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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Está conosco a jornalista Diana Rosa. Diana, boa noite.
Olá, Filipa, boa noite.
Começamos pelos jornais ucranianos e com o plano de paz apresentado pelos Estados Unidos a Kiev. É uma proposta, Diana, que inclui a cedência de território à Rússia.
Falamos do controle total da Rússia sobre Luhansk e Donetsk, apesar da Ucrânia ainda controlar cerca de 12% desse território, assim como a redução do exército, Filipa, e a entrega de algumas armas. É um plano de 28 pontos. Zelenskyy está alegadamente sob pressão para o aprovar. É uma notícia que surge depois da Axios ter avançado que os Estados Unidos e a Rússia estariam a desenhar um plano sem ter em conta a vontade de Kiev. De acordo com as fontes da Reuters, citada então pela imprensa ucraniana, este plano defendido por Washington também não teve qualquer participação da Ucrânia.
E isto acontece no dia em que Zelenskyy esteve reunido com o presidente turco. Zelenskyy quer relançar as negociações de paz.
E uma paz digna, Filipa. O presidente ucraniano esteve reunido com Recep Erdoğan, em Istambul, citado pela RBC Ukraine. Erdoğan apelou à criação de um quadro abrangente para ressuscitar as negociações na Turquia. Numa conferência de imprensa com o homólogo ucraniano, o líder turco sublinhou que as negociações de Istambul constituem um marco importante nos esforços diplomáticos, num momento em que os efeitos devastadores da guerra se aprofundam. O plano dos Estados Unidos, que como dizíamos, é composto por 28 pontos, surgiu depois do êxito dos esforços de Trump para alcançar um acordo em Gaza. Um alto responsável russo mostrou-se otimista quanto ao documento, embora ainda não seja claro qual será a reação da Ucrânia e dos seus parceiros europeus. Os 28 pontos estão distribuídos por quatro grandes áreas: paz na Ucrânia, garantias de segurança, segurança na Europa e futuras relações dos Estados Unidos com a Rússia e com a Ucrânia. O enviado especial de Trump lidera a elaboração do documento e discutiu em detalhe com o enviado russo, Kirill Dmitriev, o CEO do Fundo Russo de Investimento Directo, durante três dias. A Axios relata ainda que um responsável americano confirmou que a Casa Branca já começou a informar os responsáveis europeus sobre este plano e a mesma fonte afirmou acreditar que vai haver uma oportunidade para integrar os ucranianos e os europeus nesta iniciativa.
E Diana, o número de mortes em Ternopil já subiu para 25, depois de um ataque russo em larga escala.
Dados do Ministério da Administração Interna da Ucrânia, destas 25 vítimas, três são crianças. Há ainda 75 feridos, é o que adianta a agência Interfax. As operações de resgate continuam na cidade, com mais de uma centena de operacionais no terreno. É possível que mais pessoas estejam presas nos escombros. As vítimas estavam em dois prédios de apartamentos que foram atingidos pelos ataques russos, que afetaram também infraestruturas civis e instalações industriais da região. O governo ucraniano diz que a Rússia atacou, mais uma vez, cidades pacíficas da Ucrânia. Os alvos são casas, escolas e infraestruturas críticas. A Ucrânia diz que foram lançados mais de 470 drones e 48 mísseis de diferentes tipos contra várias regiões do território ucraniano.
E a União Europeia acusa a Rússia de testar os limites com ataques híbridos e promete uma resposta forte.
A chefe da diplomacia diz que a Rússia está a testar até onde é que pode ir, tanto com esses ataques híbridos como com atos de sabotagem. Depois da Polônia ter acusado esta semana a Rússia de sabotar ferrovias que levam ajuda à Ucrânia, Kaja Kallas diz que a Rússia está também a tentar semear o medo na sociedade. Apesar de prometer resposta, Kaja Kallas diz que não podemos cair em extremismos, temos mesmo ter uma abordagem equilibrada. Ainda assim, de acordo com a chefe da diplomacia, este tipo de ataques representa um perigo extremo para as infraestruturas críticas da Europa.
E as denúncias da Polônia levam também ao encerramento do último consulado russo no país.
Depois dessa alegada sabotagem ferroviária por parte de agentes da Rússia, a decisão foi anunciada depois das autoridades polacas terem afirmado que dois cidadãos ucranianos, alegadamente a soldo de Moscovo, são suspeitos de terem feito explodir uma linha férrea. O ministro dos Negócios Estrangeiros disse ter alertado repetidamente a Rússia de que a presença diplomática e consular seria ainda mais reduzida caso não cessassem as ações hostis contra a Polônia. Fecha assim, aliás, Filipa, o consulado em Gdansk, no norte do país.
Primeira parte de "Guerra Traduzida". Regressamos já a seguir com os destaques da imprensa russa.