Guerra Mundial. O porta-voz do Kremlin rejeita as conclusões. Afirma que o número de vítimas só deve ser considerado confiável se vier do Ministério da Defesa da Rússia. Ora, o governo russo diz que o número de militares mortos na sequência deste conflito é perto de 6 mil, ou seja, menos quase 320 mil do que dizem os Estados Unidos. A notícia é do Moscow Times.
E vamos até à Polónia. Varsóvia anuncia que vai cortar o cheque-creche para ucranianos desempregados já a partir da próxima semana.
Segundo o Ministério da Administração Interna polaco, as mudanças vão afetar cerca de 150 mil ucranianos, que vão precisar de apresentar um novo pedido e comprovar que cumprem os novos critérios de elegibilidade, incluindo a comprovação de situação de emprego. Apenas os pais de crianças com deficiência, bem como aqueles que solicitam benefícios para filhos com cidadania polaca, estão isentos. Os pais também vão precisar de comprovar que a criança frequenta uma escola ou um jardim de infância polaco. De acordo com o governo do país, cerca de um milhão de ucranianos vivem na Polónia sob um estatuto especial de refugiado. Em setembro, o presidente Karol Nawrocki assinou uma última prorrogação desse estatuto. Já os benefícios para os refugiados ucranianos foram restringidos. Por exemplo, a lista de serviços médicos gratuitos foi reduzida e o subsídio de desemprego foi suspenso.
Fica por aqui a primeira parte da "Guerra Traduzida". Voltamos já a seguir com a imprensa ucraniana.