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É mais um capítulo da Guerra Traduzida na Rádio Observador. É o programa em que trazemos todos os dias as notícias que estão em destaque, quer na imprensa russa, quer na imprensa ucraniana, em tempo de guerra na Ucrânia. Está comigo aqui em estúdio a jornalista Diana Rosa. Diana, boa tarde.
Boa tarde, João.
Vais começar hoje pela imprensa russa, até porque a Rússia e a Ucrânia realizam outra troca de prisioneiros. É o que avança a esta hora, pelo menos, a Agência TASS.
Os militares russos estão neste momento na Bielorrússia a receber assistência médica e psicológica, é o que adianta o Ministério da Defesa russo. Em troca, foi entregue um grupo de soldados ucranianos a Kiev, no âmbito dos acordos alcançados em Istambul, na reunião que decorreu na semana passada. O primeiro grupo de soldados russos com menos de 25 anos voltou do território controlado por Kiev no dia 9. Houve outra troca no dia 10, terça-feira. Esta é a terceira. Os militares russos vão agora ser levados para Moscovo, onde vão receber reabilitação nas instalações médicas do Ministério da Defesa. Deixa-me só dizer, já que estamos a falar nisto, que a Ucrânia também já confirmou esta terceira troca. Entre os libertados estão defensores de Mariupol, que passaram mais de três anos em cativeiro. O grupo inclui soldados, sargentos e oficiais. Todos os homens libertados apresentam ferimentos ou doenças graves, como membros amputados, problemas de visão, infecções, ferimentos por estilhaços e doenças crónicas. Alguns têm hepatite, outros tuberculose.
Mudamos de tema, até porque hoje assinala-se o Dia da Rússia. É feriado nacional na Rússia.
Vladimir Putin deixou uma mensagem aos russos a quem pede que tenham lealdade à pátria.
Este dia inspira-nos para alcançar grandes conquistas, a criar e a vencer. Saúdo-vos sinceramente por este feriado. Simboliza a trajetória poderosa e contínua de mais de mil anos do Estado russo, a sua história e cultura, a riqueza natural única, a diversidade e a originalidade das regiões do nosso país. É um dia que significa o destino do nosso povo multinacional, o desenvolvimento em todas as áreas, a lealdade às tradições e que atinge novos patamares. Essa é a nossa compreensão integral do que é a Rússia. A lealdade dos russos à pátria fortalece a sua força, independência e soberania.
Ouvimos aqui Vladimir Putin num registo da Agência RIA. Nesta cerimónia falou também Yury Dyukov, director científico adjunto do Centro Nuclear de Snezhinsk, que deixou avisos sobre o que acredita serem ameaças externas. E não foi brando. Virou-se para Putin, olhou nos olhos e deixou esta mensagem.
Vladimir Vladimirovich, o senhor ganhou a Rússia num momento muito difícil. Conseguiu retirá-la literalmente do fim da caverna e colocá-la no caminho de desenvolvimento. Agora, os inimigos estão a reunir-se em bando novamente, na esperança de uma presa fácil. Assim como Napoleão falhou, Hitler falhou, os chacais modernos da NATO também não terão sucesso. Os cientistas nucleares russos, na minha pessoa, agradecem a confiança e podemos garantir que não vamos decepcioná-lo e que todo esse bando vai partir os dentes no nosso escudo nuclear.
Simpático. Estava aqui a ver a tua cara, João. Neste dia, a Rússia comemora a adoção da Declaração da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, no dia 12 de junho de 1990. Veio substituir o feriado nacional da União Soviética. O novo nome do país, Federação Russa, vinha a ser adotado mais de um ano depois, no dia de Natal, em 25 de dezembro de 1991.
Entretanto, Diana, o secretário de Estado dos Estados Unidos da América, Marco Rubio, deu os parabéns aos russos por este feriado nacional.
É a primeira vez que é feita esta saudação no Dia da Rússia pelos Estados Unidos, desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. Numa declaração publicada pela Embaixada Norte-Americana em Moscovo, Marco Rubio diz que os Estados Unidos continuam comprometidos em apoiar o povo russo, enquanto os cidadãos continuam também a desenvolver as aspirações por um futuro mais brilhante. Estou aqui a citar. Marco Rubio aproveita também a oportunidade para reafirmar o desejo dos Estados Unidos de um envolvimento construtivo com a Federação Russa para alcançar uma paz duradoura entre Rússia e Ucrânia. O secretário de Estado norte-americano termina esta mensagem desejando que a paz, que eventualmente será alcançada, promova relações mutuamente benéficas entre os dois países, Rússia e Estados Unidos.
Continuamos a falar dos Estados Unidos, Diana, porque revelaram detalhes do plano que propõem para uma solução pacífica desta guerra na Ucrânia.
A declaração foi feita pelo enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Keith Kellogg. Diz que os norte-americanos querem alcançar um cessar-fogo nas posições atuais. Ou seja, ele diz que quem quer que esteja e onde fica com o território que ocupa. Isto é dizer que se a Rússia ocupa quatro territórios, neste caso Zaporíjia, Kherson, Donetsk, Luhansk.
Sabes de cor.
Fica com esses territórios, assim como a Crimeia, que já ocupou em 2014. Não sabemos muito bem como é que é a situação de Kursk, que foi invadida pelas Forças Armadas Ucranianas em agosto do ano passado, nessa tentativa de ganhar também aqui algum espaço para negociações. Essa é uma situação que ainda não está arrumada, a região de Kursk, porque é uma cidade na Rússia, junto à fronteira com a Ucrânia, e ainda decorrem combates nessa região. E, portanto, para os Estados Unidos, quem está nessas regiões é quem fica com elas. E, portanto, esse é um dos primeiros princípios deste acordo que os Estados Unidos promovem. Depois, a devolução das crianças ucranianas, também dos prisioneiros, e uma trégua estável, benéfica não apenas para a Ucrânia, mas também para a Europa. Além disso, o regresso da Rússia às relações civilizadas com outros países. Keith Kellogg lembra que os norte-americanos não querem um novo conflito nos próximos cinco anos. Trump já tinha proposto o reconhecimento, como eu dizia, da Crimeia como território russo, assim como as outras quatro regiões que a Rússia ocupa na Ucrânia. Além disso, Trump quer também iniciar o processo de levantamento das sanções contra a Rússia. A União Europeia já rejeitou categoricamente essa proposta. É uma notícia do Komsomolskaya Pravda.